Mostrar mensagens com a etiqueta revolução sexual. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta revolução sexual. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

A “educação” sexual nas escolas


“O que aconteceu à imaginação humana, no seu todo, foi que o mundo inteiro foi pintado com paixões perigosas e efémeras; com paixões naturais que se tornaram desnaturadas.

Em consequência, o resultado de tratar o sexo somente como uma coisa inocente e natural, foi o de que todas as outras coisas naturais e inocentes ficaram saturadas e encharcadas com sexo — porque o sexo não pode ser concebido em termos de igualdade com emoções elementares, ou com experiências como comer e dormir.

A partir do momento em que o sexo deixa de ser um servo, passa a ser um tirano. Existe, no lugar e na função do sexo na Natureza Humana, algo de desproporcional e perigoso, e por um motivo qualquer; e o sexo realmente necessita de dedicação e purificação especiais.

A conversa moderna sobre o sexo ser livre como qualquer outra coisa, acerca do corpo que é belo como qualquer árvore ou flor — ou é uma descrição do Jardim do Éden, ou é um discurso de péssima psicologia da qual o mundo já se tinha cansado há dois mil anos.”

→ G. K. Chesterton (“The Suicide of Thought,” Orthodoxy, 1908)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Henrique Raposo anda a ver mal a “coisa”

 

“No entanto, meu caro, o problema central não é a rapariga. É o rapaz, é o homem. O problema não é o corpo vestido ou tapado da rapariga, é a cabeça do rapaz e do homem. No passado, nas sociedades ocidentais, as mulheres andavam tapadas, mas isso não impedia o abuso sistemático”.

Henrique Raposo


O Henrique Raposo faz uma confusão de tal forma que torna o texto dele ininteligível; é uma logomaquia acerca do fenómeno cultural feminista que é o #metoo .

Vejamos este vídeo do Tucker Carlson da Fox News:

 

Ao contrário do que parece, e ao contrário do que ele próprio diz, o Henrique Raposo segue o feminismo de quarta geração (que saiu da Revolução Sexual pós-moderna); e Catherine Deneuve segue o paradigma cultural vigente anterior aos pós-modernismo.

Nota bem: “seguir um paradigma” não é a mesma coisa que “voltar ao passado” — como parece implicitamente defender o Henrique Raposo. “Seguir um paradigma” é adoptar o conceito de Fernando Pessoa de “velhice do eterno novo”: as coisas podem ser novas dentro de um paradigma antigo.


O movimento #metoo é uma manifestação do feminismo radical americano, que é um liberalismo (“liberalismo” no sentido anglo-saxónico de “esquerdismo”), uma ode ao indivíduo que se emancipa das tradições e das estruturas colectivas: o feminismo americano é comunitarista (no sentido de “identitário”).

Mas quando o predador masculino vem dos países do sul e/ou dos países muçulmanos, o feminismo americano do #Metoo encontra todas as desculpas possíveis para os abusos sexuais, porque é um feminismo aliado às minorias raciais: feministas e minorias raciais combatem em conjunto o inimigo comum: o macho heterossexual branco.

Por isto é que o Henrique Raposo anda a ver mal a “coisa”.


A terceira parte do vídeo é a mais importante, no minuto 8:30 — uma conversa com Heather MacDonald do Manhattan Institute. A opinião desta senhora é exactamente a mesma expressa por Catherine Deneuve e que (alegadamente) o Henrique Raposo diz que decorre da Revolução Sexual pós-moderna.

  • “Homens e mulheres são diferentes, não se trata de construções sociais”: têm biologias diferentes e libidos distintos.
  • Antes da Revolução Sexual (antes de 1968, nomeadamente), tínhamos um conjunto de normas que condicionavam e reprimiam a libido do macho — normas (culturais) de cavalheirismo e de cortesia, e as mulheres tinham, por definição cultural, o poder primordial de dizer “não” e, por isso, não tinham que negociar com o homem o relacionamento sexual.

A Revolução Sexual acabou com essa cultura, e decidiu que os homens e mulheres são iguais, e é isto que o Henrique Raposo parece não ter compreendido, talvez porque só tem filhas.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O feminismo é a-científico: não reconhece nexo causal

 

Uma gaja que dá pelo nome de Paula Cosme Pinto escreve contra a “objectivação da mulher”, ou seja, contra o simbolismo cultural que transforma a mulher em um objecto sexual desprovido de dignidade intrínseca.

mulheres-vintage-webMas, no mesmo texto, a referida gaja escreve isto:

“Que fique claro, não estou com isto a dizer que uma mulher em lingerie não é um exemplo de força ou poder. E também nada, mesmo nada contra sensualidade e erotismo, mulheres com a carne que bem lhe apetece e agrada à mostra e demonstrações de liberdade sexual, bem pelo contrário. Mas, por favor, não nos resumam a isso. Convenhamos: há ou não há maneiras tão menos pornificadas de mostrar a força feminina?”

Ou seja, o nexo de causalidade cultural — que deu lugar à objectivação progressiva da mulher ao longo das últimas décadas — não se questiona: a gaja não coloca em causa a Revolução Sexual e marxista cultural que está na origem da generalização do símbolo da “mulher-objecto”; e, simultaneamente, a gaja critica as consequências da Revolução Sexual que ela não coloca em causa.

Seria como se a gaja apanhasse uma bebedeira e depois, no dia seguinte, culpasse o vizinho do lado pelo barulhos que lhe acentuassem a ressaca. Para a gaja, a culpa da ressaca não tem nada a ver com a bebedeira: a ressaca da gaja é (alegadamente) causada pelo vizinho que se peida ostensivamente e fala em voz alta.


casamento-catolico-sofia-loren-web

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A revolução sexual e a libertação da mulher

 

Este anúncio publicitário abaixo reflecte fielmente o corolário da “revolução sexual” e da “libertação” da mulher no século XXI: um grupo de homens viola uma mulher. A “revolução sexual” é sinónimo de cultura da barbárie e a “libertação da mulher” é exactamente o seu oposto.

dolce-e-gabbana-web

Não adianta às feministas berrar, porque estava escrito nas estrelas que o corolário seria este: o conceito de “libertação da mulher” foi essencialmente criado por homens e seguido por mulheres estúpidas criteriosamente colocadas na ribalta cultural e social pelo intelectualismo masculino do século XX.  Por exemplo, a alegada independência ideológica de Simone de Beauvoir em relação a Jean-Paul Sartre é puro sofisma: na essência, ela pensou como ele queria que ela pensasse.

O meu desprezo pelo feminismo é essencialmente o desprezo pela burrice que não é apanágio da mulher mas também dos homens.

domingo, 11 de maio de 2014

A dissonância cognitiva da Raquel Varela

 

Por estes dias tenho andado a seguir o blogue da Raquel Varela. Estas coisas passam; daqui a uns dias não é nada, nem se nota. Por exemplo, neste verbete podemos verificar a dissonância cognitiva da Raquel Varela em relação à revolução sexual: por um lado, critica o Estado Novo por alegadamente ter proibido a divulgação de livros de “sexo e de amor”; mas, por outro lado, critica a Casa dos Segredos por transformar o “sexo e o amor” naquilo que é o corolário do império da liberdade negativa nos costumes: a libertinagem.

Eu não sei se Salazar proibiu a publicação de Cardoso Pires (como diz a Raquel Varela) apenas pelos seus livros de “sexo e amor”; parece-me que houve outras razões por que Salazar proibiu a publicação de Cardoso Pires. De resto, Natália Correia, por exemplo, publicou poemas eróticos no tempo de Salazar, e não me consta que tivessem sido proibidos. O problema de Salazar com Cardoso Pires não era o do “sexo e do amor” (antes fosse!): era antes um problema político fundamental que abarcava tudo (incluindo “o sexo e o amor”).

Tal como acontece, por exemplo, com Manuel Alegre, Raquel Varela confunde “conservadorismo” com “neoliberalismo” (ver ligação sobre a diferença entre os dois conceitos). O que se passa hoje em Portugal não tem nada a ver com conservadorismo, mas antes tem tudo a ver com neoliberalismo.

Neste caso, a dissonância cognitiva da Raquel Varela consiste em não querer reconhecer que existe um nexo causal inexorável — científico, mesmo! — entre a liberdade negativa destituída de liberdade positiva, por um lado, e a libertinagem, por outro lado. Quando os dois tipos de liberdade (negativa e positiva) não andam a par um do outro; quando só a liberdade negativa é contemplada pela cultura das elites que controlam os me®dia e o Direito Positivo — a consequência lógica é a constituição de novos tipos de escravatura, mais sofisticados do que os antigos porque se alega agora que as pessoas escravizadas são maiores de idade e que, por isso, deram o seu consentimento. Entramos já no domínio da noção absurda de “escravatura moral consentida”, como se fosse possível que uma pessoa quebrasse voluntariamente o seu sentido de auto-conservação sem que isso implicasse a existência de uma qualquer anomalia mental, privada e colectiva.

E o que a Raquel Varela não quer reconhecer é que o que está acontecer agora já tinha sido profetizado e anunciado, de uma forma apologética, por Herbert Marcuse em particular, e pelos mentores da actual Esquerda que foram os membros da Escola de Frankfurt.

Face à realidade actual de mercantilização da dignidade humana, e quando essa realidade não se adequa àquilo que a Raquel Varela pensa que ela (a realidade) deveria ser em função das suas (dela) crenças, então ela entra em dissonância cognitiva que se caracteriza por uma sensação de desconforto perante os factos.

E para obviar a esta situação, a Raquel Varela vê um “conservadorismo” em Portugal que não existe de facto (longe disso!), e implicitamente culpa Salazar pela existência da Casa dos Segredos, da lei do novo negócio das "barriga de aluguer" que se prepara, da adopção de crianças por pares de invertidos que transforma as crianças em um instrumento de legitimação de um determinado estilo de vida esdrúxulo, o “divórcio unilateral e na hora” que atinge principalmente as mães, o aborto “à la gardaire” por pressão dos homens que prejudica gravemente as mulheres em geral, o casamento que deixou de ser uma instituição e que foi transformado em uma amizade consentida pela polícia. Mas disto, a Raquel Varela não fala para não alimentar ainda mais a sua dissonância cognitiva.

Tudo isto foi feito através um tácito acordo político mútuo entre pessoas como Raquel Varela e os neoliberais: cada uma das partes beligerantes está convencida de que o movimento dialéctico de síntese trará um futuro que corrobore as suas mundividências e as suas crenças políticas. Ambos os lados da contenda optaram por uma política de terra queimada na cultura antropológica, para ver quem melhor sobreviverá quando a miséria moral grassar pela sociedade.