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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Os me®dia e o Sistema já condenam o debate de ideias


Não é por acaso que o radical trotskista Daniel Oliveira se sente bem no semanário Expesso: aquilo é um fojo, um covil, guarida de malfeitores.

democracia perigosa henrique raposo web

Não tarda nada e veremos os me®dia a defender publicamente a legitimidade do regime de Putin. Já faltou mais.

“Demagogia” e “populismo” são os vocábulos que os ditos “democratas” de pacotilha empregam quando a democracia os assusta. A corrupção ideológica do sistema vigente atingiu um nível tal que se legitima agora o fim do debate político.

Na escola de Platão, a democracia repugnava porque (naquele tempo) esta negava a autonomia dos Valores — e não (como diz o idiota) por uma putativa ameaça à verdade.

Pelo menos desde Platão que os “intelectuais” defendem a ideia de que o povo deve ser governado discricionariamente por uma elite, e independentemente da vontade popular — não obstante Karl Popper ter bastamente demonstrado que, ao longo da História, os povos têm errado menos do que as elites governantes.

Defender a legitimidade racional da República de Platão só pode vir de um deficiente cognitivo do quilate do Henrique Raposo.

A retórica cultural substitui hoje a retórica patriótica, nas efusivas expectorações dos tontos como o Henrique Raposo. E partem sempre do princípio de que o povo é tonto.

Temos hoje uma classe social elitista (ruling class) que governa despoticamente de uma forma insidiosamente dissimulada, ao mesmo tempo que defende sub-repticiamente a construção política e social da ausência de classes sociais. Gente como o Henrique Raposo são os lacaios dessa ruling class.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

O Henrique Raposo é burrinho todos os dias


henrique raposo direita webO Henrique Raposo (o do semanário Espesso) olha para o Luís Montenegro e vê nele a “Direita conservadora”. Grande burro (o Raposo).

E olha para a Mariana Leitão e vê nela uma representante da Direita. Burro todos os dias.

E mais: o burrinho considera que o Bloco de Esquerda, que incentiva as mulheres a abortar e que despediu funcionárias grávidas e/ou a amamentar os filhos, é um partido de “Direita conservadora”.

Nunca vi tanta burrice agarrada aos neurónios de uma criatura. É uma burrice confrangedora.

Caro leitor: não seja burro como o Raposo: o PSD e a IL [Iniciativa Liberal] não são partidos da “Direita conservadora”. Não faça figuras tristes.

O único partido português legalizado que podemos dizer que é da “Direita conservadora”, é o CHEGA.

domingo, 3 de agosto de 2025

Henrique Raposo, um porco

Aqui no norte, a pior classificação ontológica que podemos atribuir a alguém é a de “porco” — já que “filho-de-puta”, por exemplo, é uma categorização corriqueira e de tal forma vulgarizada que se pode aplicar ao próprio que a utiliza; mas “porco” é epíteto ominoso; e pior do que “porco” é “grande porco” que corresponde ao estatuto ontológico do patrão do porco Henrique Raposo.



Comparar cerca de 5 mil nómadas digitais (no máximo) residentes em Portugal, por um lado, com cerca de 1 milhão de imigrantes ilegais, desqualificados e sem especialização (1 milhão no mínimo, porque há quem diga que são mais), por outro lado, só pode vir de um porco, sancionado por um grande porco.


Durante o século XVIII e todo o século XIX, principalmente, estabeleceu-se na cidade do Porto uma pequena comunidade inglesa que se dedicava principalmente à produção, armazenamento e comércio do vinho do Porto. Era uma comunidade que “vivia à margem — no sentido em que o porco Henrique Raposo classificou os nómadas digitais.

Os ingleses no Porto deram uma grande visibilidade internacional à cidade e a Portugal; porém, à comunidade inglesa foram concedidos alguns privilégios por parte do Poder político português, como, por exemplo, a possibilidade de os ingleses residentes elegerem um Juiz Conservador, pago pela Feitoria inglesa, que actuava como árbitro nas questões e disputas da comunidade inglesa. Ou seja, os ingleses tinham até uma justiça civil “à margem”. Este Juiz Conservador da Feitoria inglesa só desapareceu em 1848, por decreto do governo de Lisboa, mas manteve a presença de cidadãos ingleses no tribunal de júri.

Devemos julgar as pessoas pela sua produtividade e pela sua contribuição para o bem-comum: não devemos nivelar por baixo, como faz o porco Henrique Raposo apoiado pelo grande porco que é o patrão dele.

A prática da medicina deu um salto qualitativo com a presença da Feitoria inglesa no Porto, nomeadamente através da construção de um hospital inglês gerido com fundos privados, funcionando com as melhores práticas científicas da Europa de antanho, e que se colocou ao serviço da população portuense em geral, no tratamento das maleitas mais difíceis e complicadas. Médicos ingleses especializados, como por exemplo o dr Henry Jebb, foram cruciais no desenvolvimento da prática médica na cidade.

O escritor Júlio Dinis, que era médico e descendente de ingleses, escreveu, entre muitas outras, uma obra intitulada “Uma Família Inglesa”. O escritor Ramalho Ortigão que escreveu a obra “John Bull”, na “Epístola a Mister John Bull”, e nas “Farpas”, fala da comunidade inglesa no Porto.

O escritor Camilo Castelo Branco nunca escreveria a sua excelente obra sem a inspiração e presença da pequena comunidade inglesa no Porto. Tanto Camilo como Almeida Garrett abordaram a temática da comunidade inglesa no Porto, embora fossem ambos anti-britânicos.

Durante as invasões napoleónicas, a comunidade inglesa foi essencial, nomeadamente financiando o governador militar da cidade do Porto, o General Nicholas Trant (também este, inglês).

A Associação Comercial do Porto foi fundada pela Feitoria inglesa; o Banco Comercial do Porto, idem; a Companhia de Seguros Segurança foi uma das primeiras companhias de seguros do Porto, também fundada pelos ingleses.

Nos seus tempos livres, os ingleses dedicavam-se às artes, em especial à música, frequentavam as Óperas da cidade. No Verão, participavam em convívios informais depois do jantar, bem como em bailes e jantares mais formais. Os ingleses foram os pioneiros das excursões de barco no rio Douro.

Os ingleses criaram o Cricket and Lawn Tennis Club, o Oporto Boat Club, o Oporto Golf Club, o Sailor's Rest — e a Oporto British School que só podia ser frequentada por jovens com mais de seis anos filhos de pais britânicos, que também aprendiam a língua portuguesa. Se este exclusivismo acontecesse hoje, o porco Henrique Raposo tinha um chelique.

Esta pequena comunidade de ingleses na cidade do Porto foi de extrema importância para a internacionalização da economia local e nacional — por exemplo, fundando a filial portuense do London and Brazilian Bank Ltd e do Bank of London and South América. O barão Joseph James Forrester (que tem nome de rua na cidade) foi um dos grandes dinamizadores da economia do Porto.


Devemos julgar as pessoas pela sua produtividade e pela sua contribuição para o bem-comum: não devemos nivelar por baixo, como faz o porco Henrique Raposo apoiado pelo grande porco que é o patrão dele.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O Henrique Raposo anda a ver mal a “coisa”

 

“No entanto, meu caro, o problema central não é a rapariga. É o rapaz, é o homem. O problema não é o corpo vestido ou tapado da rapariga, é a cabeça do rapaz e do homem. No passado, nas sociedades ocidentais, as mulheres andavam tapadas, mas isso não impedia o abuso sistemático”.

Henrique Raposo


O Henrique Raposo faz uma confusão de tal forma que torna o texto dele ininteligível; é uma logomaquia acerca do fenómeno cultural feminista que é o #metoo .

Vejamos este vídeo do Tucker Carlson da Fox News:

 

Ao contrário do que parece, e ao contrário do que ele próprio diz, o Henrique Raposo segue o feminismo de quarta geração (que saiu da Revolução Sexual pós-moderna); e Catherine Deneuve segue o paradigma cultural vigente anterior aos pós-modernismo.

Nota bem: “seguir um paradigma” não é a mesma coisa que “voltar ao passado” — como parece implicitamente defender o Henrique Raposo. “Seguir um paradigma” é adoptar o conceito de Fernando Pessoa de “velhice do eterno novo”: as coisas podem ser novas dentro de um paradigma antigo.


O movimento #metoo é uma manifestação do feminismo radical americano, que é um liberalismo (“liberalismo” no sentido anglo-saxónico de “esquerdismo”), uma ode ao indivíduo que se emancipa das tradições e das estruturas colectivas: o feminismo americano é comunitarista (no sentido de “identitário”).

Mas quando o predador masculino vem dos países do sul e/ou dos países muçulmanos, o feminismo americano do #Metoo encontra todas as desculpas possíveis para os abusos sexuais, porque é um feminismo aliado às minorias raciais: feministas e minorias raciais combatem em conjunto o inimigo comum: o macho heterossexual branco.

Por isto é que o Henrique Raposo anda a ver mal a “coisa”.


A terceira parte do vídeo é a mais importante, no minuto 8:30 — uma conversa com Heather MacDonald do Manhattan Institute. A opinião desta senhora é exactamente a mesma expressa por Catherine Deneuve e que (alegadamente) o Henrique Raposo diz que decorre da Revolução Sexual pós-moderna.

  • “Homens e mulheres são diferentes, não se trata de construções sociais”: têm biologias diferentes e libidos distintos.
  • Antes da Revolução Sexual (antes de 1968, nomeadamente), tínhamos um conjunto de normas que condicionavam e reprimiam a libido do macho — normas (culturais) de cavalheirismo e de cortesia, e as mulheres tinham, por definição cultural, o poder primordial de dizer “não” e, por isso, não tinham que negociar com o homem o relacionamento sexual.

A Revolução Sexual acabou com essa cultura, e decidiu que os homens e mulheres são iguais, e é isto que o Henrique Raposo parece não ter compreendido, talvez porque só tem filhas.

sábado, 8 de outubro de 2016

O Henrique Raposo e o amor de pai

 

Eu já não compro novos livros publicados em Portugal; porque são escritos segundo o aborto ortográfico e eu não sou masoquista, e porque, em geral, a qualidade do que se escreve hoje é baixa. A julgar pela amostra do novo livro “Nós, os Pais”, escrita pelo Henrique Raposo:

“(...) não percebo aquelas pessoas que dizem que sentem logo empatia com os filhos acabados de nascer; não entendo a conversa sobre o encaixe perfeito logo no primeiro segundo, do amor imediato por aquelas criaturinhas, do choro comovido no parto (…)

¿O que move um ser humano — que não é religioso!; e que não espera nenhuma vida eterna —, por exemplo, a irromper em uma casa em chamas, a fim de salvar uma criança desconhecida que chora?


Em 1982 correu pelo mundo uma história que incomoda não só qualquer sociobiólogo, como um qualquer colaborador do blogue Rerum Natura.

air-floridaArland Williams, um homem na casa dos 40, revisor de um Banco em Washington, ia a caminho de casa em um fim de tarde; e no momento em que chegou à ponte que atravessa o rio Potomac na rua 14, ele ouviu, de repente, o barulho ensurdecedor de um grande avião que passou por cima da ponte e caiu no rio gelado, projectando destroços e corpos humanos.

Das 84 pessoas a bordo do voo da Air Florida, 79 morreram imediatamente. Mas a tripulação de um helicóptero de salvamento, que chegou pouco tempo depois, viu três mulheres e dois homens agarrados a um destroço de flutuava na água, e, muito perto deles, um outro homem que procurava manter-se à tona da água : este agarrou a corda que o helicóptero fez descer e deu-a à mulher que estava a seu lado. Quando o helicóptero regressou, voltou a dar a corda a outro homem; esta cena repetiu-se tantas vezes até que apenas restava salvar este homem que nadava; mas quando o helicóptero regressou, Arland Williams tinha desaparecido na água gelada.

¿O que levou o bancário Arland Williams a saltar para a água gelada e ajudar as vítimas da queda do avião? Ele tinha-se divorciado já há algum tempo, mas estava novamente noivo e iria casar-se em breve. ¿O que é que Arland Williams ganhou em saltar para a água?


Este tipo de comportamento extremo — do tipo de Arland Williams — não é raro. Nos Estados Unidos existe um ramo da psicologia que investiga os fenómenos de altruísmo. Podemos definir o altruísmo da seguinte forma:

O altruísmo é um comportamento em prol dos outros, associado a sacrifícios próprios, realizado sem expectativa de uma recompensa proveniente de fontes externas, ou, pelo menos, não realizado, em primeiro lugar, por causa de uma tal expectativa.

O conhecido psicólogo Morton Hunt, ateu inveterado, escreveu: “Até agora, é simplesmente desconhecido o que leva heróis impulsivos a arriscarem a sua vida por pessoas estranhas; a investigação não oferece praticamente nada como resposta a esta questão”.

O que levou Arland Williams a saltar para o rio Potomac não foi algo de racional, não foi “um salto de confiança que se toma com os neurónios”, como diz o Henrique Raposo.

O sentimento normal de um pai em relação a um filho recém-nascido é da mesma índole do sentimento de Arland Williams que não pensou duas vezes antes de se atirar ao rio para salvar pessoas desconhecidas em situação objectiva e concreta de necessidade. É compaixão, que é uma forma superior de amor, o ágape: a existência (do ser humano, por exemplo, a do Henrique Raposo e da sua filha recém-nascida) antecede sempre a reflexão que ele possa fazer sobre ele próprio e sobre os outros, e a reflexão dele apenas consegue compreender características de um estado ou de uma situação já ultrapassados no tempo.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O liberal Henrique Raposo é contra os referendos

 

“Se a democracia directa é veneno, um referendo à Brexit é 605 forte, ideal para suicídios. E “suicídio” é mesmo a palavra certa. Para começar, é o suicídio da própria ideia de democracia. Impressiona ver como ninguém contesta um referendo que colocou 17 milhões contra 16 milhões, impressiona ver como a maioria das pessoas encara um decisão política como se estivéssemos perante um jogo de futebol, como se ganhar por um fosse suficiente para uma decisão desta magnitude, no fundo, impressiona ver a derrota silenciosa da democracia constitucional, representativa e liberal perante a barbárie da democracia directa. Isto não é democracia. Um referendo não é democracia.

Um referendo, sobretudo um referendo que aborda questões dramáticas como a secessão de uma confederação de estados, não é a democracia que desenvolvemos no Ocidente”.

Henrique Raposo

Muitas vezes fico espantado com os “liberais” que temos. Vejam como o Henrique Raposo confunde Democracia Directa, por um lado, com Democracia Participativa, por outro lado. Hoje, ser liberal é não confiar no povo; e se não confiam no povo, melhor seria que os liberais fossem coerentes e assumissem o absolutismo político.

Segundo o raciocínio do Henrique Raposo, o referendo do Brexit foi mau porque “colocou 17 milhões contra 16 milhões”; a) chegamos à conclusão de que a maldade do referendo está no seu resultado, e não no referendo em si mesmo: se o resultado do referendo fosse de 32 milhões contra 1 milhão, o Henrique Raposo já não teria problemas com o referendo do Brexit; b) mas, simultaneamente, o Henrique Raposo utiliza o resultado do referendo para criticar todos os referendos, entendidos em si mesmos.

Ficam algumas perguntas: ¿por que razão “o referendo não é democracia”? ¿O que é “a democracia que desenvolvemos no Ocidente”? O Henrique Raposo não dá respostas; a visão que ele tem da democracia é dogmática.

A teoria do Contrato Social foi inventada no século XVII (Hobbes, Locke) e no século XVIII (Rousseau). Não sei se o Henrique Raposo (e os liberais) se deu conta de que, há trezentos anos, não havia nem Internet nem globalização. Quem se atém religiosamente à doutrina clássica do Contrato Social não se actualizou: o mundo mudou, mas parece que continuamos a viver no século XVIII. O Contrato Social foi criado basicamente por três razões:

1/ combater a arbitrariedade do Poder;
2/ afirmar a ordem social como resultado de uma convenção (contra Aristóteles);
3/ combater o direito divino dos reis.

Hoje, em vez de combater “o direito divino dos reis”, o Contrato Social serve para combater o “direito divino da classe política”. E em tudo, os três pontos supracitados mantêm-se válidos: o que mudou são os meios e instrumentos da sua aplicação.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um Ensaio não é um Tratado

 

Eu não sou um defensor do Henrique Raposo, até porque não concordo com ele amiúde — ele é um liberal e eu sou conservador. Mas não posso concordar com a ideia vertida neste artigo acerca do Henrique Raposo e do seu ensaio (não se trata de um Tratado Antropológico!) “Alentejo Prometido”.

Desde logo, devemos criticar ideias, e não pessoas. Alegadamente, o Henrique Raposo é um “licenciado em morangos com açúcar” e, por isso, o ensaio dele não tem qualquer valor. O ataque ad Hominem revela a vacuidade intelectual de quem o profere: pode ser até muito bem escrito, mas há muito burro por aí que tem cuidado com a caligrafia.

Um ensaio é, por definição, uma composição literária curta sobre um assunto ou tema particular, normalmente em prosa e geralmente de natureza analítica, especulativa ou interpretativa.

Quem não se deu conta de que o opúsculo do Henrique Raposo é um ensaio, não pode ser outra coisa senão um ignaro — por muito bem que saiba escrever.

terça-feira, 15 de março de 2016

O José Riço Direitinho e a crítica a Henrique Raposo

 

O Henrique Raposo escreveu um ensaio acerca da cultura alentejana, mas um crítico (um tal JOSÉ RIÇO DIREITINHO) pensa que ele deveria ter escrito um tratado antropológico sobre o Alentejo.

Diz ele que se trata de um “retrato desfocado”, como se fosse possível fazer um “retrato focado” do Alentejo. E quando não gosta da mensagem do Henrique Raposo, tenta matar o mensageiro.

O Henrique Raposo quis dar uma noção do Alentejo; o Direitinho queria que o Henrique Raposo nos desse um conceito do Alentejo. Ora, uma noção não é um conceito. Sobre o Alentejo podemos escrever uma biblioteca inteira (conceito de Alentejo), com a certeza de que o retrato nunca fica completo e “focado”. Ou seja, esta crítica é muito pobre.

Diz o Direitinho que o Henrique Raposo generaliza a partir das suas próprias experiências pessoais. Ou seja, o Direitinho pretendia que o Henrique Raposo abdicasse do seu juízo universal. O Direitinho acusa o Henrique Raposo de falácia da generalização ao mesmo tempo que usa a falácia de acidente.

Não é possível analisarmos qualquer coisa sem generalizarmos a partir da experiência.

A própria ciência generaliza, e de tal forma que as leis da gravidade são, em tese, aplicáveis em qualquer ponto do universo. Isto não significa que não possam haver, em teoria, mais ou menos excepções à regra: é claro que nem todos os alentejanos têm as características que o Henrique Raposo descreve no ensaio, e ele próprio chama à atenção para esse facto.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Já li o livro “Alentejo Prometido”, do Henrique Raposo

 

Não obstante ter sido escrito em língua crioula, comprei o Alentejo Prometido do Henrique Raposo. E comprei-o mais pela polémica que levantou ainda antes de ser publicado. O opúsculo custou a módica quantia de 3,50 Euros, mas poderia valer até 7 Euros se fosse escrito em português.

Posto isto, vamos ao livro. Trata-se de um ensaio. Li-o de um trago, enquanto o diabo esfrega um olho — o que é bom sinal.

sexta-feira, 11 de março de 2016

As excreções fisiológicas da Raquel Varela

 

Quando lemos o que a Raquel Varela escreve, ficamos com a ideia de que o conteúdo da escrita dela decorre de uma necessidade fisiológica urgente.

Por exemplo, a noção da Raquel Varela de “comportamento da maioria das pessoas nas redes sociais” é subjectiva — assim como a noção de urgência de uma descarga fisiológica é subjectiva.

Pelo facto de eu ser natural do Porto, por exemplo — e segundo a Raquel Varela —, não posso nem devo fazer uma qualquer crítica à cultura dos naturais do “Puerto, carago!”, porque, nesse caso, eu seria “racista”.

O conceito politicamente correcto da Raquel Varela de “estereótipo étnico” impele-a a chamar o Henrique Raposo de “racista”. Ficamos sem saber se a diarreia é só mental, ou se é psicossomática.
As excreções fisiológicas não se podem conter: expelem-se instintivamente, ao correr da pena e com um sorriso de alívio.

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quarta-feira, 2 de março de 2016

A Raquel Varela diz que o suicídio no Alentejo não tem nada a ver com a religião

 

A Raquel Varela é de opinião de que as ciências sociais são tão exactas quanto a biologia ou a matemática. Naturalmente que só nos resta rir da sua (dela) visão científica histriónica. Quando a sociologia, por exemplo, adopta estrita- e rigorosamente o método científico das ciências da natureza, a Raquel Varela só pode escrever disparates.

 

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Quando a Raquel Varela critica aqui o livro do Henrique Raposo acerca do Alentejo, ela parte do princípio de que o dito livro é científico (no sentido da ciência positiva das ciências da natureza). Ora, que eu saiba, o Henrique Raposo não é propriamente um cientista, nem penso que ele tenha escrito o livro para um qualquer peer review. Portanto, os pressupostos da Raquel Varela em relação à análise do livro de Henrique Raposo estão errados. Mas os burros são os outros…! 

A Raquel Varela tem pérolas deste tipo:

“O suicídio tem uma relação directa, não exclusiva, com o envelhecimento e também com a solidão”.

A interpolação do termo “não exclusiva” impede a necessidade de qualquer medição exacta. Ademais, o “envelhecimento” é um conceito objectivo, mas “solidão” é um conceito subjectivo. Seria semelhante se eu dissesse o seguinte:

“A sede tem uma relação directa, não exclusiva, com a necessidade de água no organismo e também com a vontade de beber”.

As estatísticas (nos Estados Unidos) dizem-nos, de facto, que 36 em 100.000 pessoas com mais de 75 anos, suicidam-se. Mas também dizem que 13 em cada 100.000 pessoas entre os 20 e 24 anos se suicidam. O que interessa saber é o peso percentual de cada um destes extractos etários em relação à população total do país; e se fizermos essas contas, ficamos a saber que a Raquel Varela não tem tanta razão quanto parece.

E, uma vez que a Raquel Varela fala de Durkheim, segundo este (e concordo!) a medida estatística tem o inconveniente de ser extrínseca aos fenómenos sociais — por outras palavras, a razão (a causa) desses fenómenos sociais “fica na sombra”, por assim dizer, do ponto de vista da análise estatística. O problema da explicação do fenómeno social permanece intacto, depois da estatística, porque “a sociabilidade não se encontra em parte nenhuma” [“A divisão do trabalho social”], e porque em vez de “sociabilidade” devemos falar de “solidariedade”.

A pergunta que Henrique Raposo faz é (também) a seguinte: “¿será que a solidariedade no Alentejo é do mesmo tipo de solidariedade que existe em Trás-os-Montes, por exemplo?”. É um facto (um dado da experiência) que não são do mesmo tipo. Trata-se de uma evidência. E, partir de uma evidência, Henrique Raposo parte para uma análise da cultura alentejana.

O que o Henrique Raposo faz no seu livro é uma análise cultural (filosofia: ética, cultural, metafísica) do alentejano, mas não uma análise sociológica (no sentido da sociologia). Na medida em que o Henrique Raposo faz juízos de valor — embora baseados em dados da experiência —, o livro não é científico propriamente dito. Mas a Raquel Varela faz juízos de valor em nome da “ciência”.

terça-feira, 1 de março de 2016

A necessidade dos mecanismos de democracia participativa

 

Os liberais portugueses vão-se dando conta da importância da “guerra cultural” traduzida, por exemplo, no caso da tentativa de proibição da publicação do livro do Henrique Raposo. Até há pouco tempo, os liberais consideravam as chamadas “questões fracturantes” como simples matéria de opinião; cheguei mesmo a ler no Blasfémias, escrito pelo João Miranda e a propósito do "casamento" gay, que a instituição do casamento deveria ser abolida porque se tratava de um assunto que diz respeito estritamente ao indivíduo e que o Estado não tinha nada a ver com isso.

Não é demais recordar Edgar Morin:

« (...) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

voteAntes de “arrotarem postas de pescada”, os liberais deveriam ter uma boa noção das ideias de Gramsci acerca da importância da cultura antropológica e das “questões fracturantes”. E deveriam defender a todo o custo os mecanismos de democracia participativa (referendos) em relação a essas questões.

Quando eu vejo os liberais a confraternizar canina- e afavelmente com radicais de esquerda em programas de televisão, evitando que todo o custo não ofender o politicamente correcto — como se a confrontação de ideias fosse um pecado original —, não admira que se comece a proibir a publicação de livros perfeitamente inócuos e apenas porque o autor é A ou B. Os radicais preocupam-se imenso com as figuras públicas, ou seja, as que têm acesso aos me®dia; vêem a política como uma matéria de elites, em que o povo não é tido nem achado.

Por outro lado, os Cunservadores em geral também são contra os referendos; não se dão conta de que estão a promover o radicalismo de Esquerda. Ou então, sabem que o fazem e colaboram na política de terra queimada, tentando extremar posições na esperança de uma conflagração política final.

O povo tem que ser responsabilizado pelas decisões políticas em áreas como a economia ou a cultura (costumes), para o mal ou para o bem. Há que correr o risco e dar a voz ao povo através de referendos, mesmo que a afluência às urnas seja pequena.

Há que combater a ideia politicamente correcta segundo a qual “os direitos individuais não são referendáveis” — ideia essa que é muito conveniente para a agenda totalitária dos radicais. Temos que ser radicais contra os radicais, defendendo a democracia participativa. E afirmar que a ideia de que “o povo é burro e ignorante e que, por isso, não pode ser ouvido em matérias de governança”, é característica de um novo tipo de totalitarismo que nos está paulatinamente a ser imposto.

Temos que criar, na sociedade portuguesa, um senso-comum (que não existe, porque a sociedade está, também ela, fracturada) que passe pela valorização dos mecanismos da democracia participativa.