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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Isabel Moreira, a dona da Constituição

 

Em Portugal há uma dona da Constituição: é a deputada socialista e “constitucionalista” Isabel Moreira. Ninguém se atreve a contestar qualquer “opinião” da Isabel Moreira acerca da Constituição — porque a Isabel Moreira não dá opiniões: dá ordens! No âmbito da Constituição, a Isabel Moreira ordena.

sábado, 15 de julho de 2017

O Carlos Fiolhais acredita na construção da União Europeia, e por isso questiona a democracia que é nacionalista por defeito

 

O Carlos Fiolhais cita aqui um texto de um tal Brennan que diz que é um “cientista político”. Começo a ler o texto, e desato a fazer perguntas: por exemplo,

¿o que é “um governo que produza melhores resultados”? ¿quais são os critérios que definem os “melhores resultados”? ¿o que são “formas de governo que afectam a virtude moral e intelectual dos cidadãos”? ¿o que é a “virtude moral”? ¿o que é a “virtude intelectual”?

Quando começamos a fazer perguntas, o texto do Brennan vai perdendo sentido. Aliás, o conceito de “cientista político” — ou “politólogo”, como está agora em moda — causa-me comichões no cérebro. Quando alguém se anuncia como “politólogo”, só sai “poli-tolo”.

Esta “coisa” da construção política supranacional e antidemocrática que é o leviatão da União Europeia tem levado cérebros lustrosos (como, por exemplo, o Carlos Fiolhais ou o Anselmo Borges, e sobretudo “coimbrinhas”) a pensar como outrora pensou Hobbes acerca do sistema político; como escreveu Bertrand Russell acerca de Hobbes:

“[Hobbes] tem graves defeitos, que não permitem pô-lo na primeira fila [dos filósofos]. Não suporta subtilezas e tem grande tendência para cortar o nó górdio. As suas soluções são lógicas mas pecam por omissão de factos não enquadráveis”.

Esta descrição de Hobbes poderia aplicar-se ao “politólogo” Brennan. E se o Bertrand Russell disse isto de um seu compatriota, imaginem o que ele diria de Rousseau que, na linha de Hobbes, inventou o conceito de "Vontade Geral  que está na base dos totalitarismos do século XX que o Brennan implicitamente defende, para gáudio dos intelectualóides de urinol “europeístas” da nossa praça.

O problema da análise política começou há mais de 2 mil anos com Platão, que fez a seguinte pergunta:

“¿Quem deve governar?”

O corolário histórico desta pergunta gerou duas posturas políticas distintas com o advento da Idade Clássica: a do romântico Rousseau, com a sua "Vontade Geral", por um lado; e por outro lado a do empirista John Locke.

De Rousseau e da sua "Vontade Geral" herdamos, por exemplo, o Salazarismo e/ou o Partido Comunista Português, ou/e o Bloco de Esquerda; de John Locke herdamos a ideia da democracia britânica ou/e da Constituição Americana com a sua primeira emenda.

Os cabrões ideológicos da laia do Brennan — que estão literalmente a soldo da plutocracia globalista — fazem de conta que a manipulação política supranacional (ou, por outras palavras, a corrupção política proveniente da estranja) através do poder do dinheiro não tem qualquer influência na abstenção política dos votantes.

Ou seja, os sofistas pós-modernos, a soldo da plutocracia internacional, fazem de conta que o poder da economia financeira globalista, que se exerce sobre o poder político nacional, não existe.

E toda a retórica do Brennan é baseada na ideia de que não existe qualquer poder do dinheiro que se sobreponha a um qualquer poder político, por um lado; e por outro lado, baseia-se na na ideia de “nação” como uma “entidade metafísica” que, enquanto tal, está obsoleta face à ciência política (leia-se, “cientificismo paradigmático”) em voga (e em vaga) que já aboliu as entidades metafisicas — estupidamente fazendo de conta de que uma qualquer negação da metafísica também não é, ela própria, uma forma de metafisica.

Segundo o princípio de Pareto, 20% dos cidadãos são mais activos politicamente do que 80% deles.

Mas isso não significa que seja legítimo retirar a priori os direitos políticos dos 80% menos activos politicamente — como defende o Brennan e outros filhos da puta da nossa praça e em nome da construção do leviatão europeu, inserida em uma política globalista de sinificação das regiões do globo.

Verificamos, através das ideias do Brennan, como o libertarianismo pode ser uma forma de fascismo.

¿Quem deve governar?

Karl Popper — na linha de John Locke — deu-nos a resposta: para evitar recorrentes guerras civis e constante derramamento de sangue, deve governar quem o povo elegeu a cada período eleitoral — mesmo que os 20% do princípio de Pareto sejam mais activos do que a maioria do povo.

E, para além do problema de ¿quem deve governar?, as eleições baseiam-se na nação que tem que ter um escol que não se confunde com o povo, e nem se confunde necessariamente com os 20% a que o Brennan chama de “hooligans”.

Sem nação, não há democracia.

Por isso é que, cada vez mais, vemos manifestações contra a democracia por parte das luminárias que defendem a construção do leviatão da União Europeia — como por exemplo, o Paulo Rangel, o Anselmo Borges ou o Carlos Fiolhais; tudo gente pouco recomendável.

terça-feira, 1 de março de 2016

A necessidade dos mecanismos de democracia participativa

 

Os liberais portugueses vão-se dando conta da importância da “guerra cultural” traduzida, por exemplo, no caso da tentativa de proibição da publicação do livro do Henrique Raposo. Até há pouco tempo, os liberais consideravam as chamadas “questões fracturantes” como simples matéria de opinião; cheguei mesmo a ler no Blasfémias, escrito pelo João Miranda e a propósito do "casamento" gay, que a instituição do casamento deveria ser abolida porque se tratava de um assunto que diz respeito estritamente ao indivíduo e que o Estado não tinha nada a ver com isso.

Não é demais recordar Edgar Morin:

« (...) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »

voteAntes de “arrotarem postas de pescada”, os liberais deveriam ter uma boa noção das ideias de Gramsci acerca da importância da cultura antropológica e das “questões fracturantes”. E deveriam defender a todo o custo os mecanismos de democracia participativa (referendos) em relação a essas questões.

Quando eu vejo os liberais a confraternizar canina- e afavelmente com radicais de esquerda em programas de televisão, evitando que todo o custo não ofender o politicamente correcto — como se a confrontação de ideias fosse um pecado original —, não admira que se comece a proibir a publicação de livros perfeitamente inócuos e apenas porque o autor é A ou B. Os radicais preocupam-se imenso com as figuras públicas, ou seja, as que têm acesso aos me®dia; vêem a política como uma matéria de elites, em que o povo não é tido nem achado.

Por outro lado, os Cunservadores em geral também são contra os referendos; não se dão conta de que estão a promover o radicalismo de Esquerda. Ou então, sabem que o fazem e colaboram na política de terra queimada, tentando extremar posições na esperança de uma conflagração política final.

O povo tem que ser responsabilizado pelas decisões políticas em áreas como a economia ou a cultura (costumes), para o mal ou para o bem. Há que correr o risco e dar a voz ao povo através de referendos, mesmo que a afluência às urnas seja pequena.

Há que combater a ideia politicamente correcta segundo a qual “os direitos individuais não são referendáveis” — ideia essa que é muito conveniente para a agenda totalitária dos radicais. Temos que ser radicais contra os radicais, defendendo a democracia participativa. E afirmar que a ideia de que “o povo é burro e ignorante e que, por isso, não pode ser ouvido em matérias de governança”, é característica de um novo tipo de totalitarismo que nos está paulatinamente a ser imposto.

Temos que criar, na sociedade portuguesa, um senso-comum (que não existe, porque a sociedade está, também ela, fracturada) que passe pela valorização dos mecanismos da democracia participativa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Não concordo com Bagão Félix acerca dos mecanismos referendários na democracia

 

“Populismo é o termo usado pelos democratas quando a democracia os assusta” (Nicolás Gómez Dávila). A pesporrência e a arrogância dos “donos da democracia”, instalados nas cadeiras dos me®dia da capital-do-império-que-já-não-existe, revela um medo em relação à democracia; e por isso inventaram um sistema em que a vontade popular é diferida e interpretada discricionariamente pela classe política e pela rulling class segundo o modelo da "Vontade Geral" de Rousseau.

A limitação (ou negação) dos mecanismos de democracia participativa retira a legitimidade da democracia representativa.

sábado, 5 de dezembro de 2015

A democracia representativa tem os dias contados

 

O principal problema da democracia representativa é o de que, uma vez aprovada uma lei estúpida e irracional, é quase impossível revogá-la — porque a sua revogação colocaria em causa, do ponto de vista simbólico na cultura antropológica, a própria noção de “democracia representativa”.

Quando a democracia representativa se afasta do bom-senso, vai-se alimentando do absurdo, até arrebentar.

Temos aqui uma notícia de exemplo: o governo de Obama aprovou uma lei segundo a qual as mulheres têm os mesmos papéis e funções de combate nas Forças Armadas americanas.

Ora, o bom-senso diz-nos que as mulheres e os homens não são iguais em teatro de guerra; mas aposto que nem os republicanos mais à direita irão revogar esta lei absurda, porque a sua revogação colocaria em causa o próprio sistema político.

Se a democracia representativa não for fortemente apoiada por mecanismos de democracia participativa, tem os dias contados (pelo menos na Europa).

sábado, 21 de novembro de 2015

O actual sistema político português não é democrático.

 

«A nossa civilização corre o risco de ficar submersa como a Grécia (Atenas) sob a extensão da democracia, de cair inteiramente nas mãos dos escravos, ou então de ficar como Roma — não nas mãos de imperadores filhos do acaso e da decadência, mas de grupos financeiros sem pátria, sem lar na inteligência, sem escrúpulos intelectuais e sem causa em Deus.

O único antídoto para isto é uma lenta aristocratização

→ Fernando Pessoa, 1920.


O actual sistema político português não é democrático.

A democracia representativa não concede o direito à classe política (entendida aqui no sentido de ruling class) de legislar arbitrariamente sob matérias de costumes, por exemplo, ou sobre questões éticas que estejam enraizadas na cultura antropológica portuguesa — a não ser que a classe política interprete a democracia como sendo constituída por uma total discricionariedade da classe política fundamentada no conceito abstracto de "Vontade Geral" (Rousseau).

Questões que pertencem ao fundamento da sociedade (no sentido da nação portuguesa), como por exemplo, os costumes, a imigração, as tradições da cultura antropológica, as instituições da família e do casamento, entre outras, só podem ser tratadas legal- e juridicamente através de alguns mecanismos próprios da democracia participativa (por exemplo, os referendos ou os plebiscitos).

¿Será possível que o sistema político actual se reforme a si mesmo? Resposta: não. Só através do exercício de uma força exterior ao sistema será possível mudá-lo (o teorema de Gödel aplicado à política).

Temos um sistema político em que os deputados são escolhidos pelos partidos políticos, e não directamente eleitos pelo povo. Toda a gente sabe — até os iletrados — que isto não é democracia.

Portugal está longe de ter uma democracia propriamente dita. Temos uma classe política (sancionada pelos me®dia e pela maçonaria que em parte a condiciona) que usurpou o Poder no sentido em que se serve do conceito de "Vontade Geral" para transformar a política em um mero meio de atingir os seus objectivos privados. Os fundamentais interesses do povo — enquanto nação em continuidade histórica — são ignorados pela classe política, sem excepção. A classe política dita “democrática” é presentista.

Alguém poderá argumentar do seguinte modo: “a classe política é (ou faz parte da) a actual aristocracia”.

O argumento é absolutamente falso, porque acontece que a aristocracia não é uma classe social, mas antes é uma colecção de indivíduos. Portanto, a classe política não constitui, em si mesma, uma aristocracia. O aristocrata, enquanto indivíduo, distingue-se da maioria popular em quase todos os graus, mas está unido ao povo através de um patriotismo arreigado e atávico. Existem em Portugal aristocratas (não têm que ser ricos e poderosos!) que têm muito pouco poder político e que, muitas vezes, são desprezados pelo Poder político dito “democrático”.


Um dos argumentos da classe política dita “democrática” contra a utilização de mecanismos da democracia participativa é o de que “o povo é burro ou ignorante”, e que, por isso, não pode tomar decisões complexas. Este argumento, que vem essencialmente da Esquerda, é absolutamente reaccionário, como demonstrarei a seguir.

Nos século XVIII e XIX, constatou-se que o problema da pobreza (por exemplo, com a praga da batata, na Irlanda) era insolúvel sem a participação dos pobres, e que havia que despertar, em primeiro lugar, o desejo e a vontade dos pobres em melhorar a sua situação para se conseguir a sua colaboração. Esta perspectiva foi claramente formulada, por exemplo, por George Berkeley, Bispo de Cleyne (Irlanda) — trata-se daquelas verdades de que o marxismo se aproveitou e que distorceu, tornando-a irreconhecível pelo exagero.

De uma forma semelhante, a iliteracia política (a pobreza política da democracia representativa que temos) só poderá ser combatida com a participação directa do povo nas decisões políticas fundamentais que despertará, com a passagem do tempo, o desejo e a vontade do povo (entendido como um conjunto de indivíduos) em melhorar o sistema político e erradicar a pobreza política imposta pela actual classe política.

Ora, na medida em que o actual sistema político não é reformável por si mesmo, caberá às Forças Armadas impôr essa reforma do sistema político.

E a intervenção das Forças Armadas é uma questão de tempo: não para acabar com a democracia, mas antes para a reformular no sentido da valorização dos mecanismos da democracia participativa, por um lado, e para criar sistemas institucionais que conduzam a uma “lenta aristocratização” na sociedade portuguesa — ou seja, a criação de uma aristodemocracia

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Não existe democracia no Reino Unido

 

O partido UKIP (United Kingdom Independent Party) teve 5 milhões de votos e 1 assento do parlamento; os socialistas do SNP tiveram 1,5 milhões de votos e 30 assentos.

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¿Isto é democracia?! Onde está a representação do povo?!

Na Era em que vivemos, caracterizada pela informática e pela cibernética, não há razão para não termos uma democracia directa. Naturalmente que os donos do sistema “democrático” — que de democrático só tem o nome — irão dizer que a democracia directa conduz à demagogia e ao populismo; mas demagogia e populismo são termos que os “democratas” utilizam quando a democracia os assusta.

Ou a democracia directa, ou então acabemos com esta “democracia”.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A democracia está moribunda


A democracia em Portugal tem sobrevivido relativamente bem até à  entrada no Euro à  custa daquilo a que Tocqueville chamou de “contrapesos do liberalismo político”: 1/ o associativismo ou poderes intermediários (sindicatos, organizações da sociedade civil, partidos políticos, etc.); 2/ a divisão de poderes (Montesquieu);  3/ a liberdade de imprensa.

Sem estes três pilares do liberalismo político, a democracia conduz a um despotismo “suave” do Estado. Ora, em Portugal estes três “contrapesos do liberalismo político” estão ameaçados:

1/ Praticamente não existem, hoje e em Portugal, organizações da sociedade civil que, mais ou menos, não dependam do Estado. Por exemplo, os sindicatos estão a ser esvaziados de gente, ou então passam a ser tutelados pelo Estado. O leviatão que se prepara ainda é pior do que o Estado Novo.

2/ A entropia do sistema de justiça foi intencionalmente provocada pela classe política “democrática”, como o prova o protesto de uma certa classe política maçónica pela prisão de José Sócrates: a justiça portuguesa foi construída pela classe política “democrática” e maçónica para não funcionar em relação aos poderosos, por um lado, e por outro  lado retira ao povo em geral a possibilidade de acesso aos tribunais mediante uma justiça cara e demorada. Um pobre em tribunal é anedota. Portanto, não podemos falar em uma verdadeira separação de poderes em Portugal: o poder está na maçonaria irregular.

3/ Resta a liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa depende da independência das organizações da sociedade civil em relação ao Estado, e da separação de poderes no Estado. Portanto, também a liberdade de imprensa está ameaçada.

O que está a “segurar as pontas” da pseudo-democracia portuguesa é a União Europeia, ou melhor dizendo, é a burocracia de Bruxelas e um certo “Poder anónimo”. Mas se a União Europeia espirra, Portugal apanha uma pneumonia grave. As coisas não estão bem na União Europeia:

“Europe is being swept by a wave of popular disenchantment and revolt against mainstream political parties and the European Union.

In 2007, a majority of Europeans - 52 per cent - trusted the EU. That trust has now fallen to 35 per cent.”

How the European dream is dying, state by state

Em suma: ou a democracia se regenera, a maçonaria é afastada da política sem representação legítima, a partidocracia é colocada seriamente em causa, a justiça é radicalmente reformada, o sistema eleitoral profundamente repensado — ou então o regime actual não dura mais de dez anos. Se você não acredita nisto, ria-se e chame-me de “louco”; os idiotas riem-se sempre da realidade; e “o louco é aquele que perdeu tudo excepto a razão” (G. K. Chesterton).

sábado, 14 de junho de 2014

Sobre a obrigatoriedade do voto

 

Vamos colocar o problema da “liberdade” em termos kantianos — embora eu não concorde totalmente com a visão de Kant acerca da “liberdade”; mas está na moda concordar com ele. Para Kant, a “liberdade” pode ser negativa e positiva (repare-se que é “e”, e não “ou”).

A liberdade negativa é aquela que consiste em não ser impedido de agir — a de não ser impedido por outrem naquilo que desejamos fazer, ou a liberdade de se exprimir sem censura. Em contraponto, a liberdade positiva é a liberdade do cidadão-legislador, segundo o princípio de autonomia de Kant, que consiste em tomar parte nas decisões políticas e públicas, e de co-exercer a autoridade em geral.

amish1/ À primeira vista, parece que a abstenção do acto de votar em eleições políticas é apenas uma expressão de liberdade negativa. Parece que o abstémio do voto desdenha a liberdade positiva. É o que o escriba do blogue Rerum Natura pretende dizer aqui.

Por exemplo, existem certas representações colectivas de determinadas comunidades, como por exemplo, entre os Hutteritas e/ou nos Menonitas (por exemplo, a comunidade Amish, nos Estados Unidos), que por motivos religiosos proíbem o voto (entre outras coisas). O escriba do Rerum Natura pode considerar que as pessoas dessas comunidades são estúpidas; mas isso é problema dele. Ele tem o direito de considerar que toda a gente é estúpida com sua (dele) excepção.

Obrigar o cidadão a votar (nem que “seja em branco”, como diz o escriba do Rerum Natura) é uma intrusão insuportável do Estado na vida privada e até íntima do cidadão entendido como pessoa — e não só enquanto indivíduo. O cidadão não é um número que apenas conta para as estatísticas: antes, é uma pessoa.

2/ Num sistema dito “democrático” como é o português, em que o cidadão não sabe em quem vota (não conhece sequer, muitas vezes, o político eleito pela sua circunscrição — com excepção das eleições autárquicas!), não é legítimo que se seja obrigado a votar. No sistema “democrático” português, obrigar o cidadão a votar seria um exercício de pura violência de Estado — porque o Estado português não é democrático propriamente dito. O sistema político português é uma oligarquia partidária, e não uma democracia.

3/ A abstenção é uma forma de participação política — embora negativa. Por isso, podemos dizer que a abstenção é também, até certo ponto, uma forma de liberdade positiva. De resto, não há uma diferença real entre a abstenção e o voto em branco ou o voto nulo: a diferença é apenas de categorização estatística, mas em política significa praticamente o mesmo.

Não devemos partir do princípio de que as pessoas não vão votar porque está a chover, ou porque foram para a praia. Pode haver gente que não vote por essas razões, mas seria um abuso generalizar.

Se a abstenção é grande, cabe ao sistema político reformar-se para cativar uma maior afluência às urnas de voto — mas nunca inverter o ónus da responsabilidade política, utilizando a força bruta do Estado sobre as pessoas e impondo aos cidadãos um sistema político caduco e que de “democrático” só tem o nome.

sexta-feira, 14 de março de 2014

É necessário um referendo acerca da adopção de crianças por pares de invertidos

 

O parlamento “chumbou” a proposta de lei do Partido Socialista de adopção de crianças por pares de invertidos. Mas não chega.

foi-cesarianaÉ preciso um referendo sobre esta — como outras — matérias. A classe política não tem o direito de tratar os portugueses como atrasados mentais. Aqui não há “águas mornas”: ou há democracia, ou não há.

O argumento segundo o qual “a democracia custa dinheiro” que fundamenta a recusa de referendos, justifica também a abolição da democracia.

Outro argumento é o de que “o povo português é burro e, por isso, não merece referendos” (por exemplo, o deputado do CDS/PP João Almeida), só revela a burrice de quem assim argumenta.

E um terceiro argumento é o de que “os direitos das minorias não se referendam” (toda a esquerda assume este argumento), como se a adopção de crianças por pares de invertidos fosse um “direito”, por um lado, e como se os interesses das minorias estivessem acima dos interesses de toda a sociedade, por outro lado.

A democracia fortalece-se com a tradição democrática. Com a tradição surgem leis “invisíveis”, que não estão escritas, que solidificam a prática democrática. A tradição democrática só se constrói com a participação do povo: quando uma casta política de iluminados pretende — através do conceito abstracto de "Vontade Geral" — substituir-se à vontade do povo expressa através do voto, o que normalmente acontece é a revogação da democracia.

Se um “referendo sai caro”, como dizem alguns, podem ser realizados dois referendos no mesmo dia — como acontece na Suíça. Há que olhar para a democracia participativa da Suíça! Há que reformar o sistema político/democrático português, porque se continuar como está, o risco de ser abolido é muito alto. A classe política portuguesa tem que se convencer do seguinte: ninguém conhece o futuro!, e mais vale prevenir do que remediar.