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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Os erros da “não-esquerda” continuam

 

O Bispo de Braga diz que os portugueses têm mais coisas importantes em que pensar em vez de estarem preocupados com a adopção de crianças por pares de invertidos. Ou seja, para o Bispo de Braga é uma questão de prioridade, e não de legitimidade, a discussão da adopção de crianças por pares de invertidos. Este erro já foi cometido  várias vezes pelos “conservadores” e a Esquerda radical ganhou sempre.

Não é uma questão de a adopção de crianças por pares de invertidos ser mais prioritária ou menos prioritária: a questão é que a adopção de crianças por pares de invertidos, para além de ir contra o interesse da criança, é um aberração cultural, mina os fundamentos culturais da família natural — e, por isso, mina o futuro da nossa sociedade —, serve apenas os interesses políticos dos adultos homossexuais, não é um direito natural gay mas antes é um privilégio, pretende tornar igual aquilo que não é nem nunca será igual, atenta contra o princípio de igualdade natural exarado na Constituição, e portanto nem sequer deve ser colocada a questão da adopção de crianças por pares de invertidos. Está fora de questão e ponto final. Por princípio não vamos discutir o absurdo.

Por outro  lado, D. Duarte Pio diz que o referendo sobre a adopção de crianças por pares de invertidos não deve existir e que o assunto deve ser entregue aos “técnicos”. Ora, D. Duarte Pio deve saber que os “técnicos” são maioritariamente da Esquerda radical — a começar pelo Júlio Machado Vaz. Ou seja, D. Duarte Pio parece concordar com a ideia de que se os “técnicos” decidirem — como decidirão certamente — que uma criança deve ser adoptada por dois gays, então a adopção é acertada. Não é preciso referendo.

A questão é a seguinte: ¿é absurdo referendar o absurdo?

Em princípio, é absurdo referendar o absurdo. Não faz sentido um referendo, por exemplo, em que o povo se pronuncie acerca dos direitos dos extraterrestres. Mas se houver uma elite política constituída maioritariamente por psicóticos que acredita que os extraterrestres têm direitos, então não devemos entregar aos “técnicos” controlados por essa elite a decisão sobre os putativos direitos dos extraterrestres. Neste caso impõe-se um referendo, como um mal menor — porque de outra forma, essa elite política psicótica imporia a toda a sociedade uma estimulação contraditória e o povo entraria paulatinamente em dissonância cognitiva.

Tanto o Bispo de Braga como D. Duarte Pio assumem posições politicamente correctas. É lamentável. É assim que o radicalismo psicótico de Esquerda vai ganhando terreno.

domingo, 16 de março de 2014

Confusão de alhos com bugalhos

 

Deve haver gente em Portugal que se quer suicidar. É um facto. E sendo um facto, o blogue Estado Sentido deve pensar que deve haver uma lei da eutanásia “à La Carte” e “à vontade do cliente”. Porque é um facto social.

Segundo o raciocínio do escriba, qualquer facto social ou cultural justifica uma lei que o regulamente. Por exemplo, se existirem relações polígamas entre a comunidade muçulmana portuguesa (é um facto!), o Estado Sentido defende a legalização da poligamia — “porque é uma realidade!, e devemos olhar para a realidade!”. Segundo o Estado Sentido, o facto cria o Direito.

sexta-feira, 14 de março de 2014

É necessário um referendo acerca da adopção de crianças por pares de invertidos

 

O parlamento “chumbou” a proposta de lei do Partido Socialista de adopção de crianças por pares de invertidos. Mas não chega.

foi-cesarianaÉ preciso um referendo sobre esta — como outras — matérias. A classe política não tem o direito de tratar os portugueses como atrasados mentais. Aqui não há “águas mornas”: ou há democracia, ou não há.

O argumento segundo o qual “a democracia custa dinheiro” que fundamenta a recusa de referendos, justifica também a abolição da democracia.

Outro argumento é o de que “o povo português é burro e, por isso, não merece referendos” (por exemplo, o deputado do CDS/PP João Almeida), só revela a burrice de quem assim argumenta.

E um terceiro argumento é o de que “os direitos das minorias não se referendam” (toda a esquerda assume este argumento), como se a adopção de crianças por pares de invertidos fosse um “direito”, por um lado, e como se os interesses das minorias estivessem acima dos interesses de toda a sociedade, por outro lado.

A democracia fortalece-se com a tradição democrática. Com a tradição surgem leis “invisíveis”, que não estão escritas, que solidificam a prática democrática. A tradição democrática só se constrói com a participação do povo: quando uma casta política de iluminados pretende — através do conceito abstracto de "Vontade Geral" — substituir-se à vontade do povo expressa através do voto, o que normalmente acontece é a revogação da democracia.

Se um “referendo sai caro”, como dizem alguns, podem ser realizados dois referendos no mesmo dia — como acontece na Suíça. Há que olhar para a democracia participativa da Suíça! Há que reformar o sistema político/democrático português, porque se continuar como está, o risco de ser abolido é muito alto. A classe política portuguesa tem que se convencer do seguinte: ninguém conhece o futuro!, e mais vale prevenir do que remediar.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A hipocrisia do CDS/PP na questão da adopção de crianças por pares de invertidos

 

“O CDS-PP disse hoje respeitar a decisão do Tribunal Constitucional, que 'chumbou' a proposta de referendo sobre adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo, e reiterou que "no actual contexto do país" não considera esta matéria prioritária.

"O CDS, como sempre, respeita as decisões do Tribunal Constitucional e mantém que no actual contexto de dificuldade do país a co-adopção não é uma prioridade", referiu, numa declaração escrita enviada à Lusa, o porta-voz do CDS, Filipe Lobo d' Ávila.

foi-cesarianaUma coisa que, alegadamente, não é prioritária, não significa necessariamente que não seja legítima. A prioridade de uma acção não condiciona necessariamente a sua putativa legitimidade. Ou seja, parece que, para o CDS/PP, a adopção de crianças por pares de invertidos não é prioritária, mas nada indica que não seja legítima. Para o CDS/PP, a adopção de crianças por pares de invertidos é uma questão de prioridade, e nada mais do que isso.

Eu sempre pensei que pelo facto de Paulo Portas ser homossexual, isso não influenciaria a linha política tradicional do CDS/PP. Enganei-me. Estamos sempre a aprender.

Até Bagão Félix alinhou pelo diapasão sodomita deste CDS/PP de Paulo Portas: segundo ele, “o Presidente da República fez muito bem” em pedir a fiscalização preventiva do documento, e agiu “como manda a Constituição”. Até porque, continuou, “não era uma questão de prioridade” visto que o referendo “tinha sido aprovado apenas por um partido”.

Porém, a vergonha deste CDS/PP é exposta pelo constitucionalista Jorge Miranda, que dá o exemplo daquilo que este CDS/PP invertido deveria dizer:

O constitucionalista Jorge Miranda disse esta quarta-feira não ver inconstitucionalidade na proposta de referendo sobre a Co-adopção e adopção de crianças por casais homossexuais, que aguarda decisão do Tribunal Constitucional. "Inconstitucional não é. A Constituição diz quais são as matérias que não podem ser objecto de referendo e essa matéria não está excluída", disse Jorge Miranda em declarações à agência Lusa.

O professor reconhece que as perguntas que constam da proposta de consulta popular "são um pouco diferentes", mas mesmo assim considera que é sempre "possível responder 'sim' a uma e 'não' a outra". Sobre o facto de uma das perguntas propostas (sobre a adopção plena) não ter qualquer iniciativa legislativa associada, questão que várias vozes defendem poder suscitar dúvidas de constitucionalidade, Jorge Miranda sustentou que "não é necessário que tenha".

Ressalvando que "tem acompanhado pouco a questão", o professor da Faculdade de Direito de Lisboa, adiantou que resta aguardar pela decisão do Tribunal Constitucional. A proposta de referendo sobre esta matéria foi enviada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, ao Tribunal Constitucional, que se encontra a avaliar a constitucionalidade das duas perguntas contidas na proposta, uma sobre a Co-adopção e outra sobre a adopção plena de crianças por parte de casais do mesmo sexo. A proposta de referendo, apresentada pelo PSD, foi aprovada no Parlamento, com a abstenção do CDS-PP e os votos contra de PS, PCP, BE e PEV, há três semanas.”

Ainda hei-de ver este CDS/PP reduzido ao “partido da bicicleta”. Enganou meio mundo mas não engana o mundo inteiro.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Sobre o referendo anti-imigração da Suíça

 

1/ os referendos são mecanismos legítimos de aferição da vontade popular, e os resultados dos referendos devem ser respeitados. Embora não seja verdadeiro o conceito de Vox Populi Vox Dei — porque o povo também se engana —, a verdade é que podemos verificar, ao longo da História, que o povo, ainda assim, engana-se menos do que a elite.

2/ não é racional que a elite política da União Europeia critique o referendo suíço entendido em si mesmo, porque se existe alguém que pouco mais tem feito do que asneiras na política, é a própria elite política da União Europeia. Confundir alhos com bugalhos é próprio de estúpidos ou de demagogos.

referendo suiço3/ pelo facto de eu estar de acordo com a legitimidade democrática da instituição do referendo (neste caso, do referendo suíço), e pelo facto de eu respeitar o resultado do referendo suíço que restringe a imigração de países da União Europeia — isso não significa que eu esteja de acordo com o resultado do dito referendo. Uma coisa é o referendo, entendido enquanto tal; ou coisa, bem diferente, são os resultados dos muitos referendos que a Suíça já efectuou, em relação aos quais podemos ou não estar de acordo.

4/ a Suíça restringe a imigração de países da União Europeia porque esta tem uma política de abertura à imigração quase sem restrições de gente que vem de fora da União Europeia. Ou seja, a Suíça passaria a importar imigrantes de fora da União Europeia por intermédio da permissividade das leis da União Europeia no que diz respeito à imigração. Isto significa que o resultado do recente referendo suíço é também uma consequência da própria permissividade da União Europeia em matéria de imigração.

5/ a Suíça depende muito mais da União Europeia do que a União Europeia depende da Suíça — não só a nível económico e financeiro, mas também a outros níveis. Portanto, é de supôr que o resultado do recente referendo pode ser prejudicial à Suíça. Mas enquanto o povo suíço não decidir de outra forma através de um outro referendo proposto por um movimento de cidadãos, a decisão do povo suíço deve ser respeitada, mesmo que sejamos da opinião de que está errada.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A noção de identidade é inseparável da liberdade e da democracia

«La notion d’identité est inséparable de la liberté et de la démocratie. Elle fonde, contrairement à ce que la gauche essaie de faire croire, notre système de valeurs.

Comme l’a très bien montré Tocqueville, la priorité accordée à l’égalité dans l’évolution démocratique engendre une menace sur les libertés. Les prétendues « avancées » de l’égalité et de la « démocratie » sociale et sociétale constituent une menace pour la démocratie politique fondée sur la libre volonté des citoyens suffisamment indépendants du pouvoir pour faire de celui-ci l’expression de la volonté générale.

Les Suisses ne sont pas obsédés par l’égalité sociale, mais ils ont une égale liberté de choisir ce que la Suisse doit faire, lorsqu’ils participent aux référendums régulièrement organisés


Christian Vanneste

Esqueçam a democracia (2)

 

A democracia e os seus mecanismos (que inclui o referendo) dependem de uma tradição.

Ora, é a construção e aprofundamento dessa tradição que a actual classe política recusa ao povo. E como não existe tradição de referendos, o povo não participa neles; e como o povo não participa em referendos porque não existe uma tradição de referendos, a classe política vem dizer que não vale a pena fazer referendos. É uma pescadinha de rabo na boca que pretende justificar um despotismo iluminado da classe política. Por isso, é obrigação de qualquer português consciente combater esta classe política no seu todo.

Hoje existem uma classe política e elites diferentes das que existiam nas décadas de 1980 e 1990: já não existe debate livre e racional, porque as elites só não estão de acordo em assuntos de politiquice; e o desacordo em relação à politiquice serve apenas para “atirar areia para os olhos” do povo, tentando dar a impressão de que existem divergências de fundo quando o unanimismo maçónico impera.

A “democracia” que temos transformou-se em um farsa para além do tolerável, porque já não existe qualquer respeito tradicional pela discussão racional que conduz ao respeito tradicional pelo método do governo através do debate: hoje só se debate o “interesse” particular deste ou daquele partido, e quando se critica uma política do governo, quase nunca se apresentam alternativas. A democracia portuguesa está armadilhada.

Esqueçam a democracia!

 

O referendo à adopção de crianças por pares de invertidos tem sido posto em causa pela classe política em geral (incluindo o CDS/PP) e pelas elites em geral, com base em uma alegada estratégia de interesse por parte do Partido Social Democrata. Ou seja, não é o referendo em si mesmo que é discutido, mas a alegada estratégia política de um determinado partido que propôs o referendo.

Isto significa que a lógica do questionamento do referendo é o “interesse”. ¿Qual é o teu interesse?. Quando se coloca, em uma discussão sobre o que quer que seja, a pergunta ¿Qual é o teu interesse?, a discussão está minada — porque se desvia o foco da discussão da matéria em causa para a politiquice do “interesse”.


O que se está a passar em Portugal é que a democracia não serve para nada. Votar ou não votar dá no mesmo. O sistema político está montado para que as decisões políticas sejam, cada vez mais e em crescendo, tomadas pelas elites sem consulta popular. Note o leitor que a adopção de crianças por pares de invertidos não fez parte do programa de governo do Partido Social Democrata e do CDS/PP (e nem do Partido Socialista) — e, no entanto, a classe política (incluindo o CDS/PP) prepara-se para reduzir a democracia às decisões das elites.

Isto não é democracia: é uma aristocracia da mediocridade.

Outro argumento contra o referendo — qualquer referendo! — é o de que o povo português é burro — e portanto não vale a pena sensibilizá-lo para as questões referendáveis. O povo português só não é burro quando vota nos partidos políticos, mas logo que os votos são apurados, o povo volta a ser burro. E como o povo é burro, são as elites que decidem sem consultar o povo. O voto passou a ser uma espécie de “cheque em branco” dado pelo povo à classe política.


Portanto, esqueçamos a democracia! Devemos adoptar uma resistência passiva e uma outra activa.

A resistência passiva é a recusa da legitimidade deste regime de mediocridade aristocrata. Ou seja, não votar nunca, para nada. Abstenção total! Deixá-los governar com menos de 50% do total de votos. Torná-los fracos na sua legitimidade política, minar o próprio regime político através da nossa não-participação nele. Deixar a classe política em roda-livre, entregue a si mesma e em um sistema semi-despótico em crescendo, o que vai legitimar ainda mais nossa a oposição ao regime.

A resistência activa é a afirmação pública e publicada na negação do regime. Devemos tratar este regime como uma qualquer ditadura. Denunciar publicamente o despotismo iluminado da classe política (que controla os me®dia), mesmo que corramos o risco certo de sermos ostracizados e mesmo censurados.

A democracia não se negoceia: ou existe ou não existe. Se não existe, passa a valer tudo. Se vivemos em um sistema despótico cujos valores são ditados exclusivamente pela classe política, torna-se legítima qualquer acção para o derrubar.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Constituição e a figura do referendo

 

Artigo 115.º

(Referendo)

Os cidadãos eleitores recenseados no território nacional podem ser chamados a pronunciar-se directamente, a título vinculativo, através de referendo, por decisão do Presidente da República, mediante proposta da Assembleia da República ou do Governo, em matérias das respectivas competências, nos casos e nos termos previstos na Constituição e na lei.

O referendo pode ainda resultar da iniciativa de cidadãos dirigida à Assembleia da República, que será apresentada e apreciada nos termos e nos prazos fixados por lei.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A falácia libertária de esquerda

 

O chamado “liberalismo de esquerda”, ou “libertarismo de esquerda”, é uma forma de minar por dentro o liberalismo propriamente dito; é uma forma de anarquismo que já não utiliza bombas com pólvora, mas antes adoptou “bombas ideológicas” que pretendem atingir os princípios liberais da democracia.

Um indivíduo de esquerda (marxista, ou de influência ideológica marxista) não pode ser liberal ou libertário; o mais que pode ser é anarquista, que é coisa diferente.

Um certo povo citadino, principalmente de Lisboa, tem vindo a ser enganado por gente como Daniel Oliveira e o Bloco de Esquerda, e depois pelo Partido Socialista de José Sócrates e António José Seguro que “absorveu” o “libertarismo” do Bloco de Esquerda, e até já o Partido Comunista é “libertário” (!!) quando assume posições favoráveis ao "casamento" gay e à adopção de crianças por pares de invertidos (Álvaro Cunhal deve andar às voltas no túmulo).


O liberalismo (por exemplo, Karl Popper) e/ou o libertarismo (por exemplo, Ron Paul, nos Estados Unidos) não podem ser marxistas (ou de influência ideológica marxista) porque seria uma contradição em termos.

Se lermos Karl Popper, ele atribui à tradição o valor mais seguro do conhecimento e do saber, embora a tradição não possa ser considerada dogmática. Ou seja, podemos e devemos fazer uma análise crítica da tradição embora tendo em conta o facto de ela ser o elemento mais seguro do saber e do conhecimento. Portanto, um dos pilares do liberalismo é a tradição.

Outro pilar do liberalismo é a democracia e os seus instrumentos de validação (por exemplo, o referendo). Karl Popper é a favor dos referendos quando existem objectivamente dúvidas acerca da vontade do povo acerca de matérias nas esferas dos costumes e da tradição.

Um terceiro pilar do liberalismo propriamente dito é o “princípio da autonomia” de Kant, cujo corolário é o seguinte (nas palavras do próprio Karl Popper) : “não existe qualquer autoridade que se sobreponha à crítica, e a verdade está para além de toda a autoridade humana” — ou seja, a Verdade está em Deus. Se a verdade está em Deus, qualquer autoridade humana não se pode substituir a Deus, e, portanto, está sempre sujeita à crítica.


O que tem acontecido ultimamente é uma prostituição do liberalismo e da democracia, não só por parte de alguns militantes e deputados do Partido Social Democrata, mas também por parte de alguns “liberais” do CDS/PP que de liberais não têm nada (aliás, eles nem fazem ideia do que são). A posição do CDS/PP na votação do referendo foi vergonhosa, e a postura de Bagão Félix de ontem na SICn acerca do referendo foi lamentável.

Um certo anti-tradicionalismo radical por parte de pessoas que se afirmam “liberais” (como por exemplo o João Miguel Tavares) é uma contradição em termos — e faz parte dessa prostituição do liberalismo, o que revela que “vivemos numa época em que o irracionalismo voltou a estar na moda” (Karl Popper). Ser irracional, defender uma coisa e o seu oposto, ser metodologicamente incoerente, é hoje “coisa fina”.

O chamado “liberalismo de esquerda”, ou “libertarismo de esquerda”, é uma forma de minar por dentro o liberalismo propriamente dito; é uma forma de anarquismo que já não utiliza bombas com pólvora, mas antes adoptou “bombas ideológicas” que pretendem atingir os princípios liberais da democracia.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O João Miguel Tavares é liberal? Só se for de “liberal de Esquerda”, tipo Daniel Oliveira

 

O João Miranda escreve aqui um verbete (no seguimento destoutro, de João Miguel Tavares) que coloca o problema da separação ou divórcio de duas pessoas do mesmo sexo “casadas” e que teriam “co-adoptado” uma criança. Naturalmente que o lóbi político gay irá dizer que “também existem divórcios” nos casais naturais (homem e mulher) que tenham “co-adoptado” uma criança.

Portanto, é impossível abordar esta questão sem entrar nos comportamentos e nas idiossincrasias das pessoas, e numa certa sub-cultura especifica gay.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

D. Duarte Pio está mal aconselhado

 

Hoje parece estar na moda adoptar a estratégia de ambiguidade do papa Francisco I. Ora, a ambiguidade (ao contrário da ambivalência é que é do foro psicológico, e não devemos confundir “ambiguidade”, por um lado, com “ambivalência”, por outro lado) é uma forma de hipocrisia.

A posição manhosa de D. Duarte Pio acerca do referendo da adopção de crianças por pares de invertidos:

D. Duarte critica a aprovação recente, na Assembleia da República, da proposta para realização de um referendo sobre adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo. Para o Duque de Bragança, referendar não resolve nada. «A pergunta é ambígua, direi até propositadamente algo manhosa», disse ontem.

«O que é que nos deve preocupar? Os direitos dos adultos, que escolheram viver de determinada forma, ou os direitos das crianças?

Entendo que isso deve ser respondido por especialistas em educação, sociólogos ou psicólogos, pois são eles que nos podem dizer se os interesses das crianças estão ou não salvaguardados quando vão para uma família que não tem pai ou mãe. Infelizmente há muitas crianças institucionalizadas, sem pai nem mãe, mas entendo que esse assunto deve ser respondido por técnicos, pois o cidadão comum não tem dados científicos para tomar essa decisão», explicou.

(o texto foi corrigido para português correcto, devido a um problema de pós-literacia da escriba)

A opinião de D. Duarte Pio, transcrita acima, tem duas partes: a primeira é ética (¿o interesse da criança ou o interesse do adulto?), e a segunda é política (o argumento da ciência e dos “técnicos”), como se a ciência pudesse definir a ética (?!). Ou seja, a opinião de D. Duarte Pio é contraditória e bastaram algumas palavras para que a contradição dele se tornasse evidente.

Ou seja: é pena que ele não tenha, em seu redor, gente à altura das situações e que o aconselhe devidamente. E neste caso, talvez o melhor conselho é o de que ficasse calado.

Em primeiro lugar, as ciências sociais (ou as “ciências não-exactas”) não são exactas (passo a redundância). Penso que D. Duarte Pio sabe disto.

Em segundo lugar, as ciências, quaisquer sejam, utilizam a estatística, e esta é sempre baseada no passado (não há estatísticas baseadas no futuro). E sendo que as ciências sociais ou humanas não são exactas, o problema das estatísticas baseadas no passado torna-se mais agudo.

Em terceiro lugar, a maior parte das pessoas — incluindo alguns “cientistas” e/ou “técnicos” — não faz a mínima ideia da dificuldade que a matemática e a estatística têm em verdadeiramente provar uma hipótese ou uma teoria. E quando esta dificuldade é aplicada às ditas “ciências humanas”, o grau de dificuldade dispara em direcção ao infinito.

Em quarto lugar, não devemos confundir ciência, por um lado, com cientismo, por outro lado. A ciência procura a verdade, o cientismo é uma forma de fazer política.

Finalmente, uma citação de G. K. Chesterton:

“Sem a educação, encontramo-nos no horrível e mortal perigo de levar a sério as pessoas educadas.” — G. K. Chesterton (“The Illustrated London News”).

O elitismo traduzido nas palavras de D. Duarte Pio não se coaduna com a tradição monárquica anterior ao Absolutismo — aquela tradição das Cortes em que o povo era representado. Esse elitismo é mais consentâneo com o conceito de vontade geral de Rousseau, ou seja, é um elitismo anti-monárquico. Como bem constatou Karl Popper, ao longo da História o povo enganou-se menos vezes do que as elites — incluindo os reis. Portanto, vamos banir aquela coisa velha do “horrível cheiro a povo” que caracterizou uma certa monarquia que, em finais do século XVII, aboliu as Cortes no nosso país.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O inarrável deputado João Almeida

 

O deputado do CDS/PP, João Almeida, declarou ontem, em uma entrevista de televisão, que o povo português é estúpido e não tem capacidade para responder a um referendo acerca da adopção de crianças por parte de invertidos 1.

o estupido joao almeidaRecorde-se que o deputado João Almeida, que se diz de um partido de “inspiração cristã”, é a favor da eliminação da dupla linhagem hereditária (do pai e da mãe) das nossas crianças.

Eu diria que quem é estúpido, em primeiro lugar, é o deputado João Almeida, porque está num partido em relação ao qual desconhece os estatutos; em segundo lugar, é estúpida a direcção do CDS/PP porque não consegue detectar 2 o grupo de “submarinos políticos” que existem no CDS/PP e de que o deputado João Almeida faz parte. E é, de facto, estúpido quem vota no actual CDS/PP (pós-congresso). Penso que vou começar a ir mais vezes ao restaurante “Meta dos Leitões”, na Bairrada.

Enquanto o inarrável João Almeida for candidato pelo CDS/PP ao parlamento, este partido não terá o meu voto.


“Incapacitado” é o pai dele!, e assim nascem bastardos! E nada mais compreensível que um bastardo defender a proliferação dos da sua categoria.

Notas
1. não foi exactamente nestes termos, mas foi o que ele disse por outras palavras
2. talvez por causa das férias no Dubai .