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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A hipocrisia do CDS/PP na questão da adopção de crianças por pares de invertidos

 

“O CDS-PP disse hoje respeitar a decisão do Tribunal Constitucional, que 'chumbou' a proposta de referendo sobre adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo, e reiterou que "no actual contexto do país" não considera esta matéria prioritária.

"O CDS, como sempre, respeita as decisões do Tribunal Constitucional e mantém que no actual contexto de dificuldade do país a co-adopção não é uma prioridade", referiu, numa declaração escrita enviada à Lusa, o porta-voz do CDS, Filipe Lobo d' Ávila.

foi-cesarianaUma coisa que, alegadamente, não é prioritária, não significa necessariamente que não seja legítima. A prioridade de uma acção não condiciona necessariamente a sua putativa legitimidade. Ou seja, parece que, para o CDS/PP, a adopção de crianças por pares de invertidos não é prioritária, mas nada indica que não seja legítima. Para o CDS/PP, a adopção de crianças por pares de invertidos é uma questão de prioridade, e nada mais do que isso.

Eu sempre pensei que pelo facto de Paulo Portas ser homossexual, isso não influenciaria a linha política tradicional do CDS/PP. Enganei-me. Estamos sempre a aprender.

Até Bagão Félix alinhou pelo diapasão sodomita deste CDS/PP de Paulo Portas: segundo ele, “o Presidente da República fez muito bem” em pedir a fiscalização preventiva do documento, e agiu “como manda a Constituição”. Até porque, continuou, “não era uma questão de prioridade” visto que o referendo “tinha sido aprovado apenas por um partido”.

Porém, a vergonha deste CDS/PP é exposta pelo constitucionalista Jorge Miranda, que dá o exemplo daquilo que este CDS/PP invertido deveria dizer:

O constitucionalista Jorge Miranda disse esta quarta-feira não ver inconstitucionalidade na proposta de referendo sobre a Co-adopção e adopção de crianças por casais homossexuais, que aguarda decisão do Tribunal Constitucional. "Inconstitucional não é. A Constituição diz quais são as matérias que não podem ser objecto de referendo e essa matéria não está excluída", disse Jorge Miranda em declarações à agência Lusa.

O professor reconhece que as perguntas que constam da proposta de consulta popular "são um pouco diferentes", mas mesmo assim considera que é sempre "possível responder 'sim' a uma e 'não' a outra". Sobre o facto de uma das perguntas propostas (sobre a adopção plena) não ter qualquer iniciativa legislativa associada, questão que várias vozes defendem poder suscitar dúvidas de constitucionalidade, Jorge Miranda sustentou que "não é necessário que tenha".

Ressalvando que "tem acompanhado pouco a questão", o professor da Faculdade de Direito de Lisboa, adiantou que resta aguardar pela decisão do Tribunal Constitucional. A proposta de referendo sobre esta matéria foi enviada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, ao Tribunal Constitucional, que se encontra a avaliar a constitucionalidade das duas perguntas contidas na proposta, uma sobre a Co-adopção e outra sobre a adopção plena de crianças por parte de casais do mesmo sexo. A proposta de referendo, apresentada pelo PSD, foi aprovada no Parlamento, com a abstenção do CDS-PP e os votos contra de PS, PCP, BE e PEV, há três semanas.”

Ainda hei-de ver este CDS/PP reduzido ao “partido da bicicleta”. Enganou meio mundo mas não engana o mundo inteiro.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O silêncio dos defensores portugueses da eutanásia

 

A notícia segundo a qual a Bélgica legalizou a eutanásia para crianças sem qualquer limite de idade, foi recebida com um silêncio de morte por parte dos defensores portugueses da eutanásia, na sua maioria da esquerda maçónica, mas também do Bloco de Esquerda e de uma certa “direita” libertária. Não vi nada escrito sobre o assunto, e não sei explicar esse silêncio senão pelo total absurdo que a eutanásia de crianças implica.

bandeira belgaPerante os critérios de inimputabilidade moral e jurídica que o Direito contempla o estatuto da criança, estamos, atónitos, perante uma contradição fundamental que roça a irracionalidade mais abjecta: por um lado, as crianças não podem ser juridicamente e moralmente responsabilizadas se cometerem um acto de assassínio; mas, por outro lado, já podem ser juridicamente e moralmente responsáveis para decidirem a sua própria morte. O legislador belga não responsabiliza (integralmente) as crianças se estas atentarem contra a integridade física de outrem, por um lado; mas, por outro lado, dá às crianças liberdade total para atentarem contra a sua própria integridade física.

Como escreveu Christian Vanneste, a esquerda europeia e maçónica (com o beneplácito da “direita” libertária, acrescento eu) desistiu das reformas no âmbito da economia e passou à revolução da moral — nomeadamente através da inversão e perversão dos tabus tradicionais na esfera da família e da concepção da pessoa. Essa inversão, maçónica, esquerdista, alegadamente “libertária” e perversa, dos tabus, passa pela exaltação da autonomia individual mas sempre desprovida de qualquer culpa: é um sistema que permite a eutanásia de crianças inocentes de 12 anos, por exemplo, mas já não permite a punição da culpa de um adolescente de 17 anos.

Estamos a lidar com uma classe política perversa e próxima da “loucura” aqui entendida em termos do senso-comum. Esta gente é louca, e como tal deve ser tratada. Não devemos dar um “palmo de terreno” à maçonaria, por exemplo: essa gentalha deve ser combatida sem quartel e através de todos os meios considerados adequados.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A esquerda renunciou a ser reformadora social para ser revolucionária moral ( Christian Vanneste )

 

vanneste web«Il faut déconstruire les stéréotypes. Tel un leitmotiv, cette formule est devenue le slogan de l’idéologie de la gauche. Depuis que celle-ci a compris que sa politique économique condamnait sa politique sociale, elle se replie dangereusement sur les valeurs et les comportements.

Depuis qu’elle sait qu’en prétendant mieux répartir les richesses, on en produit surtout moins, la gauche a renoncé à être réformatrice sociale pour devenir révolutionnaire morale

La Chasse aux Stéréotypes, c’est du Totalitarisme !

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Petição de apoio à Santa Sé

 

A ONU tem vindo a atacar a Igreja Católica, exigindo que esta aceite o aborto e o ensino da promiscuidade sexual nas escolas. Assine a petição (em português) de apoio à Santa Sé, aqui.

defend Vatican at UN

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A União Europeia das engenharias sociais

 

“No sabemos lo que nos pasa, y eso es lo que pasa.” — Ortega y Gasset

Para as elites actuais, Ortega y Gasset foi uma espécie de burro; ao contrário do filósofo espanhol, as elites actuais não se consideram cegas, como estavam seguramente cegas as elites de 1937 a 1939. Não lhes passa pela cabeça que não sejam outra coisa que uma plêiade de iluminados prenhes de certezas. E é nisto que a História se repete: a memória dos povos é curta e as elites cometem sempre o mesmo tipo de erros, convencidos de que “sabem o que se passa”.

manif pour tousengenharias sociais que separam o homem, por um lado, da Natureza, por outro lado (e através da substituição da Ética pelo Direito Positivo), são produtos de convicções firmes das elites que destroem qualquer informação que as desminta — porque as elites têm a certeza de que “sabem o que se passa”. Como aconteceu na década de 1930, estamos hoje entregues a gente que tem a certeza absoluta da rectitude da sua acção política, e muitas vezes à revelia da vontade dos povos que nelas delegou o Poder através do voto.

Não adianta que os filósofos chamem à atenção para a necessidade de prudência na política: em vez disso, as elites tratam de erradicar a filosofia do ensino oficial, cortando o mal pela raiz — porque pensar é perigoso!; e porque as ideologias fazem explodir a razão e a informação, na medida em que a informação é endogenamente inimiga das ideologias. Tal como na década de 1930, hoje não há lugar para quaisquer dúvidas senão aquelas que incomodam as elites. Como dizia Lenine: “Os factos são teimosos”. E como os factos são teimosos, as elites que temos tratam de eliminar os “factos que teimam” em não se adequar à realidade delirante e psicótica por elas construída.

Voltamos ciclicamente à estaca zero. Todos os ensinamentos que retiramos do horror de uma época pretérita são esquecidos na época seguinte em nome de uma nova crença na possibilidade de um paraíso na Terra. O que muda é apenas a noção de “paraíso”, própria da moda coeva.

¿François Hollande tem legitimidade política para fazer o que está a fazer em França, acolitado pela elite maçónica e jacobina? É claro que não tem essa legitimidade. Mas faz o que faz, em nome do conceito abstracto de "Vontade Geral". Ele não foi eleito para criar um clima de terror cultural no seu país, mas não hesitou um segundo em optar pelo terrorismo em relação à cultura antropológica do seu povo. Estamos todos a lidar com gente muito perigosa.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

O Silêncio dos Culpados

 

«Durant ces jours, j'ai pensé amèrement que si les machinations diaboliques des idéologies et des systèmes totalitaires ont été brutalement imposées aux peuples, comme la majeure partie des peuples européens, qui avaient été mûris par des siècles d'une authentique et profonde éducation humaine et chrétienne; que si, malgré cela, les peuples ont subi cette violence, résistant de nombreuses fois dans leur conscience et dans de nombreux autres cas aussi dans l'expression de leur vie culturelle et sociale. Donc, si certains systèmes ont été imposés à l'époque, quelle résistance pourra-t-il y avoir à la dictature qui se prépare?


C'est une dictature des médias de masse, du politiquement et culturellement correct, qui trouve une tradition catholique ignorée par la majorité des jeunes, ignorée parce que la plupart de ceux qui auraient dû leur en parler ne l'ont pas fait d'une manière appropriée; elle trouve une trame de vie sociale extrêmement faible sur le plan personnel, sur le plan de la conscience humaine, sur le plan de la sensibilisation aux valeurs éthiques fondamentales; en somme, elle trouve un peuple qui se désintègre, qui risque de subir une dictature sans même la noblesse de l'opposition.»

-- La dictature avance. Dans le silence.

o silencio dos culpados web

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Béatrice Bourges: a heroína pela liberdade e contra o despotismo socialista de François Hollande

 

Béatrice Bourges está em greve de fome há cinco dias na praça Édouard Hériot, em Paris. A greve de fome de Béatrice Bourges tem como objectivo protestar contra as políticas culturais (na área dos costumes) e económicas do socialista e jacobino François Hollande.

printemps_beatrice_bourges

Na passada Segunda-feira, Béatrice Bourges foi interrogada (na via pública!) onze vezes pela polícia a mando do ditador François Hollande — segundo nos informa o GalliaWatch. Não satisfeitos com os interrogatórios sucessivos, a polícia social-fascista do jacobino François Hollande tentou privar Béatrice Bourges do sono, impedindo-a de dormir, para além de tentar privá-la de liberdade de movimento na via pública.

Na passada quinta-feira, Béatrice Bourges foi interrogada novamente pela polícia fascista do jacobino François Hollande, apesar da sua fraca condição física devido à greve de fome. Para evitar que ela fosse detida pela polícia neonazi e gayzista do maçon François Hollande, a família de Béatrice Bourges acabou por retirá-la da rua a pretexto de um exame médico.

Beatrice Bourges

¿Você já viu qualquer referência a Béatrice Bourges nos me®dia portugueses? Não viu nem virá! Voltamos ao tempo da clandestinidade imposta por um novo fascismo gayzista e maçónico.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A indigência intelectual da nossa classe política, e o preconceito

 

Reparem bem na linguagem utilizada pela assembleia da república em relação ao projecto de lei da chamada “co-adopção”:

“Nos últimos anos tem-se tornado cada vez mais claro o aumento do número de casais do mesmo sexo, casados ou unidos de facto, que constituem família e cujos filhos, biológicos ou adoptados, crescem num contexto familiar desprovido de protecção jurídica adequada.1

Com vista a dar uma resposta clara ao problema, o presente projecto de lei destina-se a oferecer um quadro jurídico mais seguro a situações residuais não solucionadas1 por institutos conhecidos como o da adopção. Não se trata, portanto, para já, de revisitar temas como o do alargamento do instituto da adopção a todas as pessoas 2, solução que, a bem da verdade, tudo incluiria, mas de atender a um olhar pragmático que as realidades familiares já existentes nos exigem.

Conscientes de que a adopção singular já é permitida, independentemente da orientação sexual do adoptante, mas já não a adopção conjunta por um casal do mesmo sexo, vedada pelo artigo 3º da Lei nº 9/2010, de 31 de Maio e pelo artigo 7º da lei 7/2001, de 11 de Maio, politicamente não é possível pôr termo a todos os resquícios de discriminações fundadas no preconceito 3 quanto à homossexualidade.”

Notas
1. Ou seja: segundo a assembleia da república, qualquer facto dita o Direito.
2. Fica claro que, para já, a adopção não é concedida a qualquer bicho careta, a qualquer par de gays, ou “famílias plurais” com três ou quatro ou mais adultos (poliamoria). “Para já”, ou seja, “por enquanto”.
3. Quando um projecto de lei da assembleia da república fala em “preconceito”, incorre em preconceito. ¿O que é “preconceito”?



¿O que é “preconceito”?

Todas as pessoas têm preconceitos. A maior parte dos preconceitos são teorias que se aceitam como evidentes: as pessoas recebem-nas do seu meio intelectual ou por via da tradição. Essas teorias só constituem “preconceitos” no sentido em que são defendidas sem qualquer verificação crítica, ainda que sejam de extrema importância para a acção prática e para a vida do homem.

Porém, quando uma teoria é submetida à análise crítica e racional, e ainda assim resiste a essa análise crítica mantendo-se válida, não pode de modo nenhum ser classificada de “preconceito” no sentido supracitado.

Dizer que existe “preconceito em relação à homossexualidade” na medida em que não se aceita a adopção de crianças por pares de invertidos, é em si mesmo preconceito, porque isso é afirmado sem qualquer verificação crítica, ainda que corresponda ao meio social em que se move a classe política lisboeta. Ou seja, quando se demonstra racionalmente que a adopção de crianças por pares de invertidos não pode ser positiva para a educação da crianças; e ainda assim esses argumentos racionais são classificados de “preconceitos”, estamos em presença do mais puro preconceito adoptado pela classe política em geral.

A verdade não pode ser concebida como expressão do espírito da época; trata-se de uma ideia hegeliana que não resiste minimamente à crítica (é um preconceito). Quem procure seriamente a verdade — tanto na ciência, como na ética (filosofia) — não segue modas: pelo contrário, desconfia das modas e combate-as! Ou seja, combate o preconceito da moda.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Daniel Sampaio e a “observação” utilitarista da vida

 

Daniel Sampaio é psiquiatra. Quando eu oiço, leio ou vejo um psiquiatra falar em Sócrates, o grego — aquele que dizia mas nunca escreveu que “só sei que nada sei, e nem mesmo isto sei” —, eriçam-me imediatamente os pêlos das costas (entre outros).

Se alguém houve, na História das Ideias, que não foi utilitarista, foi Sócrates (o grego! Nada de confusões!). E, por não ser utilitarista, Sócrates foi condenado à morte — por ter recusado o politicamente correcto do seu tempo. E é este homem grego, que pariu a maiêutica anti-utilitarista, que Daniel Sampaio invoca para justificar uma ética utilitarista da adopção de crianças por pares de invertidos...!

Para além desta tese desastrada de um “Sócrates utilitarista” — coisa nunca vista! —, Daniel Sampaio considera a adopção um “direito dos adoptantes”; mas ao mesmo tempo diz que não se trata de um problema jurídico!

Ora, todos nós sabemos que um adulto não tem “direito a uma criança” a não ser que seja o progenitor, e mesmo neste caso com muitas limitações éticas e jurídicas! Pelo contrário, é a criança adoptada que tem direito a uma família que deve ser, sempre que possível, análoga à de uma família natural (uma mãe e um pai).

Para o utilitarista Daniel Sampaio, “examinar a vida” é acomodar os factos da vida na ética (falácia naturalista). Se as crianças adoptadas não fazem parte do “maior número” da ética utilitarista, então devem ser consideradas um dano colateral.

Diz Daniel Sampaio que ninguém é detentor da verdade — ou seja, a verdade não existe. E como a verdade não existe, ele pensa que a verdade dele é melhor do que a verdade dos outros, o que é uma contradição em termos, porque se a verdade não existe, também ele não diz a verdade. Então ¿por que razão a opinião dele é melhor do que a dos outros? ¿Será porque ele “observa a vida” e os outros não?

Esta ideia de que ninguém é detentor da verdade é preocupante se vinda de alguém da área das ciências, porque a ideia de “erro” pressupõe a ideia de “verdade”. E se não há “verdade”, então não há “erro” — ou seja, Daniel Sampaio nunca erra.

Se admitirmos que o outro pode ter razão e que nós talvez nos tenhamos enganado, isso não significa que tudo depende apenas da perspectiva (o tal “examinar a vida” de Daniel Oliveira Sampaio), e que, como afirmam os sofistas do nosso tempo (que Sócrates combateu no tempo dele!), cada um tem razão do seu ponto de vista e não tem razão do ponto de vista de um outro.

Na criação de uma sociedade livre e pluralista, devemos assumir uma atitude que nos permita confrontarmo-nos com as nossas ideias sem nos tornarmos relativistas ou cépticos, e sem perdemos a coragem e a firmeza de lutarmos pelas nossas convicções. Porque a verdade existe.

E é verdade o seguinte: se existem crianças que, por desgraça da vida, não têm pai e/ou mãe, é um absurdo que se defenda que essa desgraça seja consagrada em lei, e que uma situação indesejável para a criança seja considerada desejável pela sociedade através da sua normalização no Direito Positivo.

A má consciência é ainda uma forma de consciência: é caso para dizer que o psiquiatra Daniel Sampaio precisa de ir ao psiquiatra Daniel Sampaio.

(ficheiro PDF)

A União Europeia, o Euro e a natalidade portuguesa

 

O Alexandre Homem de Cristo comete aqui um erro que é useiro e vezeiro por parte de uma certa “intelectualidade” ocidental (não é só portuguesa): a ideia segundo a qual a baixa taxa de natalidade está directamente ligada à economia.

O que eu vou dizer a seguir não pode ser provado, mas estou convencido de que se o ordenado mínimo nacional fosse neste momento de 5.000 Euros mensais e a taxa de desemprego fosse de 3 ou 4%, a taxa de natalidade portuguesa não aumentaria significativamente por isso. Aliás, temos o exemplo da Alemanha que demonstra o que eu quero dizer. Portanto, olhar para as “experiências internacionais”, como se sugere, não levará a nada, porque essas “experiências internacionais” — maioritariamente do Ocidente — serão apenas paliativos que “empurram” o problema demográfico lá mais para diante no tempo.

A evolução demográfica alemã tem-se salvado por causa dos imigrantes (maioritariamente islâmicos) que não deixam de se reproduzir. Mas, mesmo assim, a taxa de natalidade alemã está longe daquela que se verifica em França também graças aos imigrantes. Porém, os imigrantes de segunda geração tendem a seguir os valores da cultura dominante, o que significa que a taxa de natalidade actual na Alemanha e em França serão “sol de pouca dura”.

Portanto, a experiência diz-nos que a taxa de natalidade não é uma questão de dinheiro: o problema é outro, bem diferente, e de tal forma grave e complexo que nem quero falar dele aqui para não ser condenado à fogueira do politicamente correcto.

“Há uma enorme diferença entre a França e a Alemanha, quando 650 a 680 000 jovens que entram no mercado de trabalho na França, há menos de 350 mil na Alemanha. Calculamos que a taxa de desemprego seria se a Alemanha tivesse a mesma dinâmica populacional França: teria 1,5, 2.000,000 desempregados a mais. Alemanha pode-se dar ao luxo de ter uma política que só é bem sucedida no curto prazo, pois é uma população em declínio. No entanto, os países que tão diferentes como a Alemanha e a França em demografia, com uma taxa de fertilidade de 1,6 em comparação com 2,05 - que é uma grande diferença - são forçados pelo euro a terem a mesma política económica.”

A União Europeia está a caminho de uma guerra quando procurava a paz.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A falácia libertária de esquerda

 

O chamado “liberalismo de esquerda”, ou “libertarismo de esquerda”, é uma forma de minar por dentro o liberalismo propriamente dito; é uma forma de anarquismo que já não utiliza bombas com pólvora, mas antes adoptou “bombas ideológicas” que pretendem atingir os princípios liberais da democracia.

Um indivíduo de esquerda (marxista, ou de influência ideológica marxista) não pode ser liberal ou libertário; o mais que pode ser é anarquista, que é coisa diferente.

Um certo povo citadino, principalmente de Lisboa, tem vindo a ser enganado por gente como Daniel Oliveira e o Bloco de Esquerda, e depois pelo Partido Socialista de José Sócrates e António José Seguro que “absorveu” o “libertarismo” do Bloco de Esquerda, e até já o Partido Comunista é “libertário” (!!) quando assume posições favoráveis ao "casamento" gay e à adopção de crianças por pares de invertidos (Álvaro Cunhal deve andar às voltas no túmulo).


O liberalismo (por exemplo, Karl Popper) e/ou o libertarismo (por exemplo, Ron Paul, nos Estados Unidos) não podem ser marxistas (ou de influência ideológica marxista) porque seria uma contradição em termos.

Se lermos Karl Popper, ele atribui à tradição o valor mais seguro do conhecimento e do saber, embora a tradição não possa ser considerada dogmática. Ou seja, podemos e devemos fazer uma análise crítica da tradição embora tendo em conta o facto de ela ser o elemento mais seguro do saber e do conhecimento. Portanto, um dos pilares do liberalismo é a tradição.

Outro pilar do liberalismo é a democracia e os seus instrumentos de validação (por exemplo, o referendo). Karl Popper é a favor dos referendos quando existem objectivamente dúvidas acerca da vontade do povo acerca de matérias nas esferas dos costumes e da tradição.

Um terceiro pilar do liberalismo propriamente dito é o “princípio da autonomia” de Kant, cujo corolário é o seguinte (nas palavras do próprio Karl Popper) : “não existe qualquer autoridade que se sobreponha à crítica, e a verdade está para além de toda a autoridade humana” — ou seja, a Verdade está em Deus. Se a verdade está em Deus, qualquer autoridade humana não se pode substituir a Deus, e, portanto, está sempre sujeita à crítica.


O que tem acontecido ultimamente é uma prostituição do liberalismo e da democracia, não só por parte de alguns militantes e deputados do Partido Social Democrata, mas também por parte de alguns “liberais” do CDS/PP que de liberais não têm nada (aliás, eles nem fazem ideia do que são). A posição do CDS/PP na votação do referendo foi vergonhosa, e a postura de Bagão Félix de ontem na SICn acerca do referendo foi lamentável.

Um certo anti-tradicionalismo radical por parte de pessoas que se afirmam “liberais” (como por exemplo o João Miguel Tavares) é uma contradição em termos — e faz parte dessa prostituição do liberalismo, o que revela que “vivemos numa época em que o irracionalismo voltou a estar na moda” (Karl Popper). Ser irracional, defender uma coisa e o seu oposto, ser metodologicamente incoerente, é hoje “coisa fina”.

O chamado “liberalismo de esquerda”, ou “libertarismo de esquerda”, é uma forma de minar por dentro o liberalismo propriamente dito; é uma forma de anarquismo que já não utiliza bombas com pólvora, mas antes adoptou “bombas ideológicas” que pretendem atingir os princípios liberais da democracia.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Um direito desumano (Padre Gonçalo Portocarrero de Almada)

 

«Se se entende que duas pessoas do mesmo sexo podem ser dois bons 'pais' ou 'mães', porque não permitir que três ou mais indivíduos do mesmo sexo possam adoptar?!

No dia 17 de Maio de 2013, a Assembleia da República aprovou, na generalidade, a lei da co-adopção pelo parceiro do progenitor, em uniões de pessoas do mesmo sexo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Em França, a direita e a esquerda são “cooperantes”

 

hollande cooperanteVeio a notícia no The Telegraph que François Hollande partilhou a sua amante, Valerie Trierweiler, com o ministro “conservador” de Sarkozy, Patrick Devedjian. O The Telegraph não confirma, contudo, se chegou a haver “ménage a trois”.

«Francois Hollande "shared" his mistress Valerie Trierweiler with a minister from Nicolas Sarkozy's government in a Jules et Jim-style relationship, a new biography on France's first lady claims.»

À medida que Patrick Devedjian ia “perdendo a pedalada” em relação a Valerie Trierweiler, François Hollande ia-lhe “acertando o passo”. Mas, enquanto Patrick Devedjian ia “perdendo o fôlego” e François Hollande “se colocava por cima”, os três (incluindo Valerie Trierweiler) tinham outros parceiros e parceiras:

“All three had other partners at the time.”

Tudo isto ocorria enquanto Valerie Trierweiler ainda era casada com o seu marido (passo a redundância que se impõe): para além de ter o seu marido em casa, Valerie Trierweiler “dançava o tango” com Patrick Devedjian, “discutia política” com François Hollande, e ainda “she had other partners at the time”.

É esta elite que manda na União Europeia e que defende o "casamento" gay, a adopção de crianças por pares de invertidos, ou seja, passiones ignominiae, usum contra naturam et turpitudinem operantes (Romanos 1, 26-27).


“Os arroubos libertários acalmam-se finalmente com um pouco de fornicação promíscua”
— Nicolás Gómez Dávila

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A liberdade religiosa está a ser ameaçada pela aliança da direita com a esquerda

 

Este texto dá-nos uma visão breve do processo histórico recente que levou a colocar em causa a liberdade religiosa nos Estados Unidos. Um facto que é de extrema importância, e que eu chamo à vossa atenção, é o da aliança entre a direita neoliberal Goldman Sachs e a esquerda marxista cultural, no sentido da limitação e restrição da liberdade religiosa nos Estados Unidos. Ou seja: por razões diferentes, a direita Goldman Sachs e a esquerda marxista cultural estão de acordo no que respeita à limitação da liberdade religiosa.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Roger Scruton e o conceito de “Ordem”

 

«From the French revolution to the European Union, continental government has conceived itself in ‘top-down’ terms, as an association of wise, powerful or expert figures, who are in the business of creating social order through regulation and dictated law. The common law does not impose order but grows from it. If government is necessary, in the conservative view, it is in order to resolve the conflicts that arise when things are, for whatever reason, unsettled.»

Roger Scruton constata o óbvio: a preocupação excessiva com a “ordem” é um produto da Revolução Francesa e do alienado mental Augusto Comte. A ordem não é imposta pela lei, mas antes a lei emana da ordem previamente existente inerente à sociedade. Se a sociedade não está em ordem, não há lei que a possa impôr.

A ideia segundo a qual a ordem social pode ser imposta através do Direito Positivo deriva do conceito de “vontade geral” de Rousseau (que influenciou os “tradicionalistas” portugueses, tanto quanto influenciou a esquerda radical), que atribui a manutenção da ordem social a uma entidade abstracta (e elitista), mediante a promulgação de leis que afastam o Direito Positivo do Direito Natural.

«Until recently the conservative emphasis on civil society has led to an equal emphasis on the family as its heart. This emphasis has been thrown into disarray by the sexual revolution, by widespread divorce and out-of-wedlock birth, and by recent moves to accommodate the homosexual lifestyle. And those changes have to be absorbed and normalised. Ours is a tolerant society in which liberty is extended to a variety of religions, world views, and forms of domestic life. But liberty is threatened by licence: liberty is founded on personal responsibility and a respect for others, whereas licence is a way of exploiting others for purely personal gain. Liberty therefore depends on the values that protect individuals from chaotic personal lives and which cherish the integrity of the home in the face of the many threats to it.»

A ordem social depende de uma ética cujos valores devem ser universais, racionalmente fundamentados, intemporais, e facilmente identificáveis nas suas características principais. A tolerância não significa permissividade e licenciamento nos costumes; nem significa licença neoliberal, bovinotécnica e coelhista para fazer lucro a qualquer custo.

«Left-wing thinkers often caricature the conservative position as one that advocates the free market at all costs, introducing competition and the profit motive even into the most sacred precincts of communal life.

Adam Smith and David Hume made clear, however, that the market, which is the only known solution to the problem of economic co-ordination, itself depends upon the kind of moral order that arises from below, as people take responsibility for their lives, learn to honour their agreements and live in justice and charity with their neighbours. Our rights are also freedoms, and freedom makes sense only among people who are accountable to their neighbours for its misuse.»

roger-scruton-daguerre-webO liberalismo da escola escocesa de economia é hoje confundido com o neoliberalismo de Passos Coelho e da direita Goldman Sachs. O mercado, segundo os teóricos escoceses do século XVIII (e segundo a escola católica espanhola de economia do final do século XVI, por exemplo, Suárez) depende da ética e dos valores morais que emanam da tradição cristã do povo — o próprio capitalismo, como sistema de acumulação e investimento de riqueza, surgiu em um contexto de uma cultura cristã calvinista (Max Weber).

Em contraste, para a direita Goldman Sachs (influenciada pelo Marginalismo de finais do século XIX) e hayekiana, na economia vale tudo, até arrancar olhos. Na prática, o neoliberalismo renega o liberalismo clássico. É hoje normal confundir (por exemplo, entre os “tradicionalistas” portugueses) neoliberalismo e a direita Goldman Sachs, por um lado, com a escola escocesa de economia do século XVIII ou liberalismo clássico, por outro lado: esquecem-se que, por exemplo, Edmund Burke condenou a Revolução Francesa (e o seu conceito de “vontade geral”) mas apoiou os princípios económicos de Adam Smith que submetiam a economia à política (e não o contrário, como acontece hoje com o neoliberalismo da direita Goldman Sachs, que submete a política à economia globalista).