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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Não existe democracia no Reino Unido

 

O partido UKIP (United Kingdom Independent Party) teve 5 milhões de votos e 1 assento do parlamento; os socialistas do SNP tiveram 1,5 milhões de votos e 30 assentos.

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¿Isto é democracia?! Onde está a representação do povo?!

Na Era em que vivemos, caracterizada pela informática e pela cibernética, não há razão para não termos uma democracia directa. Naturalmente que os donos do sistema “democrático” — que de democrático só tem o nome — irão dizer que a democracia directa conduz à demagogia e ao populismo; mas demagogia e populismo são termos que os “democratas” utilizam quando a democracia os assusta.

Ou a democracia directa, ou então acabemos com esta “democracia”.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Daniel Oliveira: o paladino da democracia dos mandadores sem lei

 

O que mais me irrita no Daniel Oliveira não é o Daniel Oliveira: antes é o “tempo de antena” que lhe é dado pelos nossos me®dia medíocres. Digamos que a mediocridade é mútua e biunívoca: les bons esprits se rencontrent...


No ano de 2000, a Suíça ocupava a primeira posição, em uma lista de 42 países, sobre a capacidade de resiliência económica. E só em 2005 o tratado de Schengen foi referendado e aprovado na Suíça. E o Daniel Oliveira escreve isto, logo de entrada:

A Suíça ficou a ganhar com os vários acordos que tem com a União Europeia. O desemprego manteve-se baixo para a população em geral (3,4%) e para os suíços em particular (2%). Os salários cresceram 0,6% (mais do que antes dos acordos com a União). A economia cresceu acima da média europeia e mais de metade das exportações da Suíça vão, graças à abertura dos mercados, para a União. Ninguém no seu prefeito juízo põe em causa as vantagens deste país rico, livre dos constrangimentos do euro e dos tratados, cercado por estados membros, manter estes acordos com a União. Mas os referendos não definem políticas coerentes nem estratégias económicas. E recusam o cinzento de que resulta qualquer processo negocial.”

O Daniel Oliveira inverte a ordem cronológica dos factos históricos: ou seja, segundo ele, a Suíça já tinha beneficiado de Schengen (que é o que está em causa aqui) antes de ter adoptado Schengen! Depois disto, pouco mais há a dizer acerca do textículo.

daniel oliveira dark vader[4]Gentalha como o Daniel Oliveira confunde propositadamente o conceito de “democracia directa” — tal qual era entendida na Atenas grega, o que é objectivamente impossível nas sociedades modernas com milhões de habitantes —, por um lado, com “democracia participativa”, por outro lado, em que existem pacificamente mecanismos referendários no interior de uma democracia representativa. Burros como o Daniel Oliveira confundem sistematicamente “legalidade” e “legitimidade”; e claro que os me®dia aplaudem e corroboram, porque não há poder mais ilegítimo do que o da comunicação social.

Para o Daniel Oliveira e gentalha da sua espécie (incluindo o deputado João Almeida do CDS/PP, por exemplo), os referendos só são bons se as sondagens indiciam que eles vão ganhar. Mas “Que horrível cheiro a povo!”.

É preciso que o povo corra com esta gentalha da política para fora; gente estúpida mas que se considera o supra sumo da inteligência; burros que se auto-proclamam de uma elite; “são os mordomos do universo todo, senhores à força, mandadores sem lei, vêm em bandos com pés de veludo, dançam a ronda no pinhal do rei; e se alguém se engana com o seu ar sisudo, eles comem tudo, eles comem tudo...”

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O Iluminismo Negativo (parte 3)

 

O Iluminismo Negativo é uma teoria política contraditória porque tenta conciliar as aspirações do libertarismo económico, por um lado, com a implementação de um ideário de repressão política na sociedade, por outro lado. Por um lado, o Iluminismo Negativo defende a transformação do Estado em uma empresa privada, com accionistas e com um conselho de administração; mas, por outro lado, defende a repressão da expressão política em nome de uma sociedade de bem-estar material.

A democracia pode e deve ser sujeita a crítica, principalmente quando ela se desvia dos interesses da esmagadora maioria da população (como acontece, por exemplo, em Portugal e na União Europeia).
Mas não é aceitável que se utilizem exemplos de uma democracia prostituída e destituída dos seus fundamentos elementares, para se defender uma qualquer forma de fascismo.

O lema do Iluminismo Negativo é o seguinte: “ou o cidadão aceita que não tem voz política, ou sai do país” (no voice or exit). Os exemplos de “bons estados” apontados pelo Iluminismo Negativo são Hong Kong, Singapura e o Dubai. Ou seja, estamos perante uma nova forma de fascismo, com a diferença que esta nova forma de fascismo transformou a soberania de um país em um negócio de privados que são os accionistas do Estado, e que são os únicos cidadãos (os accionistas) que têm voz política dentro do território administrado por esse Estado privado.

Quando leio, por exemplo, que o governo de Passos Coelho autorizou publicidade de empresas privadas nos uniformes dos funcionários dos museus do Estado, não podemos deixar de constatar um indício de uma linha política de privatização do Estado (que a Helena Damião, e bem, critica aqui). Por um lado, esta tendência ideológica é libertária de direita (economia), mas por outro lado tende a transformar o Estado em um negócio privado o que vai contradizer o libertarismo inicial subjacente ao seu ideário, porque um Estado privatizado é sempre anti-político.

Ou seja, para o Iluminismo Negativo, “liberdade” e “libertarismo” são sinónimos de “repressão política” — o que é uma contradição em termos. Não é possível reduzir a liberdade (propriamente dita) ao bem-estar material. Esta noção behaviourista de “liberdade” do Iluminismo Negativo decorre de uma visão positivista do ser humano, por um lado, e por outro lado de um utilitarismo elevado ao seu expoente máximo — e por isso é que esta forma de fascismo é nova, porque as formas anteriores de fascismo ou eram não-utilitaristas, ou mesmo anti-utilitaristas.

A esta privatização do Estado, o Iluminismo Negativo chama de “neo-camaralismo”, porque, segundo esta teoria, é baseada no Camaralismo germânico representado pelo austríaco Heinrich Gottlob von Justi (1720 – 1771), que Kant e Humboldt criticaram em nome da implementação do Estado de Direito. Ou seja, o Iluminismo Negativo representa a negação do Estado de Direito. Ora, a designação de “neo-camaralismo” para essa teoria dita “libertária” é também em si mesma contraditória, porque o Camaralismo foi tudo menos libertário.

Verificamos como uma teoria dita “libertária” pode ser uma nova forma de fascismo, em que o Estado passa a ser propriedade privada, e em que os cidadãos que não forem accionistas do Estado não têm outros direitos e liberdades senão comer, dormir e trabalhar (e fornicar) — ou abandonar o território administrado por esse Estado privado.

A democracia pode e deve ser sujeita a crítica, principalmente quando ela se desvia dos interesses da esmagadora maioria da população (como acontece, por exemplo, em Portugal e na União Europeia). Mas não é aceitável que se utilizem exemplos de uma democracia prostituída e destituída dos seus fundamentos elementares, para depois se defender uma qualquer forma de fascismo.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Iluminismo Negativo (parte 2)


O Iluminismo Negativo é uma ideologia política muito perigosa, porque se baseia em um certo irracionalismo que volta a estar na moda, em grande parte em reacção contra o irracionalismo da Esquerda historicista e marxista, a partir da qual irrompeu a partidocracia que vai anulando a própria democracia enquanto expressão de liberalismo político. Por outro lado, a prostituição da democracia também tem sido protagonizada pelo chamado “neoliberalismo”, característico de uma certa direita “Goldman Sachs” e globalista, que tende a ser pelo menos tão internacionalista (a ter aspirações de domínio internacionalista) quando a Esquerda marxista tem ainda.

Enquanto que que Esquerda marxista aproveita-se (“apanha boleia”, por assim dizer) do liberalismo político (leia-se: “democracia”) para o anular através de uma crescente burocratização do Estado (por exemplo), o Iluminismo Negativo aproveita-se da degeneração do liberalismo para fazer a crítica da democracia enquanto vontade da maioria — confundindo a democracia como sistema político, por um lado, com o Estado-providência que é uma deriva degenerescente da democracia, por outro lado.

O Iluminismo Negativo faz uma interpretação errada do Iluminismo — e seu sou insuspeito para falar porque sou também um crítico do Iluminismo, mas por razões bem diferentes. Kant, talvez o último dos genuínos iluministas, escreveu o seguinte:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo, tal como a do pai para com os filhos, quer dizer, uma governo paternal (imperium paternale), no qual, por consequência, os súbditos, quais filhos menores, incapazes de decidir do que para eles é verdadeiramente útil ou prejudicial, são obrigados a comporta-se de maneira unicamente passiva, a fim de esperar apenas do juízo do Chefe de Estado o modo como devem ser felizes, e apenas da sua bondade que ele igualmente o queira — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber 1

Como se pode ver, o iluminista Kant não poderia concordar, de modo nenhum, com o Estado-providência. Kant referia-se, na sua crítica, ao Camaralismo ou Wohlfahrtsstaat, ou ainda, assim designado também, “Estado de Polícia”, que foi a variante alemã do absolutismo francês. Note-se que o Iluminismo Negativo adopta aquilo a que chama de “Neo-camaralismo”, de que falarei noutro verbete.

Portanto, dizer que o Iluminismo Negativo é a negação do Iluminismo porque alegadamente aquele combate o Estado-providência e este último já não o fez, é falso. Mas o problema é que gente estúpida e ignorante acredita naquela lengalenga de Nick Land como sendo “factos históricos”. E por isso é que o Iluminismo Negativo é perigoso: é acientífico do ponto de vista da História das Ideias, é Hobbeseano e está longe de ser uma forma de Tradicionalismo político: pelo contrário, é parte integrante do movimento revolucionário que o próprio Iluminismo Negativo critica. É como uma cobra que morde a sua própria cauda.

Nota
1. Kant, “Teoria e Prática”, 1793, II, p. 31


Se a democracia é a “tirania da maioria”, ainda assim prefiro a “tirania de uma maioria” a uma “tirania de uma minoria”.

A democracia vista como “tirania da maioria”

 

Se a democracia é a “tirania da maioria”, ainda assim prefiro a tirania de uma maioria a uma tirania de uma minoria.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

A noção de identidade é inseparável da liberdade e da democracia

«La notion d’identité est inséparable de la liberté et de la démocratie. Elle fonde, contrairement à ce que la gauche essaie de faire croire, notre système de valeurs.

Comme l’a très bien montré Tocqueville, la priorité accordée à l’égalité dans l’évolution démocratique engendre une menace sur les libertés. Les prétendues « avancées » de l’égalité et de la « démocratie » sociale et sociétale constituent une menace pour la démocratie politique fondée sur la libre volonté des citoyens suffisamment indépendants du pouvoir pour faire de celui-ci l’expression de la volonté générale.

Les Suisses ne sont pas obsédés par l’égalité sociale, mais ils ont une égale liberté de choisir ce que la Suisse doit faire, lorsqu’ils participent aux référendums régulièrement organisés


Christian Vanneste

Esqueçam a democracia (2)

 

A democracia e os seus mecanismos (que inclui o referendo) dependem de uma tradição.

Ora, é a construção e aprofundamento dessa tradição que a actual classe política recusa ao povo. E como não existe tradição de referendos, o povo não participa neles; e como o povo não participa em referendos porque não existe uma tradição de referendos, a classe política vem dizer que não vale a pena fazer referendos. É uma pescadinha de rabo na boca que pretende justificar um despotismo iluminado da classe política. Por isso, é obrigação de qualquer português consciente combater esta classe política no seu todo.

Hoje existem uma classe política e elites diferentes das que existiam nas décadas de 1980 e 1990: já não existe debate livre e racional, porque as elites só não estão de acordo em assuntos de politiquice; e o desacordo em relação à politiquice serve apenas para “atirar areia para os olhos” do povo, tentando dar a impressão de que existem divergências de fundo quando o unanimismo maçónico impera.

A “democracia” que temos transformou-se em um farsa para além do tolerável, porque já não existe qualquer respeito tradicional pela discussão racional que conduz ao respeito tradicional pelo método do governo através do debate: hoje só se debate o “interesse” particular deste ou daquele partido, e quando se critica uma política do governo, quase nunca se apresentam alternativas. A democracia portuguesa está armadilhada.

Esqueçam a democracia!

 

O referendo à adopção de crianças por pares de invertidos tem sido posto em causa pela classe política em geral (incluindo o CDS/PP) e pelas elites em geral, com base em uma alegada estratégia de interesse por parte do Partido Social Democrata. Ou seja, não é o referendo em si mesmo que é discutido, mas a alegada estratégia política de um determinado partido que propôs o referendo.

Isto significa que a lógica do questionamento do referendo é o “interesse”. ¿Qual é o teu interesse?. Quando se coloca, em uma discussão sobre o que quer que seja, a pergunta ¿Qual é o teu interesse?, a discussão está minada — porque se desvia o foco da discussão da matéria em causa para a politiquice do “interesse”.


O que se está a passar em Portugal é que a democracia não serve para nada. Votar ou não votar dá no mesmo. O sistema político está montado para que as decisões políticas sejam, cada vez mais e em crescendo, tomadas pelas elites sem consulta popular. Note o leitor que a adopção de crianças por pares de invertidos não fez parte do programa de governo do Partido Social Democrata e do CDS/PP (e nem do Partido Socialista) — e, no entanto, a classe política (incluindo o CDS/PP) prepara-se para reduzir a democracia às decisões das elites.

Isto não é democracia: é uma aristocracia da mediocridade.

Outro argumento contra o referendo — qualquer referendo! — é o de que o povo português é burro — e portanto não vale a pena sensibilizá-lo para as questões referendáveis. O povo português só não é burro quando vota nos partidos políticos, mas logo que os votos são apurados, o povo volta a ser burro. E como o povo é burro, são as elites que decidem sem consultar o povo. O voto passou a ser uma espécie de “cheque em branco” dado pelo povo à classe política.


Portanto, esqueçamos a democracia! Devemos adoptar uma resistência passiva e uma outra activa.

A resistência passiva é a recusa da legitimidade deste regime de mediocridade aristocrata. Ou seja, não votar nunca, para nada. Abstenção total! Deixá-los governar com menos de 50% do total de votos. Torná-los fracos na sua legitimidade política, minar o próprio regime político através da nossa não-participação nele. Deixar a classe política em roda-livre, entregue a si mesma e em um sistema semi-despótico em crescendo, o que vai legitimar ainda mais nossa a oposição ao regime.

A resistência activa é a afirmação pública e publicada na negação do regime. Devemos tratar este regime como uma qualquer ditadura. Denunciar publicamente o despotismo iluminado da classe política (que controla os me®dia), mesmo que corramos o risco certo de sermos ostracizados e mesmo censurados.

A democracia não se negoceia: ou existe ou não existe. Se não existe, passa a valer tudo. Se vivemos em um sistema despótico cujos valores são ditados exclusivamente pela classe política, torna-se legítima qualquer acção para o derrubar.

domingo, 12 de janeiro de 2014

O CDS/PP não é um partido democrata-cristão

 

A diferença entre a doutrina social da Igreja Católica (DSIC) , por um lado, e a sua adopção ideológica por parte de um partido democrata-cristão, é a de que a DSIC não é imposta à sociedade pela Igreja Católica: adere a ela quem quer — ao passo que a lógica partidária é a de imposição ideológica do seu ideário logo que chegue ao Poder.