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terça-feira, 28 de abril de 2026

O Conservador deve evitar a confusão entre “género “ e “sexo”

Estando eu a ler um livro de autoria de uma pessoa conservadora, ligada à Igreja Católica, verifiquei que utilizava amiúde o termo “género” em lugar de “sexo”. Ou seja, até os mais conservadores já estão contaminados pela linguagem desconstrucionista do pós-modernismo (ou do marxismo cultural).

Convém recordar aqui um conceito de Eric Voegelin segundo o qual, para podermos criticar a linguagem ideológica (neste caso, a linguagem ideológica do marxismo cultural), temos que criar uma comunidade de linguagem:

«Qualquer pessoa com uma mente informada e reflectiva que viva no século XX a partir do fim da primeira guerra mundial ― como é o meu caso ― acaba por se se sentir cercada ― senão oprimida ― por todos os lados por uma inundação da linguagem ideológica.

Essa pessoa não consegue lidar com os utilizadores da linguagem ideológica como parceiros de uma discussão, mas terá antes que fazer destes o objecto de investigação.

Não existe uma comunidade de linguagem entre os representantes das ideologias dominantes. Por isso, a comunidade da linguagem que essa pessoa pretende usar para criticar os utilizadores da linguagem ideológica deve ser, em primeiro lugar, descoberta e, se necessário, estabelecida.»

→ Eric Voegelin.

Ora, a nossa comunidade de linguagem não pode substituir o conceito de “sexo” pelo de “género”: o conservador que o faz cedeu já, na sua posição, em relação ao desconstrucionismo comunista ou cripto-comunista; já não é um conservador propriamente dito, mas antes é uma espécie de “progressista paralisado”.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), “o género refere-se às características das mulheres, homens, raparigas e rapazes que são socialmente construídas. Isto inclui normas, comportamentos e papéis associados a ser mulher, homem, rapariga ou rapaz, bem como as relações entre as pessoas. Como construção social, o género varia de sociedade para sociedade e pode mudar ao longo do tempo.”

Ora, esta definição de “género” é "pau-para-toda-a-colher", porque pode ser utilizada pelos desconstrucionistas para (tentar) desconstruir / destruir a própria Natureza Humana.

Porém, se tudo passa a ser “construção social”, então nada é “construção social”.


E se a noção de “construção social” é verdadeira (no sentido absolutista dado pelos neomarxistas), então segue-se que a noção de “construção social” é, ela própria, uma construção social.

E quando alguém diz que “o género é uma construção social e que pode ser mudado para acomodar a igualdade de género”, então segue-se que a “igualdade de género” é também uma construção social. E sendo a “igualdade de género” uma construção social, temos também o direito de a rejeitar seguindo os mesmos pressupostos de quem a defende.

Quando se diz que “o género é uma construção social”, o que se pretende dizer é que “o género é uma convenção”. A convenção opõe-se à Natureza. E toda a convenção pressupõe a linguagem, e por isso, pressupõe já a sociedade.

No sentido lógico e comum, “género” é o termo que designa uma categoria de realidades ou de ideias que os seus caracteres essenciais comuns autorizam a reagrupar sob a mesma denominação geral (por exemplo, na gramática, os “diferentes géneros” literários).

Porém, o que está implícito no conceito de “género é uma construção social”, é que “o género é independente do sexo biológico” — o que é um absurdo lógico, porque o género não pode ser simultaneamente dependente e independente do sexo biológico: ou é independente do sexo biológico, ou é dependente deste. É óbvio, e mesmo evidente, que o “género” depende da categoria do sexo biológico.

Em determinadas culturas (fora da Europa), os homens podem ser temporariamente considerados “mulheres”, ou determinadas mulheres ser consideradas “homens”.

Mas, nessas sociedades, essa “troca de papéis de géneros” acontece por razões funcionais e de interesse colectivo — ou seja, essa “troca de papéis de géneros” entre os dois sexos é convencionada, por um lado, e por outro esse fenómeno cultural revela que a “troca de papéis de géneros”, entendida em si mesma, significa que o “normal desejável” não são os géneros trocados, mas antes que o que é normal é a coincidência simbólica entre o género e o sexo.

Nessas culturas, a “troca de papéis de géneros” é uma excepção circunstancial que serve exclusivamente o interesse colectivo; nessas culturas, as funções, códigos e estatutos estão em primeiro plano, e o indivíduo apaga-se diante dos sistemas que o clã, a tribo ou a família formam; nessas culturas, as relações entre seres humanos são nitidamente menos individualizadas e menos personalizadas, quando comparadas com a cultura europeia e ocidental.

Na cultura europeia, de raiz cristã, onde a dimensão afectiva e individual é muito importante, a relação de cada um com a sua identidade pessoal tem uma importância enorme. Na cultura ocidental (de origem cristã), ser “homem” ou “mulher” não pode ser produto de uma decisão do grupo social.

Na cultura ocidental, em que o indivíduo (enquanto tal) ganha uma importância que não existe em outras culturas, não podemos dizer — como dizem os intelectualóides neomarxistas — que “o meu género é construído pelos outros”. Ademais, a ideia de que “o género não é senão uma construção social” (ou seja, é uma convenção) é anti-científica.

Vários estudos científicos recentes sugerem que os comportamentos individuais feminino e/ou masculino não são um mero reflexo de pressões sociais (ou de convenções). Tanto a biologia como a sociedade afectam o comportamento de meninas e meninos.

Quando se categoriza os “géneros” masculino e feminino de acordo com os respectivos sexos biológicos, fazemos isso em consequência da própria categorização de sexo que a Natureza determina desde o início da existência. Por isso é que, por exemplo, damos o nome de Maria a uma menina, e de Manuel a um menino: ao distinguir a nomenclatura em função dos dois sexos, nada mais fazemos do que seguir a categorização sexual que a própria Natureza já determinou a priori.


Ao contrário do que diz o marxismo cultural — que diz defender a validade da diferença entre seres humanos — este debate acerca da identificação entre o “género” e o “sexo” é sintoma da nossa actual dificuldade cultural em assumir a diferença.

Dizer que a diferenciação implica discriminação, ou que hierarquia é sinónimo de desigualdade, corrobora a ideia de “Totalitarismo Doutoral” de Alexis de Tocqueville (a que eu chamo de “Totalitarismo de Veludo”) em que indivíduos intermutáveis formam uma massa indistinta — por exemplo, a “intermutabilidade dos dois géneros” conduz necessariamente à negação da existência dos dois sexos...!, através da confusão propositadamente criada entre “género” e “sexo”. Tudo isto tem a sua âncora ideológica no conceito de “família” de Engels... é preciso ir às origens!

Em suma: todo o conservador deve evitar a confusão, induzida na nossa cultura pelos neo-marxistas, entre “género “ e “sexo”.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

A “educação” sexual nas escolas


“O que aconteceu à imaginação humana, no seu todo, foi que o mundo inteiro foi pintado com paixões perigosas e efémeras; com paixões naturais que se tornaram desnaturadas.

Em consequência, o resultado de tratar o sexo somente como uma coisa inocente e natural, foi o de que todas as outras coisas naturais e inocentes ficaram saturadas e encharcadas com sexo — porque o sexo não pode ser concebido em termos de igualdade com emoções elementares, ou com experiências como comer e dormir.

A partir do momento em que o sexo deixa de ser um servo, passa a ser um tirano. Existe, no lugar e na função do sexo na Natureza Humana, algo de desproporcional e perigoso, e por um motivo qualquer; e o sexo realmente necessita de dedicação e purificação especiais.

A conversa moderna sobre o sexo ser livre como qualquer outra coisa, acerca do corpo que é belo como qualquer árvore ou flor — ou é uma descrição do Jardim do Éden, ou é um discurso de péssima psicologia da qual o mundo já se tinha cansado há dois mil anos.”

→ G. K. Chesterton (“The Suicide of Thought,” Orthodoxy, 1908)

quinta-feira, 7 de junho de 2018

A Esquerda já entrou em fase de entropia política

 

“O sexo não resolve sequer os problemas sexuais” — Nicolás Gómez Dávila 


Chamaram-me à atenção de um texto publicado por um tal Afonso Anjos, texto esse que nada mais é do que a revisitação da Utopia Negativa  (marxismo cultural ) no que diz respeito à sexualidade, e que o próprio Nicola Abbagnano desqualificou e destratou na sua obra “História da Filosofia”.

« O problema não é a repressão sexual, nem a liberação sexual; mas antes é o sexo. A promiscuidade sexual é a propina com que a sociedade acalma o seus escravos. A “opressão” começa, segundo o politicamente correcto, onde se proíbe alguma imundície. »

— Nicolás Gómez Dávila


1/ Recomendo a leitura do que escrevi acerca da função da sexualidade na Utopia Negativa:

« A Freud, os marxistas culturais foram buscar o conceito de “instinto”, entendido como tendência para o regresso a uma situação anterior, primordial ou originária; o “instinto”, segundo Freud, é o retorno à origem do Homem. Depois, os marxistas culturais foram buscar o conceito freudiano de “repressão”, sendo que (segundo os marxistas culturais) esta é exercida pela civilização sobre o tal “instinto” primordial e originário – ignorando os marxistas culturais a função positiva que, segundo Freud, essa repressão exerce, através do Superego, quer na formação da civilização quer na formação da personalidade humana normal.

Em suma, os marxistas culturais pegam em Freud, adulteram as suas conclusões científicas, e depois dizem que se baseiam nele.»

Hoje, ninguém com dois dedos de testa invoca Marcuse (e muito menos Wilhelm Reich) para fundamentar uma tese qualquer sociológica — excepto o esquerdalho estúpido português. Michael Joseph Sobran - web

2/ o tal Afonso não faz uma puta de uma ideia de como era o matrimónio na Idade Média — no entanto, isso não o impede de arrotar postas de pescada acerca de um assunto que desconhece.

Desde logo, não havia (na Idade Média) cartórios notariais para registar casamentos: tal como acontecia na república de Roma, 1/ o casamento era testemunhal (eram as testemunhas da cerimónia de casamento que declaravam publicamente que os noivos estavam já casados); 2/ a cerimónia do casamento era celebrada fora da igreja (portanto, não era uma cerimónia religiosa: era uma cerimónia secular, ao contrário do que o burro Afonso parece querer dizer — e ao contrário do que acontece hoje, devido à “protestantização” modernista da Igreja Católica); e 3/ sempre houve concubinato e prostituição na Idade Média e aceites pela Igreja Católica (os célebres “Banhos de Roma” foram muito criticados por luteranos e calvinistas).

Um certo puritanismo, a que o Afonso Burro faz menção, não é nem medieval nem é católico: apareceu com a Reforma de Lutero (mas que, até certo ponto, influenciou a Contra-Reforma).


“O que aconteceu à imaginação humana, no seu todo, foi que o mundo inteiro foi pintado com paixões perigosas e efémeras; com paixões naturais que se tornaram desnaturadas.

Em consequência, o resultado de tratar o sexo somente como uma coisa inocente e natural, foi o de que todas as outras coisas naturais e inocentes ficaram saturadas e encharcadas com sexo — porque o sexo não pode ser concebido em termos de igualdade com emoções elementares ou com experiências como comer e dormir.

A partir do momento em que o sexo deixa de ser um servo, passa a ser um tirano. Existe, no lugar e na função do sexo na Natureza Humana, algo de desproporcional e perigoso, e por um motivo qualquer; e o sexo realmente necessita de dedicação e purificação especiais.

A conversa moderna sobre o sexo ser livre como qualquer outra coisa, acerca do corpo que é belo como qualquer árvore ou flor — ou é uma descrição do Jardim do Éden, ou é um discurso de péssima psicologia da qual o mundo já se tinha cansado há dois mil anos.”

→ G. K. Chesterton

3/ com excepção do Islamismo que aconselha a poliginia (mas proíbe a poliandria com pena-de-morte), todas as outras religiões universais (incluindo o Budismo) recomendam a monogamia, por um lado, e o casamento vitalício, por outro lado.

Portanto, o fenómeno social e cultural da promoção da monogamia não é exclusivamente católico — ao contrário do que o burro Afonso parece querer dizer.

O que a Esquerda actual (que inclui o burro Afonso) tem que fazer, com urgência, é proibir a prática de todas as religiões para voltarmos ao paraíso do estalinismo.

sábado, 10 de junho de 2017

A idade de consentimento sexual em Portugal — a ambiguidade propositada da lei

 

Leio aqui que a idade de consentimento sexual em Portugal é de 14 anos. Fui à Wikipédia e diz o mesmo. Mas o Código Penal português diz-nos coisa diferente.

Temos o artigo 171 do Código Penal (abuso sexual de crianças): “quem praticar acto sexual de relevo com ou em menor de 14 anos (…) é punido com pena de prisão de três a dez anos”.

Mas depois temos o artigo 173 do Código Penal (actos sexuais com adolescentes): “quem, sendo maior, praticar acto sexual de relevo com menor entre 14 e 16 anos (…) abusando da sua inexperiência (…) é punido com pena de prisão até três anos”.

Ou seja, a idade de consentimento sexual em Portugal é, de jure, de 16 anos, mas  depende de queixa ( Art. 178, nº 2) — e salvo se o juiz for de Esquerda e considerar subjectivamente que o/a adolescente tem uma grande “experiência sexual”; ou se ninguém se queixar.

Se uma avantesma serôdia qualquer  “comer” a tua filha de 14 anos e tu não te queixas à Justiça, nada acontece porque não é crime público.

Ora, esta ambiguidade (a “inexperiência” ou a “experiência”, e a necessidade de apresentação de queixa) é introduzida de propósito na lei para permitir a cada juiz o exercício prático da sua subjectividade; e como a maioria dos juízes portugueses tem tendência esquerdóide e marxista cultural (ou, pelo menos, não é católica), tende a considerar que uma/um adolescente com 14 anos, por exemplo, terá eventualmente uma “experiência sexual” medonha que salva o adulto de qualquer pena de abuso sexual.

terça-feira, 30 de maio de 2017

A parábola do Filho Pródigo não tem nada a ver com sexo

 

Há que dizer ao Olavo de Carvalho que a parábola do Filho Pródigo não envolve sexo.

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Se a tua mulher “deu para o vizinho”, das duas, uma:
  • ou assumes a mansidão de uma chavelhuda santidade, correndo o risco de a “dádiva” se tornar endémica e corniluzente;
  • ou exiges que ela assuma a sua (dela) responsabilidade perante ela própria, perante a sociedade, e perante Deus.

Não se trata de “abandonar a mulher” — no sentido bíblico, em que o “abandono” significa “renúncia caprichosa e sem qualquer justificação plausível”; neste sentido, o abandono da mulher é eticamente condenável —; trata-se, em vez disso, de conceber as relações humanas sob a égide da responsabilidade moral pelos actos de cada um de nós.

“O que aconteceu à imaginação humana, no seu todo, foi que o mundo inteiro foi pintado com paixões perigosas e efémeras; com paixões naturais que se tornaram desnaturadas.

Em consequência, o resultado de tratar o sexo somente como uma coisa inocente e natural, foi o de que todas as outras coisas naturais e inocentes ficaram saturadas e encharcadas com sexo — porque o sexo não pode ser concebido em termos de igualdade com emoções elementares ou com experiências como (por exemplo) comer e dormir.

A partir do momento em que o sexo deixa de ser um servo, passa a ser um tirano. Existe, no lugar e na função do sexo na Natureza Humana, algo de desproporcional e perigoso, e por um motivo qualquer; e o sexo realmente necessita de dedicação e purificação especiais.

A conversa moderna sobre “o sexo ser livre como qualquer outra coisa”, acerca do “corpo que é belo como qualquer árvore ou flor” — ou é uma descrição do Jardim do Éden, ou é um discurso de péssima psicologia da qual o mundo já se tinha cansado há dois mil anos”.

→ G. K. Chesterton, “Orthodoxy”, 1908

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O Domingos Faria e a confusão do amor politicamente correcto

 

O conceito de “amor” tem sido a ser prostituído por ditos “intelectuais”, e parece que o Domingos Faria embarca no sofisma.

“(...) quando se diz que os homossexuais são incapazes de ter crianças que são o fruto dos seus actos de amor, o Swinburne parece estar a fundir os conceitos de amor e de sexo/procriação. Todavia, tais conceitos não são coextensionais; pois, há muitos actos sexuais que não são actos de amor, bem como há actos de amor que não são actos sexuais. Por exemplo, as carícias, olhares, ou até a partilha das tarefas domésticas não são afinal "actos de amor"? Mas terão esses actos de estar fundidos ou ligados com actos sexuais? Parece óbvio que não”.


Tradicionalmente, faz-se a distinção entre espécies diferentes de “amor”:
  • libido (o amor pelo prazer e o sexo)
  • eros (o amor pelo belo, o deixar-se comover pela sedução do sedutor)
  • filia (o amor entre os corações que não podem viver um sem o outro)
  • ágape (o amor imanente pela comunidade, o amor pelo “outro” em abstracto, o amor pela sociedade, o amor pela continuidade e futuro da pólis)

O amor propriamente dito é a aspiração à unidade daquilo que se completa (também na Natureza). Aquilo que, por princípio, não se completa (naturalmente), também não pode constituir uma unidade. Neste sentido, o amor entre seres humanos é constituído pela libido, eros, filia e ágape.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Os direitos de braguilha e a propriedade privada subordinada ao dinheiro

 

direitos-de-braguilha

G. K. Chesterton falou-nos da “religião erótica” do “novo paganismo” dos direitos de braguilha, que nada tem a ver com o paganismo antigo. O novo paganismo é a adoração do sexo sem vida, porque proíbe a fertilidade — ao passo que os pagãos antigos festejavam a paternidade; os novos sacerdotes da religião erótica dos direitos de braguilha aboliram a paternidade. Conclui Chesterton que os pagãos antigos entrarão no Céu ainda antes do que os novos pagãos.

G. K. Chesterton faz um paralelismo entre a religião erótica, por um lado, e por outro lado a propriedade privada subordinada ao lucro: a propriedade deveria supôr (em primeiro lugar) um amor à terra, ou um amor à propriedade em si mesma, “amor” entendido como frutificação da acção humana, independentemente do lucro — assim como o sexo não foi separado, pelos pagãos antigos, do seu fruto (a paternidade).

O homem moderno não percebe que a propriedade privada inclui o prazer do dinheiro apenas de forma acidental: a propriedade começa e acaba com algo muito mais importante e criativo do que o lucro.

Um homem que planta uma vinha também aprecia o sabor do vinho que produziu; mas ele realizou uma obra muito mais importante do que a produção de vinho: ele está a impôr a sua vontade à Natureza de uma forma análoga à vontade de Deus no acto da Criação; ele afirma que a sua alma é apenas sua e que não pertence nem ao mercado nem ao Estado; ele está a admirar a fertilidade do mundo.

Reduzir a propriedade privada ao dinheiro é semelhante à redução do sexo ao prazer: em ambos os casos, a importância do prazer privado e incidental deve ser substituída pela participação em processo criativo grandioso, “em uma eterna criação do mundo”.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

As três normas da moral cristã

 

Um artigo assinado por José Paulo do Carmo, no semanário SOL, é crítico em relação à forma como o sexo é concebido na cultura actual — especialmente em Lisboa.

“Assim se explicam tantos divórcios, tantas separações, porque vivemos numa dicotomia de valores em que queremos ser livres mas 'ai de que o nosso companheiro/a faça o mesmo'. Deixámos de ser apedrejados por adultério, perdeu-se o julgamento em praça pública, gradualmente tudo passou a ser normal porque o tempo encarregou-se de desresponsabilizar esse tipo de atitudes”.

→ As relações sexuais

A moral é hoje reduzida ao conceito de “não chatear o outro”. Hoje só existe uma única norma moral: a liberdade negativa: “cada um faz o que quer e não tens nada a ver com isso! Vive e deixa viver!”.

Esta norma moral é válida; mas não é a única. Existem, para além dela, mais duas normas morais:

  • a necessidade de uma determinada harmonia interior em cada pessoa, que tenha em conta também a liberdade positiva;
  • o problema do sentido da vida. A forma como organizamos as nossas vidas e as nossas mundividências de forma a obtermos um sentido justo e racional para as nossas vidas.

Reduzir toda a moral à liberdade negativa é característica da barbárie moderna contemporânea. E só o Cristianismo pode ajudar as pessoas a assimilar as duas outras normas que são hoje invisíveis.