Algol Mínima
O Diabo anda à solta, mas só durante três dias
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
O partido CHEGA está a mentir em relação ao Acordo União Europeia / Mercosul
Podemos ver aqui uma deputada do CHEGA a dizer que o acordo com o Mercosul irá destruir a agricultura portuguesa. Ora, isso é falso.
A União Europeia adoptou medidas de protecção dos produtores europeus, a ver:
Quotas de importação estritas:
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na carne de bovino, só serão importados 99.000 toneladas por ano, ou seja, 1,5% da carne produzida na União Europeia durante 1 ano;
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na carne de aves, só serão importados do Mercosul 180.000 toneladas por ano, ou seja, 1,3% da produção anual da União Europeia;
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na carne de porco, só serão importados 25.000 toneladas por ano, ou seja, 0,1% da produção anual da União Europeia.

Ademais, a União Europeia dará um apoio financeiro aos agricultores europeus de 45 mil milhões de Euros + outras salvaguardas de importação.
Se estas quotas estritas de importação colocarem em risco o negócio de alguns agricultores, então terá chegado a altura de mudarem de negócio.
Doravante, sempre que o CHEGA mentir, eu virei aqui denunciar a mentira.
domingo, 11 de janeiro de 2026
A mente revolucionária de Donald Trump e do movimento MAGA (Make America Great Again)
Muita gente pensa que o nazismo não aceitava diversidade de raças, ou seja, que os nazis eram todos de raça ariana. Ora isto não é verdade. Independentemente de uma hierarquia fascista baseada na raça, várias raças colaboraram na promoção da ideologia fascista ou comunista, e na vocalização da mente revolucionária que caracteriza o fascismo e o comunismo.
Uma das características da mente revolucionária é a inversão do sujeito / objecto.
Em relação ao assassínio da cidadã americana Renee Nicole Good (mãe de três filhos) por parte da polícia política paramilitar de Donald Trump de nome “ICE”, gravado em vídeo por populares em Mineápolis e que está acessível para visualização em todas as redes sociais, a máquina de propaganda revolucionária trumpista vem dizer que a culpa da morte dela é... dela própria! — porque (alegadamente) a culpa dos actos de horror causados pela mente revolucionária trumpista é sempre das vítimas, na medida em que (alegadamente) as vítimas não compreenderam as noções revolucionárias que levariam ao inexorável futuro perfeito e destituído de qualquer “mal” que o messias Donald Trump prometeu aos seus acólitos.
As vítimas da mente revolucionária trumpista não foram (alegadamente) assassinadas: em vez disso, suicidaram-se; e a acção da mente revolucionária trumpista é a que obedece sem remissão a uma verdade dialéctica imbuída de uma certeza científica que clama pela necessidade dum futuro sem “mal” ― portanto, a acção da mente revolucionária trumpista é impessoal, isenta de culpa ou de quaisquer responsabilidades morais ou legais nos actos criminosos que comete.
Segundo a mente revolucionária, as pessoas assassinadas por Che Guevara, por Estaline, por Hitler ou por Donald Trump, foram elas próprias as culpadas da sua morte (suicidaram-se), por se terem recusado a compreender a inexorabilidade do futuro sem “mal” de que os revolucionários seriam simples executores providenciais.
Donald Trump não é um conservador: é um fascista, é um revolucionário na verdadeira acepção da palavra. Ou o CHEGA se demarca de Donald Trump, ou ganha aqui no blogue um inimigo fidagal.
Os americanos deverão ser convidados a sair da base das Lajes
Donald Trump é um fascista.
Aconselho a leitura do livro do autor britânico Laurence Rees, com o título “The Nazi Mind”, que pode ser comprado no Wook.pt. Existe na FNAC uma edição em brasileiro, mas eu preferi ler em inglês.
Basta ler a primeira página do dito livro, que contém um resumo do mesmo, para constatarmos de que Donald Trump é um fascista. E não só ele: personagens como Miller ou Vance partilham das mesmas características fascistas de Donald Trump.
O ataque à Venezuela tem menos a ver com o petróleo do que com o dólar — que, para Trump, é o símbolo do Poder universal. Trata-se da imposição ao mundo do Lebensraum do fascista Donald Trump. Mesmo que os Estados Unidos consigam investir na extracção do petróleo da Venezuela, só irão tirar os respectivos proventos daqui a 10 anos, e depois de investirem 100 mil milhões de Euros. Portanto, o motivo principal do ataque à Venezuela não é o petróleo: é o Lebensraum e a protecção do dólar.
A Venezuela, depois de ter sido expulsa da organização SWIFT pelos Estados Unidos, estava a transaccionar no petróleo em Euros, em Rublos e em Yuan (a moeda chinesa), abrindo um perigoso precedente para o dólar.
O actual acordo União Europeia com o Mercosul é também considerado uma abominação pelos Estados Unidos: não só de Trump mas também pelos Republicanos em geral — porque a moeda a utilizar como referência no acordo Mercosul é o Euro.
Ou seja, o Euro consolida-se, por um lado, e por outro lado as economias mundiais tendem a trocar dólares por ouro ou por Euros. Porém, a culpa da actual decadência do dólar é do próprio Trump, que criou uma enorme instabilidade na economia mundial quando tentou instrumentalizar as taxas aduaneiras como arma de arremesso contra o mundo inteiro. Temos aqui a cara chapada de um fascista.
A actual ameaça de Donald Trump contra a integridade territorial da Dinamarca (Gronelândia) é própria de um fascista. A invasão da Gronelândia faz parte da política do novo Lebensraum fascista da actual administração Trump. O Lebensraum é a necessidade da ocupação de um território alheio apenas movido pela sede de Poder ou mesmo capricho, e muitas vezes constituindo-se um acto gratuito. Por outro lado, Trump aproveita-se da necessidade que a Europa tem da venda de armamento dos Estados Unidos, para posterior entrega à Ucrânia, para declarar guerra à NATO.
Porém, a administração Trump está pejada de estúpidos. São fascistas estúpidos — passo a redundância.
Trump ameaça ocupar a Gronelândia e, em consequência, irá perder o mercado da economia europeia de mais de 20 biliões de Euros (triliões, na nomenclatura americana). Os Estados Unidos estão apostados em destruir a União Europeia; por isso, a União Europeia deve começar já a solicitar aos Estados Unidos que abandonem as suas bases militares da Europa.
A NATO já não faz sentido.
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Sobre o ataque de Trump à Venezuela
Se alguém questionar a legalidade do ataque de Trump à Venezuela e o rapto do líder deste país, tome nota do seguinte:
Lembrem-se de que estamos em presença de um líder altamente corrupto, um criminoso de alto coturno que utilizou as suas altas funções de Estado para se abotoar ilicitamente com milhares de milhões de dólares, que manipulou eleições no sentido de se manter ilegalmente no Poder, usou os militares do seu país contra os seus próprios cidadãos, e, enquanto presidente, protegeu os seus amigos corruptos e perseguiu e puniu os seus adversários políticos.
Obviamente que o presidente da Venezuela não é muito diferente dele.
domingo, 4 de janeiro de 2026
Os ciganos têm que cumprir a lei
O Ludwig Krippahl aplica aqui a “lógica” do empirismo científico à política. Explico por quê.
Volto ao Princípio da Falsificabilidade, de Karl Popper. Vejamos a frase: “Todos os cisnes são brancos”. Esta proposição, entendida em si mesma, não pode ser objecto de investigação científica; a proposição só pode ser objecto da ciência se se verificar a existência, por exemplo, de um cisne preto. De igual modo, a proposição “todos os deuses falam grego” não pode ser objecto de investigação científica, a não ser que se verifique (ver “verificação”) a existência de um deus que fale, por exemplo, latim.
Ou seja, a ciência parte da “categorização da realidade”; a ciência divide os objectos da realidade em categorias empíricas para depois obter leis gerais. Esta “categorização da realidade” é fundada na indução — que é, também, a inferência conjectural ou não-demonstrativa, por exemplo, “eu induzo a presença de um cão se ouço ladrar”; a indução é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos empíricos particulares.
A indução é o raciocínio por analogia que não tem, em si mesmo, um valor formal (matemático); mas a analogia é segundo Platão, “o mais belo de todos os nexos” e é indispensável à ciência.
É claro que nem toda a área científica se pode fundar na indução: por exemplo, o princípio da regularidade dos fenómenos naturais é, em si mesmo, um princípio geral que não pode ter sido estabelecido indutivamente. Mas, regra geral, a indução (e a inferência) é a base da investigação científica.
Notem bem, aqui, a noção de “regra geral”.
A “categorização da realidade”, através da indução / inferência, implica necessariamente a generalização. Não é possível categorizar os objectos da realidade sem generalizar; e não é possível a investigação científica sem a categorização.
Por exemplo, quando alguém diz que “os ciganos têm que cumprir a lei”, eu sei que esta proposição é baseada na indução, e, por isso sei que, necessária- e logicamente, há ciganos que cumprem a lei.
Não está em causa a verdade segundo a qual “há ciganos que cumprem a lei”. A questão, aqui, é o de saber quais são as dimensões relativas das duas categorias: a categoria dos “ciganos que cumprem a lei”, e a categoria dos “ciganos que não cumprem a lei”.
O Ludwig Krippahl reflecte assim o raciocínio acima mencionado:
“Dizer que os homens têm de ser menos violentos, ainda que possa ofender algum, reflecte uma preocupação legítima porque temos acesso a dados que mostram que os homens cometem a maior parte dos crimes violentos. Nem todos os homens violam a lei mas a correlação é significativa e é legítimo apontá-la”.
Quando dizemos que “os homens têm que ser menos violentos”, isso não significa que “todos os homens são violentos”: estamos apenas a seguir a indução que nos revela que uma determinada percentagem alta (verificada) de homens são violentos.
O tribunal que censurou os cartazes do André Ventura segue os princípios “woke” anticientíficos da Esquerda pós-modernista (ou pós-estruturalista). É um tribunal político e ideológico, e por isso, anticientífico. A posição anti-científica (ou cientificista, que vai dar no mesmo) da Esquerda pós-estruturalista já foi bastamente estudada e não deixa dúvidas.
Finalmente: partindo de um pressuposto objectivo e correcto, o Ludwig Krippahl descamba depois com insinuações subjectivistas acerca do eventual “racismo” de André Ventura.
Ou seja: segundo o Ludwig Krippahl, o André Ventura tem razão, mas não tem razão.

