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sábado, 27 de setembro de 2025

Demagogia elitista


“O ressentimento social que alimentou o Bloco e o PC e que actualmente alimenta o Livre e o Chega é um problema sério para quem quer que seja que governe.”

Henrique Pereira dos Santos

Quando alguém compara o Partido Comunista ou/e o Bloco de Esquerda, por um lado, e o CHEGA, por outro lado, e no que diz respeito ao “ressentimento social”, ou é estúpido ou demagogo. No caso do Henrique Pereira dos Santos, quero acreditar que seja demagogo.

O ressentimento social, ou é baseado na realidade concreta, ou é baseado na utopia.

O Henrique Pereira dos Santos, que não parece ser estúpido, mete tudo no mesmo saco.

Por exemplo, o combate à corrupção generalizada — defendido pelo CHEGA — é uma forma de manifestação de um ressentimento social racional baseado na política factível; já a construção de um paraíso na terra baseia-se em uma utopia que se alimenta de um ressentimento social irracional.

Ora, o Henrique Pereira dos Santos, que não parece ser estúpido, confunde os dois tipos de ressentimento social — e por uma razão claríssima: ele é capaz de se fazer de estúpido para assim poder defender a validade política da demagogia elitista e corrupta vigente.

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Para o Henrique Pereira dos Santos, o CHEGA é um partido “iliberal”


Francamente, não sei mais o que esta gente irá inventar para adjectivar o CHEGA (ver ficheiro PDF).

Ao lermos o textículo do dito cujo, ficamos com a ideia de que “democracia liberal” é sinónimo de “ausência ou niilificação da nação”; uma boa “democracia liberal” é, alegadamente e segundo o Henrique Pereira dos Santos, uma sociedade desnacionalizada.

Como dizia Sá de Miranda: “M’espanto às vezes, outras m’avergonho”.

No caso do referido texto do Henrique Pereira dos Santos, não sei se me espante ou se me envergonhe de forma alheia.

O texto do dito senhor é extraordinário ! — por um lado, o dito senhor reconhece que o liberalismo é pródigo em “corrupção e protecção endogâmica das elites, excluindo informalmente o povo do processo democrático, deixando-o sem representação, apesar da manutenção dos formalismos democráticos”; mas, por outro lado, diz que o CHEGA é um partido pária por não ser (alegadamente) liberal.

Ou seja, segundo o douto senhor, ser corrupto, elitista, exclusivista, etc, é “coisa fixe”!

Depois, diz (o senhor) que o CHEGA é “populista” — mas que os outros partidos não são populistas.

Porém, quando começamos a definir, o Henrique Pereira dos Santos engasga-se — porque não existe uma noção de “populismo”: existe um conceito (muito vago) de “populismo”, mas não uma noção de “populismo”.

Até a esquerdista Wikipédia é vaga numa pseudo-definição de “populismo”:

“Populism is a contested concept, used to refer to a variety of political stances that emphasize the idea of the "common people" and often position this group.”

Quando o CHEGA anula o CDS (partido manifestamente submisso em relação à Esquerda) da Assunção Cristas e do Nuno Melo, o Henrique Pereira dos Santos diz que é por causa do “populismo do CHEGA”.

Talvez o mais espantoso, vindo do Henrique Pereira dos Santos, é o branqueamento ético do comportamento do Luís Mente-ao-Negro no caso da empresa (deste) SpinumViva: para defender a sua dama (CDS), o Henrique até faz pactos com o diabo (PSD do Luís Monta-o-negro).

É preciso repetir até à exaustão: um primeiro-ministro em exercício não pode receber avenças pecuniárias de empresas privadas que usufruem de contratos com o Estado.

Eu vou repetir, para o Henrique Pereira dos Santos perceber bem: um primeiro-ministro em exercício não pode receber avenças pecuniárias de empresas privadas que usufruem de contratos com o Estado. Haja por aí quem lhe faça um desenho, que eu não tenho jeito nem paciência.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

A crítica a Donald Trump... porque sim!


Até há pouco tempo, um tal José Miguel Roque Martins (ena pá! tantos nomes...!) escrevinhava no Corta-Fitas na condição de escrevinhador “convidado”. Nisto, passou a escrevinhador efectivo. E o Corta-Fitas reforçou a sua condição politicamente correcta.

pass-auf-ao-burro-webEscreve o referido escrevinhador:

«Trump e Bolsonaro são objectivamente do pior que há. Apenas um pouco menos maus do que ditadores autocráticos como aquele que está na Venezuela, ou dos que presidem a China, Cuba ou a Coreia do Norte. É uma convicção que tenho justificada com dezenas de factos e é um dos poucos pontos em comum que tenho com a imprensa em geral.

Trump será certamente lembrado como o pior Presidente dos Estados Unidos de todos os tempos.»

Talvez a maior crítica vinda da Esquerda, em relação a Donald Trump, é a de este defende a “desregulação da economia” e um “capitalismo selvagem” — mas esta crítica da Esquerda a Trump é objectiva, e não baseada apenas em “convicções” subjectivas.

Incomoda que alguém me diga: “Fulano é um filho-de-puta!”. E eu pergunto: “¿porquê?”. E responde-me: “Porque sim! É a minha convicção! Além disso, eu li isso nos jornais...!”

Se não houver cautela, o Corta-Fitas transforma-se rapidamente em mais um Imbecil Colectivo.

domingo, 7 de janeiro de 2018

A Maria e o contra-factual: “se a minha avó tivesse asas era um Boeing 747”

 

“Todos apontam o dedo à privatização dos CTT como a causa de todos os males. Mas o problema dos CTT não desapareceria com a presença do Estado, pelo contrário, era provável que se agravasse, pois haveria uma inércia para mudar o modelo de negócio, e que mais uma vez seria o Orçamento de Estado a pagar os prejuízos crescentes de uma empresa pública. (Não vale a pena virem com o argumento que os CTT dão lucro desde antes da privatização. Pois essa coisa do lucro tende sempre a cair e a acabar com a quebra das receitas por se manter um modelo de negócio obsoleto. Era apenas uma questão de tempo).”

→ Assina: a Maria do corta-fitas


ctt-logoA blogosfera anda muito pobre. Paupérrima. Não tem classificação possível. Utilizar o contra-factual para justificar uma gestão de uma empresa ao arrepio de contratos previamente firmados, só pode vir de uma mente estupidificada. Mas essa gente vota e tem opinião!

Como parece ser evidente, eu estou longe de ser marxista. Mas não posso estar ao lado de vigaristas que não cumprem os contratos assumidos com o Estado. Os CTT começam a não cumprir o previamente contratualizado com o Estado — esta é a verdade que a Maria pretende esconder.

Se os CTT não podem cumprir o contrato com o Estado, cabe ao Estado acabar com o contrato.

Aliás, a própria sigla “CTT” e o respectivo logótipo fazem parte do contrato que não está a ser cumprido, e a nova empresa privada deve ficar sem a sigla e logótipo que passarão para uma nova empresa a fundar pelo Estado.


Facto:


Desde que os CTT foram privatizados, uma carta pode demorar mais de uma semana a chegar a um destino português. Os correios portugueses são hoje um dos piores da Europa.


Não me interessa saber se os CTT são privados ou são do Estado: o que me interessa é ter um serviço de correios razoável. E o serviço de correios que temos hoje é mau! E se o sector privado não aguenta o negócio, então terá que ser o Estado a garantir um serviço de qualidade aceitável. Ponto final.

E mandemos as ideologias à merda!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Quando ela escreve, fico com os cabelos em pé

 

Quando leio qualquer texto dela — mesmo na área da economia —, entro em dissonância cognitiva: não sei se hei-de escrever algum comentário sobre o que ela escreve, ou se faço de conta que não li.

Diz-se jihadista como se isso fosse um clube de futebol, uma profissão, uma religião, um clube privado. Em nome dessa pertença a um clube mata. Para ser um deles, para provar que pertence à seita, que pertence aos bons, que pertence aos superiores. É um perigo este tipo de pensamento e um engano, claro. Nem as ideias que achamos que são nossas o são verdadeiramente. And, you know, there is no such thing as society. There are individual men and women, and there are families. A inteligência é fundamental para não se deixar seduzir por estas ideias colectivas. Pelos estereotipos. Não existem, são meras simplificações mentais.

(…)

Todas as pessoas com ódios irracionais a povos, grupos, culturas, religiões, classes são potenciais terroristas. Porque odeiam tanto e têm esse ódio de pele que levado ao extremo de uma alucinação colectiva (agregados em grupo) poderia perfeitamente levar a barbáries.”

O ódio é uma emoção e, por isso, é irracional. Dizer que o “ódio é irracional” é a mesma coisa que dizer “subir para cima”, ou “descer para baixo”. Confundir emoção, por um lado, e paixão, por outro lado, é um erro. A paixão é pensada. Pode-se chegar ao fideísmo através de um processo racional e, neste caso, a paixão toma conta do ser humano, coarctando-lhe a vontade.

Ela ainda não percebeu que o integrismo islâmico não é apenas uma forma de fideísmo : também é uma ideologia política — a “lógica de uma ideia”, parafraseando Hannah Arendt.

Finalmente, faz falta que ela leia Fernando Pessoa: existe o indivíduo, a família do indivíduo, e a nação — e neste sentido existe a sociedade. Reduzir a realidade humana ao indivíduo, é supôr uma inteligibilidade do individuo dissociada do domínio social — o que é um “absurdo absurdo”, ou uma “ignorância irracional”; por isso é que eu estive quase para fazer de conta que não li o que ela escreveu.

sábado, 21 de junho de 2014

José Pacheco Pereira “bota a boca no trombone” (parte II)

 

dupont et dupondAfinal não foram os blasfemos; foram “os que cortam fitas” que ficaram irritadiços. Parece que os blasfemos já se habituaram.

A escriba que corta fitas incorre em uma falácia do espantalho — porque o José Pacheco Pereira não se referiu, no seu artigo, ao plano de recapitalização da Banca. Ou seja, o José Pacheco Pereira fala de alhos e ela de bugalhos (para disfarçar); é nisto que consiste a falácia do espantalho.

Do que José Pacheco Pereira fala é de outra coisa: de compadrio e de promiscuidade entre a política e a Banca — nos consulados de José Sócrates e de Passos Coelho.

Um exemplo da falácia do espantalho:

Corta Fitas: “ A Troika pretende cortar nas despesas do Estado em 5 mil milhões de euros”.
Pacheco Pereira: “E o que é que vamos fazer?!”
Corta Fitas: “Eu acho que devemos cortar nas despesas com a saúde e a educação”.
Pacheco Pereira: “Mas poderíamos cortar nas despesas com as PPP (Parcerias Público-privadas), nos monopólios da energia, no aborto grátis, e nas despesas de funcionamento do governo… etc..”
Corta Fitas: “Meu caro Pacheco Pereira!!!!!: não percebo por que razão queres levar este país à falência!”