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sábado, 31 de agosto de 2024

A filosofia académica está ideologicamente comprometida


Não é possível, ou não é racional, que partamos de princípios dos estóicos — por exemplo, de Marco Aurélio — para tirar ilações éticas e morais actualizadas —, não apenas porque seja racionalmente permitido que se substitua ou se evite o naturalismo estóico, mas porque o desenvolvimento da investigação científica já não o permite.

Hoje, a filosofia académica tem um problema complicado: vive à margem da ciência.
A minha dúvida é se esse distanciamento da ciência é fruto de ignorância, ou se é propositado.

O estoicismo é um tipo de materialismo, que é colocado em causa — ou, pelo menos, questionado — pela actual Física de Partículas. Este materialismo estóico, que é inadequado à luz da ciência actual, tem consequências sobre a moral.

O estoicismo é um determinismo que restringe decisivamente o livre-arbítrio do ser humano, embora não seja propriamente um “fatalismo”.
“Tudo o que acontece, devia acontecer; tudo o que deve acontecer, acontecerá”. A “alma do mundo” estóico aparece sob a figura do “destino”.

O estoicismo coloca em causa o princípio de Heisenberg.

O estoicismo é também um racionalismo naturalista que influenciou o gnosticismo da Antiguidade Tardia.

Não é admissível que professores de filosofia utilizem o racionalismo estóico para tentar defender ou justificar, junto dos seus alunos, a actual ideologia eco-fascista, colectivista e misantropa do Aquecimento Global Antropogénico.

terça-feira, 3 de maio de 2022

A burrice de Daniel Dennett


Um indivíduo que não só concorda as ideia de Richard Dawkins, mas também corrobora quase todas as teses deste último, não pode ser propriamente um “filósofo” — porque as ideias de Richard Dawkins não são minimamente consistentes/coerentes, nem do ponto de vista filosófico/lógico, nem sequer do ponto de vista científico. Por isso, Daniel Dennett, ao concordar e corroborar as teses de Richard Dawkins, não é um filósofo propriamente dito.

Porém, em favor de Daniel Dennett, é utilizado amiúde o argumento do “curso de filosofia” dele; mas, em bom rigor, quanto maior for a importância de uma actividade intelectual, mais ridícula é a pretensão de avalizar a competência de quem a exerce; ou seja: um diploma de “dentista” (ou de “mecânico”), é aceitável; um diploma de “filósofo” é grotesco.

Portanto, o argumento do “cursinho de filosofia” de Daniel Dennett não serve.


Neste texto, a professora Helena Serrão retoma o velho tema naturalista da “humanização” de um computador:

“Turing mostra que se um computador pode somar, subtrair, multiplicar e dividir, e se pode dizer a diferença entre zero e um, ele pode fazer qualquer coisa. Pode-se pegar num conjunto de habilidades irracionais e transformá-las em estruturas de poder discriminativo indefinido, poder de discernimento indefinido e poder reflexivo indefinido. Pode-se fazer uma mente inteira; assim pode-se resolver o problema de Hume; pode-se ter ideias para pensar por si mesmas nesta estreita base.”

Daniel Dennett

Um “filósofo” que escreve isto esqueceu-se de duas coisas importantes: 1/ o teorema de Gödel; 2/ o conceito de “X”, de Kant.

X de Kant

Immanuel Kant chamou à atenção para o facto de nós termos sempre de acrescentar um suplemento a todos os nossos pensamentos, independentemente daquilo que estamos a pensar: a frase “eu penso”.

Sem a consciência de que “sou eu que penso”, não existe qualquer pensamento que mereça esse nome. Sem a autoconsciência de que a consciência se pensa a si mesma, não é possível qualquer conteúdo dessa consciência.

O computador de Daniel Dennett pode percorrer o seu programa sem este “eu penso”, mas não pode, por isso, pensar como um ser humano.

No “eu penso” do sujeito humano, todos os conteúdos da consciência estão ligados; o “eu penso” do humano é a condição lógica de qualquer pensamento — constitui o último ponto de referência lógico e o ponto de unidade de todo o conhecimento.

Utilizando o tipo de linguagem de Kant: o “eu penso” é a condição da possibilidade do pensamento. Este “eu penso”, segundo Kant, é o “X” da condição humana.

Não é possível reconhecer este X porque qualquer acto de pensamento o pressupõe: o X é anterior ao próprio pensamento — e por isso é que nenhum computador tem ou alguma vez terá este X. A comparação que os naturalistas fazem entre um computador, por um lado, e um ser humano, por outro lado, é uma estupidez de uma grandeza elevada à potência infinita.

O teorema de Gödel

Segundo teorema de Gödel, é impossível demonstrar a não-contradição de um sistema (bastante rico e/ou complexo) pelos seus próprios meios, ou mediante meios mais fracos.

Por exemplo, um computador suficientemente complexo para simular o trabalho cerebral, e submetido a um rigoroso determinismo no que respeita ao seu mecanismo e às permutas com o exterior, não permite calcular, em um tempo t, o que ele (computador) será num tempo t+1 — só o consegue na medida em que a sua determinação, por si só incompleta, estiver submetida à determinação de um outro computador de ordem superior, mas que, nesse caso, também não está de modo nenhum inteiramente determinado por si mesmo; e assim consecutivamente, ad infinitum.


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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Por outras palavras: são burros

 

É curioso o facto de os ateístas (em geral) se preocuparem (pelo menos) tanto com Deus quanto os católicos. dawkins-and-freud-web

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O Carlos Fiolhais e a “prova” do milagre de Fátima

 

Richard Dawkins escreveu algures que se uma estátua de Nossa Senhora sair de uma igreja pelos seus próprios pés, tratar-se-ia certamente de um fenómeno natural. O Carlos Fiolhais é da mesma opinião.

O Carlos Fiolhais é demasiado estúpido para ser uma “referência da ciência” em Portugal. O rei vai nu.

Ele pode até ser uma referência do naturalismo; mas a ciência não se reduz nem se traduz na / à metafísica naturalista. Mas — obviamente — que o Carlos Fiolhais e quejandos não sabem a diferença entre uma coisa e outra. O Carlos Fiolhais é um técnico que se julga filósofo.

Diz o Carlos Fiolhais que “a ciência não vive de autoridade, mas antes vive de provas”. ¿O que é a “prova”?!

A verdade científica não pode ser “provada” com certeza, nem através da experiência e nem através da intuição intelectual, porque na ciência não existe nenhum indicador infalível para a verdade.

Por exemplo, na cosmologia: décadas de “provas” acumuladas não produziram o universo que a metafísica naturalista do Carlos Fiolhais tinha previsto e exigia. O Big Bang não nos levou a uma teoria com menor implicação teísta, e há indícios de um universo programado para a vida (Fine-tuned Universe).

Ou seja, a “prova naturalista” do Carlos Fiolhais é uma “batata sem grelo”. Ou, pelo menos, as provas “provam” exactamente o oposto do que o naturalismo pretendia “provar”.

A verdade científica não pode ser “provada” com certeza, nem através da experiência e nem através da intuição intelectual, porque na ciência não existe nenhum indicador infalível para a verdade.

Em bom rigor, não pode ser encontrada uma prova concludente para uma evidência tão simples como a existência de um mundo exterior a nós próprios. Kant chamou a isto o “escândalo da razão”.

A moderna teoria da ciência formula, com Karl Popper, uma versão mais moderada do “escândalo da razão” de Kant: segundo Karl Popper, “o mundo exterior [a nós próprios] é uma hipótese de trabalho para a ciência da natureza”.

Por isso é que o Carlos Fiolhais é estúpido. Não é uma acusação ad Hominem : é a constatação de um facto.

Um estúpido pode ser criativo: por exemplo, a teoria do Multiverso faz parte da metafísica naturalista e é bastante criativa — embora não necessite de “provas”. Os naturalistas (da laia do Carlos Fiolhais) defendem as “provas” quando lhes convém; mas quando não lhes convém, abraçam os dogmas do naturalismo enquanto religião secularista.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

As objecções ao argumento de Plantinga, pelo Domingos Faria

 

O Domingos Faria escreve aqui um artigo sobre o argumento de Plantinga acerca da incompatibilidade entre o naturalismo e o evolucionismo. Eu já tinha escrito um outro verbete em 2008 acerca do mesmo assunto.

O Domingos Faria apresenta objecções ao argumento de Plantinga:

“Como objecção imediata a esta argumentação pode-se alegar, tal como Dennett (2011, p. 35-36/51-52), que os nossos cérebros são mecanismos sintácticos que são concebidos pela evolução para localizar a verdade. Deste modo, a evolução por selecção natural, com o pressuposto de que não é orientada, tal como explica por que razão os corações são altamente fiáveis na função de bombear o sangue ou por que razão os olhos são altamente fiáveis a percepcionar o meio envolvente, também explica por que motivo as crenças que são provocadas por esses olhos ou por outros sentidos são altamente fiáveis na função de obter a verdade”.

sapoDamos o exemplo de um sapo, que alegadamente foi objecto de evolução.

Um sapo come insectos; mas ele (o sapo) só vê os insectos que se mexem. Se uma formiga estiver a dois centímetros da boca dele mas estiver imóvel, o sapo não a “vê” e, portanto, não a come. Ou seja, o olho do sapo foi programado pela “evolução” para detectar apenas o movimento.

Portanto, a ideia segundo a qual os órgãos sensoriais são “altamente fiáveis” para detectar o meio-ambiente (ou a Verdade, no ser humano) em função da evolução, é um sofisma. Não se trata apenas de crenças: trata-se sobretudo de limitações orgânicas.

É certo que se a fisiologia humana não tivesse alguma correspondência com a Realidade, o ser humano seria extinto. Mas isso não significa que os mecanismos de sobrevivência sejam “altamente fiáveis” — como vimos no exemplo do sapo.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Anselmo Borges e o enigma de Deus

 

Anselmo Borges escreve o seguinte:

“É possível que Deus exista, mas também pode não existir. Ninguém pode dizer que sabe que Deus existe, mas também ninguém pode dizer que sabe que Deus não existe. Ninguém sabe se na morte encontramos a vida na sua plenitude em Deus ou se, pelo contrário, para cada pessoa tudo acaba na morte. Este é o grande enigma da vida de cada homem, de cada mulher”.

Anselmo Borges poderia ter escrito: “Este é o grande enigma da vida de cada ser humano”, englobando o homem e a mulher em uma mesma categoria. Mas o politicamente correcto exige que o homem e a mulher pertençam a espécies diferentes. Noutros tempos, dizíamos “Minhas senhoras e meus senhores!” por uma questão de boa educação; hoje, dizemo-lo por obrigação politicamente correcta.


Anselmo Borges erra quando confunde “enigma”, por um lado, e “mistério”, por outro lado.

Aliás, esse erro foi decalcado do livro do jesuíta a que se refere o Anselmo Borges no artigo. Quando estudei a História de Portugal no liceu, pensei que a expulsão dos jesuítas por parte do Marquês de Pombal tivesse sido um exagero; hoje tenho dúvidas se não teria justificação racional. Não é acaso que o papa-açorda Francisco é jesuíta.

Um enigma tem solução, por princípio; um mistério é insolúvel, à luz da razão humana.

O problema do homem moderno é o de que não aceita, por princípio, de que há coisas que não compreende (no sentido do racional determinístico) e nem nunca compreenderá: a ideia segundo a qual possam haver realidades ou fenómenos racionalmente inacessíveis ao ser humano é um sacrilégio modernista e cientificista.

Perante o Ser de Deus (e não a “existência” de Deus, porque Deus não “existe” da mesma forma que o Anselmo Borges), o ser humano debate-se com um mistério, e não com um enigma. Por isso é que a Igreja Católica tradicional fala do “mistério da fé”; talvez a Igreja Católica do papa-açorda Francisco, cientificista e secularista, passe a falar no “enigma da fé”.


A julgar pelo texto de Anselmo Borges, Deus é uma espécie de velho com barbas brancas que vive acima das nuvens, na companhia de S. Pedro que é o manda-chuva. Por isso é que, segundo o Anselmo Borges e o jesuíta autor do livro, “ou Deus existe, ou não existe”. “O ser de Deus não pode ser compreendido como a existência de um existente ao lado ou acima de outros existentes. Se Deus fosse um existente, estaria submetido às categorias da finidade, sobretudo ao espaço e ao tempo” (Paul Tillich).

“O espiritual é fundamental para mim; vou mesmo ao ponto de afirmar que não existe matéria, mas apenas espírito. (…) Aquilo que constitui o fundamento da realidade não é a matéria, mas um campo que, no entanto, não é material, representando, contudo, uma espécie de potencialidade. Um potencial que possui a capacidade de se materializar”. Quem escreveu isto não foi o abade da minha paróquia: foi Hans-Peter Dürr 1.

A ciência actual não pode ser materialista; ou não é ciência. Mas a verdade é que o naturalismo continua a ser o esteio da ciência que impõe uma cultura materialista.


Finalmente, Anselmo Borges confunde “dogma religioso” com “dogma cientificista” — colocando os dois tipos de dogma no mesmo plano ou nível.

É certo que o cientificismo naturalista é uma espécie de religião, mas trata-se de um monismo, imanente e materialista; é uma espécie de religião que apenas se foca em uma pequena parte da Realidade.

A Bíblia é um livro com que os primeiros cristãos transmitiram as suas experiências com Deus sob a forma de imagens, mitos e metáforas. As imagens dizem mais do que as palavras, porque conseguem superar frequentemente a contradição entre o individual e o universal. Por exemplo, a arte: a arte começa onde a linguagem acaba. A religião utiliza a arte das imagens para criar a símbolos intersubjectivos que formam a comunidade dos crentes.

Para que estas experiências, e as respectivas imagens (símbolos) que as representam, possam fundar uma comunidade, aquelas são formuladas em dogmas. No sentido religioso propriamente dito — mas não no sentido cientificista ou naturalista —, um dogma é uma afirmação sobre a Realidade que está para além daquilo que é alcançável através da linguagem. O dogma religioso é a tradução do modus ponens da experiência secular religiosa dos cristãos: é uma espécie de “ajuda racional”.

Ou seja, o dogma religioso é um dogma positivo; o dogma cientificista é um dogma negativo (a negação do Ser). Colocar os dois tipos de dogma no mesmo plano de análise, é uma estupidez.


Nota
1. “Gott, der Mensch und die Wissenschaft”, 1997

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Uma sociedade sem o conceito de “milagre” é uma sociedade destruída

 

No fim de cada tentativa de fundamentação da realidade, surge apenas aquilo que foi introduzido nela no início. Fazendo uma analogia: se introduzirmos carne em uma picadora de carne, obtemos carne picada com o resultado da nossa acção — e não outra coisa qualquer.

Assim, em uma sociedade fundamentada no materialismo não pode haver lugar para um Deus imaterial, porque a própria hipótese de um mundo exclusivamente material implica a não existência de Deus. O pensamento humano é circular e contraditório, por natureza.

Em uma sociedade em que não há lugar para um Deus imaterial, também não há lugar para os milagres — mesmo que eles aconteçam a cada momento. No fim da tentativa da fundamentação materialista da realidade, surge apenas materialismo e nada mais do que isto. E, em uma sociedade materialista, o ser humano não consegue ver nada senão matéria, e é por isso que os milagres deixam de existir, porque ninguém os vê.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O conceito de “sociobiologia”, segundo Karl Popper

 

«A ideologia darwinista contém uma tese muito importante: a de que a adaptação da vida ao meio ambiente (…), que a vida vai fazendo ao longo de biliões de anos (…), não constituem quaisquer invenções, mas são o resultado de mero acaso. Dir-se-á que a vida não fez qualquer invenção, que tudo é mecanismo de mutações puramente fortuitas e da selecção natural; que a pressão interior da vida mais não é do que um processo de reprodução. Tudo o resto resulta de um combate que travamos uns com os outros e com a Natureza, na realidade um combate às cegas 1. E o resultado do acaso seriam coisas (no mesmo entender, coisas grandiosas) como seja a utilização da luz solar como alimento.

Eu afirmo que isto é uma vez mais uma ideologia: na realidade, uma parte da antiga ideologia darwinista, a que aliás pertence também o mito do gene egoísta 1 (os genes só podem actuar e sobreviver através da cooperação) e o social-darwinismo ressurgido que se apresenta agora, renovada e ingénuo-deterministicamente, como “sociobiologia”.»2

Notas
1. referência a Richard Dawkins
2. trecho extraído do texto da conferência proferida por Karl Popper em Alpbach, em Agosto de 1982

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Carlos Fiolhais e a crença nos gambozinos

 

Não li este livro nem vou ler. A julgar pelo prólogo, é mais daqueles livros de auto-ajuda que encontramos em trânsito entre aeroportos. E é sobre o prólogo que vou falar.

Em primeiro lugar, o conceito de “crescimento da complexidade”.

Este conceito existe hoje no seguimento da ideologia de Herbert Spencer — também adoptada por Richard Dawkins — que entende a “evolução” como uma diferenciação funcional individuante que obedece a uma intenção utilitarista que leva a subordinar o Todo à satisfação das partes. Richard Dawkins, (ainda) mais burro do que Spencer, coloca o problema em termos da “simplicidade de Deus”, por um lado, e a “complexidade da matéria”, por outro lado, tentando demonstrar por esta via que “o mais simples não pode estar na origem do mais complexo” — como se, matematicamente, a unidade fosse mais simples do que o múltiplo...!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O Naturalismo é o ópio do povo do século XXI

 

“In short, naturalism offers liberation, not from the bonds of superstition but from the burden of rationality.”
Decline in belief in God masks rise in superstition

O Naturalismo oferece a libertação do cidadão em relação ao fardo da racionalidade.

Seria necessário não um Papa exclusivamente preocupado com a práxis e que relega a doutrina e a tradição católicas para um plano secundário (como é o caso do cardeal Bergoglio), mas antes necessitaríamos de um Papa Filósofo, embora mais novo do que Bento XVI (precisaríamos de uma espécie de “cardeal Ratzinger” com menos vinte anos, no papado).

O relativo sucesso cultural do Naturalismo  consiste na inibição que induz em relação ao raciocínio lógico, em um tempo em que se pede à juventude que se especialize em uma determinada área do conhecimento e que não se preocupe muito com a lógica e com o raciocínio inteligente. O slogan politicamente correcto e naturalista segundo o qual “Letras são Tretas”, esconde uma intencionalidade de estupidificação colectiva (a que o blogue Rerum Natura, por exemplo, não está alheio, e daí a minha “sanha persecutória” em relação àquele blogue).

Concentrar a nossa atenção exclusivamente em um pequeno segmento da realidade, através de uma especialização técnica (alegadamente em nome da “ciência”) que exclui qualquer outra área do conhecimento que não lhe seja correlata, é uma tentativa de transformar o ser humano em uma espécie de robô e, por isso, em uma nova espécie de humanóide tendencialmente irracional. E os resultados desta tendência moderna estão aí: em vez da crença em Deus, cresce a superstição (mesmo que não consideremos o darwinismo como sendo uma superstição; mas que é uma crença como outra qualquer, disso não há dúvida!).

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A eliminação do valor ético como estratégia política anti-humana

 

“Reduzir a filosofia à análise linguística equivale a supôr que só há pensamento alheio” — Nicolás Gómez Dávila

O Padre Nuno Serras Pereira escreve um artigo, publicado aqui, acerca dos “nomes” que a classe política — quase toda ela, incluindo membros do CDS/PP — dão às coisas. Vale a pena ler o artigo (ler aqui em ficheiro PDF). A classe política tende a desligar os adjectivos, por um lado, dos substantivos; ou melhor dizendo: tende-se a suprimir — através de novos conceitos, muitas vezes ligados ao linguarejar científico — a condição ontológica do ser humano.

“O maior erro moderno não é o anunciar que Deus morreu; antes, é crer que o diabo está morto.” — Nicolás Gómez Dávila

Por exemplo, o conceito de “embrião” é extensível a qualquer animal, no seguimento do darwinismo ideológico de Ernst Haeckel que defendeu a ideia segundo a qual a célula viva era uma coisa muito simples e que tinha surgido espontaneamente da lama.

Ora, se um peixe também se forma mediante um “embrião”, os naturalistas colocam (pelo menos implicitamente) o ser humano ao nível ontológico de um peixe. E por isso é que Peter Singer diz que um pessoa na sua fase embrionária é equivalente a um peixe; mas, por outro lado, Peter Singer diz que a morte de um peixe é um assassínio a sangue frio, contrastando com o homicídio na forma de aborto e com o assassínio de crianças nascidas que, para ele, são apenas formas de tratar seres que não são humanos.

Esta predisposição naturalista — e mesmo científica — contra a vida humana é difícil de explicar senão através de uma metafísica maligna e diabólica. Quem acredita que o diabo não existe deve apenas olhar para a realidade e para os factos: a cruzada ideológica contra a vida humana é diabólica.