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quarta-feira, 11 de junho de 2025

O jogo de palavras de Peter Singer e dos defensores da validade moral da eutanásia


Peter Singer escreve aqui (mutatis mutandis): « não existe diferença (moral) entre “matar”, por um lado, e “deixar morrer”, por outro lado».

Ou seja, para o Peter Singer e para a Esquerda radical — que inclui o Partido Socialista da Isabel Moreira —, quando um médico recusa tratamento (ortotanásia) para manter artificialmente a vida de um doente terminal, para ele (Peter Singer), do ponto de vista moral, a ortotanásia é a mesma coisa que “matar o doente” (eutanásia).

Naturalmente que o Peter Singer joga com as palavras: em vez de ortotanásia, fala em em “eutanásia passiva” que pode ser definida assim:


«Eutanásia passiva ou indirecta, verifica-se quando a morte do paciente ocorre, dentro de uma situação terminal, ou porque não se inicia uma acção médica ou pela interrupção de uma medida extraordinária, com o objectivo de minorar o sofrimento.»

Vejamos, agora, a definição de “ortotanásia”:

«Ortotanásia é o termo utilizado pelos médicos para definir a morte natural, sem interferência da ciência, permitindo ao paciente morte digna, sem sofrimento, deixando a evolução e percurso da doença.»

Segundo as definições respectivas, “ortotanásia” é a mesma coisa que “eutanásia passiva”. “Eutanásia passiva” é um sofisma.

Tanto uma como a outra pressupõem os cuidados paliativos que reduzam ou eliminem a dor.


O que Peter Singer faz é distinguir ou diferenciar acções que são iguais ou têm efeito semelhante — e por isso classifica uma determinada forma de eutanásia de “eutanásia passiva” que, segundo ele, é diferente da eutanásia propriamente dita.

Por exemplo, uma pessoa que está em um estado de coma prolongado no tempo, e a quem é retirado o apoio vital ao estado de coma, é vítima de eutanásia. Porém, a essa forma de eutanásia, o Peter Singer chama de “eutanásia passiva” — induzindo o leitor incauto em erro.

A concessão do apoio vital ao doente em estado de coma não é distanásia, porque o doente vive sem a necessidade de acções médicas agressivas: por exemplo, dar água a beber (intravenosa) a um doente em estado de coma não é distanásia; mas retirar-lhe a água de beber é eutanásia, embora o Peter Singer lhe chame (alegadamente sendo coisa distinta) de “eutanásia passiva”.

Ou seja, Peter Singer parte de um sofisma baseado em palavras que significam o mesmo mas em relação às quais ele faz uma distinção artificial.

Já não é a primeira vez que a professora Helena Serrão cita textos de Peter Singer — o que significa que falta massa cinzenta à primeira para avaliar criticamente os textos do segundo.

Quando Peter Singer, defende a opinião (utilitarismo) segundo a qual os seres humanos com deficiências físicas graves não têm qualquer direito à vida, justifica a sua opinião, por um lado, com a situação real de um deficiente grave —“uma vida que não vale a pena” (diz ele, sic); mas, por outro lado, também com a utilidade que representa, para a sociedade, não ter encargos materiais com essas pessoas deficientes.

Assim, em primeiro lugar, o referido utilitarista incorre em um Sofisma Naturalista — dado que não podemos tirar conclusões morais a partir de um facto. E depois, ele pressupõe a existência de um consenso acerca do valor e dos custos convenientes de uma vida humana — consenso esse que não existe, de facto.

A incoerência da teoria ética de Peter Singer

Quando analisamos uma teoria ética, devemos ter em atenção três problemas:

1/ a consistência ou coerência interna da teoria ética;
2/ a consistência ou coerência da teoria ética em relação a outras concepções do autor da dita;
3/ a resposta da teoria ética de acordo com os nossos sentimentos éticos, ou de acordo com os sentimentos éticos do senso-comum.

Se, em relação aos pontos 1 e 2, a conclusão é negativa, ou a teoria ética não é válida, na medida em que existe um qualquer erro intelectual; mas se for negativa em relação ao ponto 3., não podemos dizer que o autor errou mas apenas que não estamos de acordo com a teoria.

Peter Singer baseia a sua teoria ética na oposição ao conceito de “especismo”.

O termo “especismo” foi cunhado pelo psicólogo inglês Richard Ryder e adoptado pelo “eticista” australiano Peter Singer. Neste contexto, o especismo é (alegadamente) uma doutrina ética segundo a qual o ser humano, ou seja, o homo sapiens, é superior aos outros animais do ponto de vista ontológico, do ponto de vista biológico, e do ponto de vista moral.

O argumento de Peter Singer contra o “especismo” – a que podemos chamar “animalismo”, porque não encontramos até agora qualquer terminologia nesse sentido –, é o de que a pertença a uma determinada espécie biológica não tem qualquer importância moral, biológica e ontológica.

Contudo, a teoria ética de Peter Singer — o “animalismo” — , como antítese do “especismo”, é incompatível com o darwinismo que considera o homo sapiens como o produto último da evolução biológica (ponto 2). Mas Peter Singer adopta também o darwinismo (ponto 1) na sua concepção ética. Ou seja, existe uma incoerência ou um inconsistência interna entre a teoria ética de Peter Singer (contra o especismo), por um lado, e outras concepções filosóficas dele (a favor da evolução darwinista).

Portanto, Peter Singer incorre em um erro intelectual grave e a sua teoria Ética não é válida. E a professora Helena Serrão tinha a absoluta obrigação de saber disto.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

A incoerência da teoria ética de Peter Singer


A professora Helena Serrão publica aqui um textículo da autoria de Peter Singer, o intelectual australiano ultra-utilitarista — “intelectual”, digo eu, porque não é filósofo, devido às profundas incoerências de que é ideologicamente portador.

No referido texto, Singer fala da obrigação moral de ajudar a salvar uma criança que se afoga num lago — o mesmo Singer que defende que é eticamente válido que uma mãe tire a vida a um filho recém-nascido (defesa do infanticídio).

Quando nos defrontamos com uma pessoa que defende uma coisa e o seu contrário, a perda de credibilidade impõe-nos que evitemos publicar textos dessa pessoa, para que não colaboremos com a inconsistência ideológica da criatura — como eu demonstrei aqui.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

A diferença ética e ontológica entre o Bloco de Esquerda e o IL (Iniciativa Liberal)

Nicolás Gómez Dávila escreveu o seguinte, acerca do regime de democracia representativa:

“Hay que repetirlo y repetirlo: la esencia de la democracia es la creencia en la soberanía de la voluntad humana.”

Desta vez não concordo com ele. A democracia americana, tal como estipulada originalmente pela Constituição dos Estados Unidos, não prescinde de Deus: a vontade humana, neste caso, só existe com o beneplácito da vontade de Deus.

Se a vontade humana for uma consequência da vontade de Deus, então a vontade humana torna-se dependente de um primeiro princípio, ou de um axioma — ou de um “dogma” como se escreve aqui. E, sendo dependente, a vontade humana não é soberana, mesmo que o ser humano viva em democracia.

O facto de se viver em democracia não significa necessariamente que se imponha, na cultura antropológica  a crença  na soberania da vontade humana.


“O que está a acontecer é uma revolução cultural e uma mudança de paradigma. Há cada vez mais pessoas que salvariam o seu cão em vez de um vizinho (des)conhecido de se afogar. O Humanismo está em falência não por ser errado, mas porque não tem sabido reconhecer no Animalismo um inimigo fatal.”

→ Em defesa dos direitos humanos ou introdução ao artigo de Joaquim Grave


Existe uma diferença de propósitos entre o liberalismo (utilitarismo) de Stuart Mill, por um lado, e o marxismo cultural, por outro lado.

O liberalismo utilitarista de Stuart Mill [representado actualmente em Portugal pelo IL (Iniciativa Liberal) e pelo PSD de Rui Rio] tinha (em finais do século XIX) como preocupação a organização da sociedade em benefício de seres humanos considerados “extraordinários” e extravagantes (os novos “super-homens” da nova aristocracia burguesa), e por isso obrigando toda a gente a “libertar-se” das restrições das tradições e dos costumes.

O marxismo cultural (representado em Portugal pelo Bloco de Esquerda, partido Livre, e uma parte do Partido Socialista, PAN) pretende o fim das restrições dos costumes como uma forma de minar a sociedade por dentro, tendo em vista um fim oposto ao do liberalismo: a instauração de um totalitarismo que imporá um “paraíso na Terra”, e que (alegadamente) surgirá espontaneamente na sequência de uma espécie de “apocalipse” (Fé Metastática).

O liberalismo utilitarista conduz a um social-darwinismo (uma sociedade organizada em benefício dos mais fortes). O marxismo cultural conduz a um totalitarismo distópico de tipo previsto no romance “1984” de George Orwell.

Ou seja, os meios são semelhantes entre uma e outra ideologia; mas os fins (os propósitos) são diferentes.

A preocupação do liberalismo utilitarista de Stuart Mill é com as “normas sociais opressivas” (a “libertação” em relação à opinião pública); em contraponto, os marxistas culturais servem-se da guerra contra as “normas sociais opressivas” para uma “destruição criativa”, radical e utópica da sociedade, tendo em vista um “paraíso” totalitário.


Uma sociedade sem tabus é um “círculo quadrado”.

especismo-2-webQuando se diz (na citação) que “o que está a acontecer é uma revolução cultural e uma mudança de paradigma”, o que se pode dizer é que o que está em causa é uma tentativa (por parte dos marxistas culturais) de mudar os tabus que regem a nossa sociedade — porque eles sabem muito bem que uma sociedade sem tabus é um “círculo quadrado”.

O aborto, o eugenismo, a eutanásia e o infanticídio são cada vez mais defendidos abertamente pelo movimento ecologista; os direitos dos animais em geral são equiparados aos direitos humanos.

Para que o aborto, o eugenismo, a eutanásia e o infanticídio deixem de ser tabus culturais, a Esquerda tem que encontrar (e impôr) novos tabus culturais — por exemplo, a censura da linguagem em nome de uma total discricionariedade subjectivista, a negação da existência dos dois sexos em nome da “igualdade”, a deslocalização do conceito de “opressão” da economia (marxismo clássico) para a psicologia — tornando a liberdade de expressão o grande problema da sociedade, e não a solução preconizada pelo Iluminismo; e o maniqueísmo de Marcuse traduz-se no conceito de tolerância repressiva: o marxismo cultural entende a liberdade de expressão como um mal que tem que ser erradicado.


end-espexcismo-webO movimento ecologista e animalista internacional trabalha arduamente para conduzir a humanidade à barbárie eugenista e anti-humanista a que já assistimos no princípio do século XX, nomeadamente com a ligação íntima entre os “Green Wing” alemães (Wandervögel) e o movimento nazi.

Hitler e Himmler eram vegetarianos e consideravam os direitos dos animais a par e equivalentes aos direitos humanos (Hitler gostava mais de cães do que de pessoas) ; a política nazi do “Blut und Boden” (Sangue e Chão) é indissociável da sua componente ideológica ecologista, que se desenvolveu a partir dos filósofos românticos como Nietzsche e do mito dogmático darwinista.

Mais tarde no século XX, alguns “filósofos” seguiram a tradição “revolucionária” de menorização da importância do ser humano no contexto da Natureza, nomeadamente Marcuse e/ou Heidegger; mas também, por exemplo, pelo Padre jesuíta (e, por isso, panteísta) Pierre Teilhard Chardin que muitos "católicos fervorosos" prezam.

Porém, o verdadeiro guru do animalismo ecologista actual é Peter Singer.

Para que se tenha uma ideia do enorme problema que os portugueses têm entre mãos, grande parte dos professores de filosofia em Portugal doutrinam as nossas crianças com a teoria do “especismo”, da autoria de Peter Singer (a ler: A incoerência da teoria ética de Peter Singer).

Em Portugal, um dos exímios intérpretes de Peter Singer é Pedro Galvão, que os “professores de filosofia” que estão na moda tanto respeitam.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

A escola pública ensina e aconselha aos adolescentes as “virtudes do infanticídio”


Peter Singer é um professor de filosofia (o que não significa que ele seja necessariamente um filósofo) nos Estados Unidos.

Faz parte da filosofia moral de Peter Singer a defesa da legalização do infanticídio; e é esta “filosofia moral” que é ensinada a adolescentes do 10º ano de escolaridade, no “telensino” do Rolando Almeida.

telensino-singer-web

E depois temos gente a pedir prisão perpétua para os infanticidas — fazendo de conta que não sabem que é o próprio sistema de ensino e a cultura adquirida que estimulam a prática de infanticídio.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O grau zero da ética

 

Quando nós temos gente miserável, do ponto de vista ético, a dar aulas de filosofia aos nossos filhos ou netos, deparamo-nos com artigos destes ilustrados com imagens como esta aqui em baixo:

peter-singer-obesidade-custos

O problema ético da obesidade, segundo o Rolando Almeida (que segue o guru Peter Singer), são os “custos extras”.


Bobbi-Jo-Westley-webPodemos inferir do “raciocínio” do Peter Singer (que o Rolando Almeida venera) que “se a obesidade não tivesse custos extras” — por exemplo, se existisse a eutanásia compulsiva para os obesos — “não haveria qualquer problema ético com a obesidade”. E nada vale ao Rolando Almeida meter o Desidério Murcho na “cumbersa” — porque se o Desidério Murcho pensa da mesma maneira que o Rolando Almeida, é tão sabujo quanto ele.

Vemos, por exemplo, aqui ao lado a foto de uma mulher que pesa 250 kg e diz que se sente orgulhosa em ter as ancas mais largas do mundo com 2,41 metros.

Basta olharmos para ela para percebermos intuitivamente que o problema dela não são os “custos extras”; qualquer pessoa mentalmente saudável — que não seja o Rolando Almeida ou o Desidério Murcho — percebe intuitivamente que o problema dela é o da sua própria saúde, e que o valor da saúde dela está antes (vale mais do que) de qualquer custo material que possa existir em relação à sua condição existencial.

Por outras palavras: não existe qualquer consenso sobre quanto vale uma vida humana — mas o Peter Singer, o Rolando Almeida e o Desidério Murcho, entre outros, já fizeram as contas e já sabem quais são os “custos extras” de uma qualquer vida humana.

O problema acontece quando nos calha a nós próprios. O Peter Singer andou décadas a dizer que a vida dos doentes de Alzheimer não valia a pena ser vivida, mas quando a mãe dele contraiu a doença de Alzheimer, Peter Singer contratou as melhores enfermeiras para estarem com ela 24 horas por dia. E é este filho-de-puta incoerente que é adorado por “professores de filosofia” que escrevem livros, mas que têm um défice cognitivo evidente.

Reduzir os valores da ética aos “custos”, é de um cinismo inqualificável; ou é próprio de um mentecapto.


O verbete do Rolando Almeida em ficheiro PDF

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Peter Singer diz que é eticamente correcto violar sexualmente deficientes mentais e crianças

 

Gostaria de saber como o Rolando Almeida (grande admirador de Peter Singer) e o guru Desidério Murcho irão descalçar esta bota.

No seu livro, “Pratical Ethics”, Peter Singer defende a ideia segundo a qual as crianças nascidas com deficiências devem ser assassinadas (voltamos ao tempo de Aristóteles); e vai mais longe: no caso de crianças nascidas com spina bifida, é moralmente errado e grave não as assassinar.

No caso de crianças nascidas com deficiências menos graves como, por exemplo, a hemofilia, Singer diz que a vida dessas crianças depende da opinião dos pais: se os pais se sentem felizes com um filho com hemofilia, então essa criança não é assassinada. Se o assassínio de uma criança hemofílica não tem consequências adversas em relação a outras pessoas — argumenta Singer —, então será eticamente correcto assassiná-la.

É este filho-de-puta que é professor de bioética da universidade de Princeton. E há outros filho-de-puta parecidos com ele que controlam as decisões éticas universais em Portugal. É tempo de mudar, e radicalmente; este tipo de gente deve estar na prisão, e não nas universidades.


Mas o filho de um cabrão vai mais longe; em um artigo publicado no NYT, Peter Singer defende a ideia segundo a qual não é moralmente errado violar (sexualmente) pessoas deficientes cognitivas. [já estou a ver o Manuel Pureza e o Bloco de Esquerda a ficarem excitados com esta ideia]

Diz ele (Peter Singer), resumindo:

Se assumirmos que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não percebe o significado das relações sexuais, e/ou não percebe o significado da violação sexual, então essa pessoa é incapaz de dar um consentimento informado para relações sexuais; aliás, essa pessoa não tem sequer a noção do que é o “consentimento sexual”. Porém, parece ser razoável deduzir que a experiência da violação sexual seja prazenteira para essa pessoa deficiente — porque mesmo que tenha uma deficiência cognitiva, essa pessoa poderia oferecer resistência à violação sexual.

¿O que é que o cabrão do Peter Singer quer dizer com isto? Notem bem.

Peter Singer assume que uma pessoa com uma deficiência cognitiva profunda não tem a noção de “consentimento sexual”. E porque não tem a noção de “consentimento sexual”, não pode assumir esse consentimento sexual. E porque essa pessoa não resiste à violência sexual, é razoável assumir que o deficiente cognitivo “estava numa boa” enquanto estava a ser violado — o que significa que (segundo Peter Singer) é irracional que alguém pense que causaria qualquer dano o exercício de um acto sexual não-consensual com essa pessoa deficiente cognitiva.

Ou seja: se uma pessoa é “suficientemente” deficiente mental, então é correcto violá-la sexualmente, desde que essa pessoa deficiente não ofereça resistência. O argumento é exactamente o mesmo defendido por Singer a favor da bestialidade (o sexo com animais): Peter Singer coloca os animais, em geral, no mesmo plano ontológico de um ser humano deficiente cognitivo. E como as crianças também não têm a noção de “consentimento sexual”, Peter Singer defende a pedofilia, desde que as crianças não resistam à violação sexual do adulto.

Da próxima vez que o Rolando Almeida vier defender as teses de Peter Singer, vou ter que o insultar aqui.

O que é espantoso no argumento de Peter Singer é o seguinte: se uma pessoa não tem a noção de “consentimento sexual”, então não existe “violação sexual”. Seria, mais ou menos, como dizer que uma boneca insuflável não pode dar o consentimento sexual nem alegar violação sexual. Portanto, violar pessoas com deficiência cognitiva profunda é eticamente aceitável.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Síntese crítica da teoria subjectivista niilista de Peter Singer (parte 1)

 

Um dos problemas do consequencialismo (em ética), é a certeza do futuro. O consequencialista puro tem a certeza do futuro.

Por exemplo: se eu vejo um automóvel a uma velocidade de 150 quilómetros / hora dentro da cidade, posso afirmar o seguinte:

“É provável que aquele automóvel tenha um acidente dentro da cidade”.

Se o automóvel vai a 80 quilómetros / hora, posso dizer:

“É verosímil que aquele automóvel tenha um acidente dentro da cidade”.

Se o automóvel vai a 40 quilómetros / hora, posso afirmar:

“É possível que aquele automóvel tenha um acidente dentro da cidade”.

Mas em nenhum caso posso ter a certeza, porque ninguém conhece o futuro. Mas o consequencialista conhece o futuro: senão vejamos o que diz o Peter Singer:

“On absolute moral standards: There are still absolutists. Some are proponents of the “new natural law” tradition, which has its roots in Catholic moral theology, even though it is presented as a secular position. Others are Kantians, many of them outside English-speaking philosophy. In Germany, for example, you would find wide support for the idea that we should not torture a child, even if (as in Dostoevsky’s example in The Brothers Karamazov) that would produce peace on earth forever. To me it seems obvious that if by torturing one child you could prevent a vast number of children (and adults) suffering as much or more than the child you have to torture, it would be wrong not to torture that child.”

Peter Singer diz que torturar uma criança não é mau, se a tortura dessa criança evitar que um vasto número de crianças e adultos venham a sofrer também (o nazi Josef Mengele pensava da mesma forma, quando fazia experiências médicas com crianças judias).

Há aqui uma certeza, da parte de Peter Singer: a de que a consequência do sofrimento (causado propositadamente) dessa criança aliviará, no futuro, o sofrimento de muitas outras crianças e de adultos. E por isso, diz Peter Singer, a tortura dessa criança até é coisa muito boa de se fazer; porque ele tem a certeza do futuro, tal como Mengele tinha.

Mas se a tortura for aplicada em um porco ou num cão, Peter Singer já não concorda com o seu próprio consequencialismo, porque ele considera que um porco ou um cão é um animal superior a uma criança. Mas deixemos esta incongruência para um outro verbete.

Não sei se Peter Singer tem filhos, mas se torturassem um filho dele para “bem da humanidade”, talvez ele não ficasse feliz. Talvez ele não tenha filhos para poder defender a tese da “tortura racional de uma criança”. (Por outro lado, Peter Singer é contra a tortura de terroristas islâmicos no GITMO; porque um terrorista islâmico é um adulto, e não uma criança: para Peter Singer, uma criança tem um valor ontológico inferior a um adulto).

O problema do consequencialismo puro é que não distingue o racionalmente impossível, o possível, o verosímil, o provável, e a certeza.

Para o consequencialista puro, o futuro é sempre uma certeza subjectiva, ou intersubjectiva de uma elite. E como o futuro é sempre uma certeza da elite, a sua moral é teleológica: os fins justificam quaisquer meios, porque se tem a certeza de que os fins se realizarão exactamente conforme o pressuposto.

No consequencialista puro coexiste um romântico e um positivista (porque o positivismo é o romantismo da ciência).

Mas mesmo que tivéssemos a certeza do futuro, segundo o qual a tortura de uma criança beneficiaria muitas outras crianças e adultos, essa tortura seria barbárie, do ponto de vista ético — porque nem todos os fins justificam quaisquer meios; há limites.

E aqui o limite é o do ADN da criança que é um ADN humano, único e irrepetível.

O que nos separa irredutivelmente de Peter Singer é o valor do ser humano: para ele, o ser humano tem um determinado valor, dependendo se é uma criança, um adulto ou um velho. Porém, o problema de Peter Singer é que não existe um consenso universal e geral sobre quanto vale um ser humano; e portanto, o valor que ele dá ao ser humano é um valor subjectivo que, ipso facto, não pode ser universal e, por isso, não se pode transformar em uma teoria ética propriamente dita.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Manuel Maria Carrilho e a sociedade emasculada de Engels

 

O Pedro Arroja põe-se a jeito com algumas teorias abstrusas; por exemplo, a de que a sociedade portuguesa é feminina. Se “a sociedade portuguesa é feminina” (como diz o Pedro Arroja), ¿o que dizer das sociedades alemã e nórdicas, por exemplo?

mulheres-be-web

isabel-moreira-jc-webO que se está a passar na Europa é um fenómeno cultural marcadamente marxista (gramsciano) que passa pela instrumentalização dos me®dia no sentido da emasculação do homem, e a promoção de uma sociedade matriarcal (matriarcado) tal como aconselhado por Engels.

E, por outro lado, a emasculação do homem é defendida como uma solução para o Aquecimento Global, uma vez que o feminismo defende a ideia de que os flatos dos bebés causam o Aquecimento Global; ou seja: para o feminismo politicamente correcto marxista, quanto mais paneleiros, menos Aquecimento Global.

Nessa sociedade de eunucos e emasculados, por um lado, e de amazonas lésbicas, por outro lado, o homem tem um estatuto social inferior — como podemos inferir da opinião da Isabel Moreira acerca Manuel Maria Carrilho.

Na sociedade de Engels, a mulher tem sempre razão nos seus actos (mesmo quando pratica o infanticídio, por exemplo). E o modelo da sociedade de Engels voltou a estar na moda com merda de gente como o panasca Foucault ou psicopata Peter Singer que é ensinada nas nossas universidades.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Não é ódio a Peter Singer: é a massa crítica que falta ao Rolando Almeida

 

“A base do argumento de Singer neste livro é a seguinte: Se uma acção x produzir um maior bem para mais pessoas, então é uma acção moralmente correcta”.

→ Rolando Almeida (professor de filosofia)


Não há qualquer dúvida histórica de que o holocausto dos judeus por parte do partido nazi beneficiou (materialmente) a esmagadora maioria dos alemães. Mas, da acção do extermínio nazi dos judeus não se pode dizer que foi moralmente correcta — a não ser que o Rolando Almeida pense o contrário, o que não me surpreenderia.

O argumento do “ódio contra Peter Singer” é risível, se não fosse perigoso: dá a ideia de que qualquer crítica a determinados raciocínios politicamente correctos é sempre uma expressão de ódio. Tudo o que afronta racionalmente o politicamente correcto é fobia!

Já demonstrei (racionalmente!; não se trata de uma fobia) que a doutrina ética do “especismo” de Peter Singer, por exemplo, é incoerente. E fica aqui demonstrado racionalmente que o Rolando Almeida é estúpido.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Quando leio Peter Singer, fico com os cabelos em pé

 

Neue Zuricher Zeitung: You do not consider an infant to be more worthy of protection than an embryo. On the other hand, you do not necessarily ascribe a higher status to humans than to animals.

Peter Singer: Belonging to the human species is not what makes it morally wrong to kill a living being. Why should all members of the species homo sapiens have a right to life, whereas other species do not? This idea is merely a remnant of our religious legacy. For centuries, we have been told that man was created in the image of God, that God granted us dominion over the animals and that we have an immortal soul.

→ Peter Singer ‘disinvited’ from German philosophy festival

Chegamos hoje ao absurdo de termos que nos questionar por que razão a vida de um ser humano é mais importante e valiosa do que a vida de um peixe, por exemplo. Peter Singer pergunta: “¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”. E depois atribui a maior importância dada à vida humana à “herança religiosa”.


Desde o tempo do paleolítico — ainda não existiam as religiões universais — que a vida humana, na tribo ou no clã, era mais importante do que a dos animais caçados. Portanto, a ideia de Peter Singer segundo a qual “a maior importância dada à vida humana é uma herança religiosa” é uma estupidez de todo o tamanho — a não ser que os trogloditas e os palafitas já fossem cristãos!

Fico com os cabelos em pé ao constatar que Peter Singer é hoje considerado um “grande filósofo”!

A razão por que “a vida humana é considerada mais importante e valiosa do que a dos outros animais” é, em primeiro lugar, a de que o ser humano é um animal gregário (social). Tão simples quanto isto. É uma razão biológica e natural. Só tem a ver com religião por via das diversas diferenciações culturais que desde o tempo do paleolítico foram forjando novas religiões. O “ter a ver com religião” é uma causa secunda construída a partir da natureza humana fundamental.


Desconstruído o argumento da “religião”, vamos ao argumento absurdo principal:

“¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”

Peter Singer parte do princípio da aceitação da superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais — porque só o ser humano pode fazer a pergunta supracitada —, para depois negar a superioridade ontológica (a superioridade do Ser) do ser humano. Se Peter Singer não aceitasse a priori a superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais, a pergunta não faria qualquer sentido.

A partir de uma assimetria moral (entre o ser humano e os outros animais), Peter Singer cria uma simetria ontológica (entre o ser humano e os outros animais) — porque os outros animais não são capazes de pensar o mesmo, em termos morais, em relação ao ser humano, e por isso não podemos colocar o ser humano e as outras espécies em um mesmo plano moral, ontológico e natural.

Assimetria moral → simetria ontológica = contradição em termos

Ou seja: para Peter Singer, o ser humano é moralmente superior aos outros animais, mas simultaneamente ele nega que a vida humana tenha mais valor do que a de um peixe.

Para Peter Singer, a superioridade moral do ser humano — que, no fundo, é uma forma de “domínio” — funciona como um instrumento de negação da superioridade ontológica do ser humano. Ora, se Peter Singer aceita a priori o primeiro tipo de superioridade, tem que logicamente aceitar o segundo.

Por maioria de razão, a assimetria moral permite ao ser humano proteger (ou não: trata-se do livre-arbítrio que o ser humano tem e os outros animais não têm) os animais; mas não implica, por essa razão, que o ser humano seja ontologicamente equivalente ou idêntico às outras espécies.

Por vezes, tenho a sensação de que Peter Singer tem sérias dificuldades com a Lógica.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

¿Quanto vale uma vida humana?

 

Peter Singer — o guru de Pedro Galvão, de Rolando Almeida e talvez de Desidério Murcho, entre outros semi-deuses — defendeu recentemente em uma entrevista a uma estação de rádio que as crianças com deficiência não deveriam ter apoio médico (as companhias de seguros deveriam recusar prémios de saúde a essas crianças).

Peter-Singer-pig-webPeter Singer já sabe quanto vale uma vida humana; é uma questão de fazer as contas. E semi-deuses como o Pedro Galvão, la crème de la crème, também já tem esse conhecimento. Só os ignaros como eu e você, caro leitor, ainda não sabemos exactamente quanto vale uma vida humana — a vida dos outros, obviamente, porque Peter Singer, Rolando Almeida e Pedro Galvão sabem bem quanto valem as suas próprias vidas...!

A diferença entre Peter Singer e um vulgar ideólogo nazi é a de que o primeiro avalia a vida humana pelo custo económico que essa vida implica para a sociedade, ao passo que o segundo avalia a vida humana por um critério de superioridade de uma raça sobre as outras. Mas o corolário das duas doutrinas é semelhante.

Peter Singer (e Pedro Galvão, Rolando Almeida, etc.) pensam que aquilo que é útil para o indivíduo ou para a sociedade deve ser designado como “bom”. E, neste sentido, o argumento de Peter Singer é o seguinte:

“Não quero que o meu prémio de seguro de saúde aumente em valor para que crianças, que tem uma qualidade de vida nula, possam ter tratamentos caros”.

Este é um argumento comum à Esquerda libertária e à Direita neoliberal. O Pedro Galvão e o Rolando Almeida, “filósofos” de tarimba, assinariam por baixo. “Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa”.

Claro que eu, que não sou filósofo, e você também caro leitor, colocamos as seguintes e singelas perguntas: ¿Quem define o que é útil? E para quem há-de ser útil?

E dou comigo a pensar: se os valores morais são estabelecidos de acordo com critérios de utilidade individual ou social, Peter Singer (e os outros semi-deuses supracitados) podem sempre abandonar esta moral por motivos de uma prudência egoísta — como fez Peter Singer em relação à sua própria mãe que sofre da doença de Alzheimer: em vez de defender a eutanásia dela, arranjou e paga a enfermeiras para cuidar dela.

Ou seja, para Peter Singer, o princípio do interesse próprio também é muito útil. ¿Por que razão a utilidade para o maior número de possível de seres humanos deve estar acima da utilidade privada de Peter Singer?!!

sdQuando Peter Singer defende a opinião de que os seres humanos com deficiências não têm qualquer direito à vida, justifica a sua opinião, por um lado, com a situação real de um deficiente — diz ele que “é uma vida que não vale a pena” —, mas, por outro lado, também com a utilidade que representa para a sociedade não ter mais encargos financeiros com essas pessoas com deficiência.

Em primeiro lugar, Peter Singer comete um sofisma naturalista, visto que não se pode tirar conclusões morais de um facto — e isto é tão básico que não entendo como se pode chamar de “filósofos” a essas bestas acima mencionadas.

Em segundo lugar, Peter Singer pressupõe que existe um consenso acerca do valor e dos custos convenientes de uma vida humana, consenso esse que não existe de facto.

Em terceiro lugar, eu desconstrui a lógica da “ética” de Peter Singer (ver aqui). Em um fórum na Internet nos Estados Unidos de apaniguados de Peter Singer, expus a desconstrução lógica da ética de Peter Singer e ninguém foi capaz de me rebater ou refutar com argumentos racionais e lógicos, mas fui vastamente insultado e achincalhado pelos sequazes de Peter Singer, por exemplo, apodado de “português de merda” (“shitty Portuguese”). Quando não se tem razão, só resta o ad Hominem.

sábado, 18 de abril de 2015

A incoerência da teoria ética de Peter Singer

 

Quando analisamos uma teoria ética, devemos ter em atenção três problemas:

1/ a consistência ou coerência interna da teoria ética;

2/ a consistência ou coerência da teoria ética em relação a outras concepções do autor da dita;

3/ a resposta da teoria ética de acordo com os nossos sentimentos éticos, ou de acordo com os sentimentos éticos do senso-comum.


Se, em relação aos pontos 1 e 2, a conclusão é negativa, a teoria ética não é válida, na medida em que existe um qualquer erro intelectual; mas se for negativa em relação ao ponto 3., não podemos dizer que o autor errou mas apenas que não estamos de acordo com a teoria.

Peter Singer baseia a sua teoria ética na oposição ao conceito de especismo.

O termo “especismo” foi cunhado pelo psicólogo inglês Richard Ryder e adoptado pelo “eticista” australiano Peter Singer.

Neste contexto, o especismo é (alegadamente) uma doutrina ética segundo a qual o ser humano, ou seja, o homo sapiens, é superior aos outros animais do ponto de vista ontológico, do ponto de vista biológico, e do ponto de vista moral.

O argumento de Peter Singer contra o especismo – a que podemos chamar “animalismo”, porque não encontramos até agora qualquer terminologia nesse sentido – , é o de que a pertença a uma determinada espécie biológica não tem qualquer importância moral, biológica e ontológica.

Contudo, a teoria ética de Peter Singer — a podemos chamar de “animalismo” — , como antítese do especismo, é incompatível com o darwinismo que considera o homo sapiens como o produto último da evolução biológica (ponto 2). Mas Peter Singer adopta também o darwinismo (ponto 1) na sua concepção ética.

Ou seja, existe uma incoerência ou uma inconsistência entre a teoria ética de Peter Singer (contra o especismo), por um lado, e por outro lado, outras concepções filosóficas dele (a favor da evolução darwinista).

Portanto, Peter Singer incorre em um erro intelectual e a sua teoria ética não é válida.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Professores universitários ingleses defendem que deveria ser legal matar uma criança nascida

 


« Parents should be allowed to have their newborn babies killed because they are “morally irrelevant” and ending their lives is no different to abortion, a group of medical ethicists linked to Oxford University has argued.

The article, published in the Journal of Medical Ethics, says newborn babies are not “actual persons” and do not have a “moral right to life”. The academics also argue that parents should be able to have their baby killed if it turns out to be disabled when it is born.

The journal’s editor, Prof Julian Savulescu, director of the Oxford Uehiro Centre for Practical Ethics, said the article's authors had received death threats since publishing the article. He said those who made abusive and threatening posts about the study were “fanatics opposed to the very values of a liberal society”. »

→ Killing babies no different from abortion, experts say

Eis o resultado da teoria ética darwinista, naturalista e utilitarista de Peter Singer.

baby-bornMuitos idiotas dizem que Karl Marx não foi co-responsável pelos Gulag soviéticos; ou que Nietzsche não foi co-responsável pelo nazismo, são os mesmos idiotas que dizem que o utilitarismo exacerbado de Peter Singer não é co-responsável pelo infanticídio.

Peter Singer não deveria apenas ser forçado a deixar a universidade: deveria ser preso e julgado por um novo crime a criar no ordenamento jurídico internacional: “crime contra a humanidade em potência” — porque as ideias têm consequências. Peter Singer pode ser comparado a um clérigo radical islâmico que defende o assassinato de pessoas inocentes: o lugar dele é na prisão.

Mas não só: professores de “filosofia”, como por exemplo o Rolando Almeida, que defendem publicamente as ideias de Peter Singer, deveriam ser forçados a abandonar o ensino. A tolerância tem os limites da misericórdia em relação ao ser humano: a impiedade em relação ao ser humano não pode ser, de modo nenhum, tolerada.

A liberdade de expressão tem limites. Por exemplo, não podemos tolerar  liberdade de expressão racista do Ku Klux Klan; assim como não podemos tolerar a liberdade de expressão de gente que segue a ideologia de Peter Singer. Não se trata, aqui, de um “politicamente correcto” da minha parte: trata-se da defesa da inviolabilidade da vida do ser humano, o que é uma questão metafísica que vai para além da ética exclusivamente humana e da política.

Se ter o direito de defender publicamente o assassínio de crianças nascidas faz parte do liberalismo político, então tratemos urgentemente de acabar com ele.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Peter Singer deveria ser preso e acusado de crime contra a humanidade

 

«Uma tendência observada por activistas pró-vida próximos de estudantes universitários nos EUA, é a crescente aceitação do “aborto pós-nascimento”, ou seja, matar a criança depois que ele ou ela nasceram, afirmam líderes pró-vida ao “The Fix College”.

A evidência anedótica constatada por líderes dos grupos pró-vida como “Criados Iguais” e “Sobreviventes ao Holocausto do Aborto” disseram em entrevistas que não só eles vêem mais estudantes universitários que dizem apoiar o aborto pós-nascimento, mas alguns estudantes ainda sugerem que as crianças até 4 ou 5 de idade também podem ser mortos, porque eles ainda não são “auto-conscientes”.»

→ Aborto é coisa do passado, a moda nos EUA agora é o infanticídio explícito

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Os “humanistas” são desumanos

 

Duas notícias em dois dias: Peter Singer defende a ideia segundo a qual os condenados a prisão perpétua deveriam ter direito a escolher a eutanásia; Richard Dawkins defende a ideia de que “quem não aborta uma criança com síndroma de Down é imoral”.

O leitor poderá questionar-se: “¿e que importância tem isso? Ninguém lhes dá atenção!”. Porém, é bom recordar que dois malucos do século XIX tiveram ideias esquisitas e que aparentemente ninguém lhes deu atenção, mas que foram responsáveis morais pela morte de muitas dezenas de milhões de seres humanos: Karl Marx e Nietzsche.

lifeDizer a um condenado a prisão perpétua que ele tem a opção da eutanásia, e dada a situação em que ele se encontra, não é só sugerir-lhe a eutanásia: é induzi-la psicologicamente. Um condenado a prisão perpétua nunca está em uma situação de autêntica liberdade para escolher a eutanásia. Por isso, a sugestão da eutanásia a um condenado a prisão perpétua é uma indução psicológica directa para que ele escolha morrer. No fundo, Peter Singer sugere uma pena-de-morte “à la carte”, que tornaria possível que o sistema jurídico e prisional reintroduzisse a pena-de-morte pela porta do cavalo.

Por outro lado, muitos condenados a prisão perpétua — por exemplo, nos Estados Unidos — saem da prisão após umas dezenas de anos, ou por motivos de saúde, ou por bom comportamento, ou porque estão já muito velhos. Portanto, não é liquido que uma pessoa condenada a prisão perpétua ficará necessariamente toda a vida na prisão.

Na linha de Peter Singer, Richard Dawkins inverte os princípios e os valores da ética: diz ele que quem não aborta uma criança com síndroma de Down, é imoral. Ou seja: quem mata é moral, quem não mata é imoral.

Assim como não se pode provar que Karl Marx e/ou Nietzsche desejaram a morte de dezenas de milhões de pessoas no século XX, também não poderemos provar que Richard Dawkins desejou que o princípio que ele defende hoje seja o esteio de uma futura política eugenista agressiva, que abranja não só as crianças com síndroma de Down, mas que também pretenda eliminar qualquer outra característica humana segundo a moda da época.

“Se a vida não é um continuum, da concepção à morte natural, então segue-se que todos nós somos vítimas potenciais se cairmos na desgraça de não agradarmos à elite que nos controla” — John Calvin Thomas

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A trapalhada argumentativa do Rolando Almeida

 

Vindo de um professor “encartado” de filosofia, este verbete consegue surpreender-me; e quanto mais leio textos de professores “encartados” de filosofia, mais valor dou ao senso-comum.

Quando se diz (no referido verbete), por exemplo, que existiu uma intencionalidade, da minha parte, em ganhar “share no Google” ao escrever este meu verbete, essa opinião é inqualificável senão à luz de um cinismo de um interlocutor que me pergunta:

“¿O que é que tu pretendes ganhar com a tua posição ideológica?”

— como se toda a opinião tivesse uma motivação utilitarista. Como escreveu o poeta Óscar Wilde, ele há gente que conhece o preço de tudo e desconhece o valor do que quer que seja.

Este blogue não precisa do Rolando Almeida para ter tido cerca 2.400.000 visitas em sete anos.


Resposta a um comentário do professor de filosofia Rolando Almeida

 

No seguimento deste meu verbete, o professor de filosofia Rolando Almeida escreveu um comentário que pode ser lido aqui, ou aqui em PDF depois de corrigido para português correcto. Segue-se a minha resposta ao comentário de Rolando Almeida.

1/ O facto de a Direcção da Escola atribuir as turmas a um professor, não significa que os critérios de ensino sejam de tal forma subjectivos que o professor possa afirmar literalmente que “os alunos são meus”.

2/ Em relação a Peter Singer: ou o Rolando Almeida desconhece os escritos do professor australiano que ensina na Universidade de Princeton (quando não deveria ensinar), ou está de má-fé. Sendo o Rolando Almeida um professor de filosofia reconhecido pelo sistema de ensino, tenho que concluir que, neste caso, ele age de má-fé.

Para que o leitor possa ter uma ideia daquilo que Peter Singer pensa e ensina, pode consultar até a Wikipédia em inglês — porque a Wikipédia brazuca nem vale a pena ler!

3/ Escreve o Rolando Almeida:

“Mas vamos supor que Singer até defendia, como alguns filósofos o fazem, que não existe qualquer problema moral no infanticídio em determinadas circunstâncias? Segue-se daí que não devam ser abordados tais argumentos quando se pensa filosoficamente sobre o assunto, mesmo em aulas do secundário? Com que seriedade se eliminam uns autores e se aceitam outros? Foi capaz de pensar nisto antes de escrever a parvoíce que escreveu?”

Para o Rolando Almeida, e por exemplo, o livro “Mein Kampf” de Adolfo Hitler poderia ser disponibilizado para leitura dos seus (dele) alunos sem uma interpretação em contexto. Eu penso que o “Mein Kampf” de Hitler não deveria ser sequer matéria de discussão em uma aula de filosofia; mas seguindo o critério do Rolando Almeida — segundo o qual “não é sério eliminar uns autores e aceitar outros” — não seria lógico que dissociássemos o autor Adolfo Hitler, por um lado, da sua obra filosófica, por outro lado (porque o “Mein Kampf” contém, em si mesmo, uma determinada mundividência e, por isso, uma filosofia).

O que me surpreende é que o “parvo” seja eu. O recurso ao ataque ad Hominem é uma falácia lógica que qualquer professor de filosofia deveria evitar.

Se se quiser ensinar Peter Singer em aulas de filosofia para adolescentes, as ideias do autor australiano não devem ser parcialmente “branqueadas” — ou seja, não se deve esconder o facto, por exemplo, de Peter Singer comparar um feto humano com um peixe.

4/ Eu não tenho nada pessoalmente contra o Rolando Almeida — que eu nem sequer conheço. O meu ataque e ideológico, e não é ad Hominem.

5/ Em filosofia, a mundividência do autor deve ser o ponto de referência do ensino da sua obra. Por exemplo, não é aconselhável ensinar Hegel senão a partir da sua (dele) mundividência que consiste na unidade dialéctica e a identidade do finito e do infinito. Só a partir deste ponto cardeal da sua (dele) mundividência se desenvolvem as teorias e o sistema hegeliano. Por isso, não é admissível que um professor de filosofia diga aos seus alunos que Peter Singer é um “altruísta” — mesmo que ele defenda um altruísmo utilitarista — quando o australiano defende (por exemplo) a ideia segundo a qual o feto humano tem o estatuto ontológico de um peixe.

6/ Os tempos estão a mudar. O relativismo do Rolando Almeida em relação à vida humana (por exemplo, explicitamente em relação ao aborto), em um tempo de depressão demográfica, coloca a mundividência do Rolando Almeida fora de moda. E é talvez isso que o preocupa e deve preocupar.

Adenda: ler os comentários do professor Rolando Almeida aqui.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A eliminação do valor ético como estratégia política anti-humana

 

“Reduzir a filosofia à análise linguística equivale a supôr que só há pensamento alheio” — Nicolás Gómez Dávila

O Padre Nuno Serras Pereira escreve um artigo, publicado aqui, acerca dos “nomes” que a classe política — quase toda ela, incluindo membros do CDS/PP — dão às coisas. Vale a pena ler o artigo (ler aqui em ficheiro PDF). A classe política tende a desligar os adjectivos, por um lado, dos substantivos; ou melhor dizendo: tende-se a suprimir — através de novos conceitos, muitas vezes ligados ao linguarejar científico — a condição ontológica do ser humano.

“O maior erro moderno não é o anunciar que Deus morreu; antes, é crer que o diabo está morto.” — Nicolás Gómez Dávila

Por exemplo, o conceito de “embrião” é extensível a qualquer animal, no seguimento do darwinismo ideológico de Ernst Haeckel que defendeu a ideia segundo a qual a célula viva era uma coisa muito simples e que tinha surgido espontaneamente da lama.

Ora, se um peixe também se forma mediante um “embrião”, os naturalistas colocam (pelo menos implicitamente) o ser humano ao nível ontológico de um peixe. E por isso é que Peter Singer diz que um pessoa na sua fase embrionária é equivalente a um peixe; mas, por outro lado, Peter Singer diz que a morte de um peixe é um assassínio a sangue frio, contrastando com o homicídio na forma de aborto e com o assassínio de crianças nascidas que, para ele, são apenas formas de tratar seres que não são humanos.

Esta predisposição naturalista — e mesmo científica — contra a vida humana é difícil de explicar senão através de uma metafísica maligna e diabólica. Quem acredita que o diabo não existe deve apenas olhar para a realidade e para os factos: a cruzada ideológica contra a vida humana é diabólica.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Os três tipos de ateu

 

Há três tipos de ateu: o “ateu racionalista”, o “ateu místico”, e o ateu propriamente dito.

Um exemplo de um ateu racionalista foi Espinoza: na sua Ética referiu-se sistematicamente a Deus porque a Razão era vista por ele como um dom divino e, por isso, uma característica do ser humano que não só se identificava com Deus, mas que era (o homem) também parte integrante de Deus (Deus sive Natura). Este tipo de ateu vive ofuscado pela imagem do Todo e perde o sentido utilitarista da vida: na maior parte dos casos assume uma ética não-utilitarista e é capaz de grandes gestos humanitários.

O ateu místico pode ser representado, por exemplo, por Albert Camus. É o ateu que faz a crítica do racionalismo, acusando-o de tentar submeter o Real ao domínio da Razão. Para ele, a submissão do Real ao Racional é a causa das hecatombes humanitárias do século XX, dos morticínios em massa que têm a sua origem numa falsa escolástica (a ideologia política) que justifica racionalmente os assassínios sacrificiais da modernidade. Este tipo de ateu também não é utilitarista e tem uma sensibilidade ética apurada.

Finalmente, temos o ateu propriamente dito, que pode ser representado por Peter Singer ou pelo Daniel Oliveira. O ateu propriamente dito é aquele que tenta submeter o Real ao Racional, embora o racionalismo deles não passe de uma falsa escolástica afinada para matar em massa: são eles os responsáveis pelos milhões de vítimas inocentes abortadas pela tentativa de submissão do Real à Razão deificada.