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sábado, 31 de agosto de 2024

A filosofia académica está ideologicamente comprometida


Não é possível, ou não é racional, que partamos de princípios dos estóicos — por exemplo, de Marco Aurélio — para tirar ilações éticas e morais actualizadas —, não apenas porque seja racionalmente permitido que se substitua ou se evite o naturalismo estóico, mas porque o desenvolvimento da investigação científica já não o permite.

Hoje, a filosofia académica tem um problema complicado: vive à margem da ciência.
A minha dúvida é se esse distanciamento da ciência é fruto de ignorância, ou se é propositado.

O estoicismo é um tipo de materialismo, que é colocado em causa — ou, pelo menos, questionado — pela actual Física de Partículas. Este materialismo estóico, que é inadequado à luz da ciência actual, tem consequências sobre a moral.

O estoicismo é um determinismo que restringe decisivamente o livre-arbítrio do ser humano, embora não seja propriamente um “fatalismo”.
“Tudo o que acontece, devia acontecer; tudo o que deve acontecer, acontecerá”. A “alma do mundo” estóico aparece sob a figura do “destino”.

O estoicismo coloca em causa o princípio de Heisenberg.

O estoicismo é também um racionalismo naturalista que influenciou o gnosticismo da Antiguidade Tardia.

Não é admissível que professores de filosofia utilizem o racionalismo estóico para tentar defender ou justificar, junto dos seus alunos, a actual ideologia eco-fascista, colectivista e misantropa do Aquecimento Global Antropogénico.

domingo, 25 de fevereiro de 2024

O Ludwig Krippahl, o Galopim de Carvalho, e o Ernst Haeckel estão de acordo


O Ludwig Krippahl defende a ideia segundo a qual a evolução é um fenómeno exclusivamente materialista.

Dentro desta mesma ideia, o alemão Ernst Haeckel, no século XIX, afirmava que a célula viva era uma coisa muito simples e que surgia espontaneamente da lama depois de uma chuvada. Mas o Ernst Haeckel tinha atenuantes: no século XIX ainda não existia, por exemplo, a bioquímica.

O Ludwig Krippahl parece seguir a ideia de base de Ernst Haeckel.

Outro pensador materialista (e comunista), professor universitário (Galopim de Carvalho), pasme-se!, escreveu o seguinte:

“Foram as pedras e os fósseis, que muitas delas trazem dentro, que nos deram a conhecer a origem e a evolução da Terra e da Vida, ao longo de centenas de milhões de anos (Ma). Foi nesta evolução que matéria inerte, como são os átomos de oxigénio, hidrogénio, carbono, azoto e outros como fósforo e enxofre, em muito menores percentagens, se combinou a ponto de gerar a vida e, através do cérebro humano, adquirir capacidade de pensar”.

Outra pérola do galopim:

“O pensamento, não surgiu no cérebro humano da noite para o dia. É um produto imaterial da matéria”.


Só uma pessoa com neurónios enrijecidos e fossilizados, cristalizados no sistema ortorrômbico ou triclínico, pode afirmar que o cérebro humano adquiriu capacidade de pensar, a partir das pedras e da matéria inerte. O galopim, tal como o Krippahl, tem um pensamento empedernido; da mente dele já não sai nada senão ideias fossilizadas.

Um cientista deve ter a humildade de assumir que “não sabe” — em vez de afirmar, explícita- ou implicitamente que a vida surgiu da lama depois de uma chuvada.

“Evolução é uma palavra flexível. Pode ser utilizada por alguém para designar uma mudança que ocorre no tempo, ou por outra pessoa para referir a descendência de todas as formas de vida de um antepassado comum, não se especificando o mecanismo dessa mudança. No seu sentido biológico, contudo, a evolução designa um processo pelo qual a vida emerge da matéria não-animada e se desenvolve depois por meios naturais. Foi esse o sentido que Darwin emprestou à palavra e foi retido pela comunidade científica. É neste sentido que eu utilizo a palavra “evolução” ao longo deste livro.”

--- Michael Behe, in “A Caixa Negra de Darwin”, Editora Ésquilo, ISBN 978-989-8092-44-1.

Isto significa que o conceito de “evolução darwinista” pertence à metafísica, e não à ciência. Ou, se quisermos, um conceito neo-kantiano:

“O criacionismo (bíblico) é um mito, assim como o darwinismo é um mito, porque é impossível explicar a mutação das formas”.

Eric Voegelin

Se “evolução” é um processo através do qual o Criador se apresenta no espaço-tempo, e por isso, se o conceito de “evolução” subentende que o espírito, a alma e a razão são produtos de uma evolução segundo a lei divina (e não só a lei natural, que é uma consequência da lei divina), então o termo “evolução” não representa, para mim, qualquer problema.

Mas se o termo “evolução” for entendido em termos estrita- e meramente biológicos e materialistas, então, o facto que resulta da verificação da autoconsciência, por um lado, e a possibilidade de acesso à dimensão das verdades perenes, por outro lado, destrói este quadro e esta mundividência evolucionários.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

O cientista que acredita que o processo de Conhecimento não existia antes de o ser humano surgir na Terra

No blogue Rerum Natura, faz-se a apologia da ciência da seguinte forma:

«O livro de Gary Ferguson, “Oito grandes lições da Natureza”, publicado recentemente, é muito bom, pelas grandes ideias que contém e pela inspiração que encerra. É que “nós somos natureza,” como o autor refere. Parece óbvio, mas nem sempre é bem entendido. Eu diria mais: o que fazemos e o que produzimos é também Natureza


Pergunto: ¿O que é “Natureza”?

¿A Natureza (segundo o autor do artigo) inclui o Cosmos? ¿Ou apenas se limita ao conjunto ordenado de seres vivos, ou seja, a “natureza das coisas”, segundo o materialista Lucrécio? ¿Será, a “Natureza”, o princípio criador do universo, segundo o ateu e monista Espinoza (Deus Sive Natura)?

Para que haja ciência é necessário postular a insignificância do universo.

O problema que se coloca é o de que, para que haja ciência é necessário postular a insignificância do universo — porque a neutralidade axiológica (que a ciência diz defender) não é uma conclusão científica, mas antes é um postulado metodológico. Por isso, há que saber o que se entende por “Natureza”.

«A primeira “lição” é o mistério. Cita Albert Schweitzer: “à medida que adquirimos mais conhecimento, as coisas não se tornam mais compreensíveis mas sim mais misteriosas”».

Muito antes de Schweitzer, Nicolau de Cusa (1401 – 1464) resumiu esta ideia mediante o conceito de “Douta Ignorância”: se a verdade é do domínio do infinito, e o conhecimento humano é do domínio do finito, por mais que o Homem se aproxime do conhecimento da Verdade por graus sucessivos de conhecimento, todo o esforço de conhecer redundará em um relativo e proporcional “quase nada”.

«Embora a Natureza seja uma fonte sempre promissora de novos medicamentos, esses 60% não são sequer inspirados pelos seres vivos ou pela Natureza “clássica.” São criações humanas usando bases de dados de moléculas, computadores, conhecimentos sobre os alvos terapêuticos, síntese química, e muito mais coisas que a química medicinal inventou. Isso não é maravilhoso? Não aumenta o encanto? Eu acho que sim.»

O autor daquele texto acredita certamente que os números primos são invenções humanas: antes de o ser humano os inventar, “os números primos não existiam”.

A ideia segundo a qual “os conhecimentos sobre os alvos terapêuticos” já existiam antes de o ser humano os descobrir, é-lhe completamente estranha. Para ele, os princípios matemáticos e os axiomas da lógica não existiam antes de o ser humano os “criar”; e o universo também não!: “Afinal, ¿o que seria do universo se não existisse o ser humano?!”

Esta deificação prometaica do ser humano é a coisa mais estúpida que se aprende hoje nas universidades; e está ligada ao completo absurdo que é o materialismo.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Quem escreve o que o professor Galopim de Carvalho escreve, só pode ser burro

 

“À ciência se pode objectar a facilidade com que cai em mãos de imbecis — se o caso da religião não fosse igualmente grave”.

→ Nicolás Gómez Dávila


Desde que o professor Galopim de Carvalho escreveu que a vida surgiu da evolução da matéria inerte, deixei dar valor ao que ele escreve; até ontem, quando li uma nova pérola do professor:

“O pensamento, não surgiu no cérebro humano da noite para o dia. É um produto imaterial da matéria”.

Perante isto, gostaria que o professor nos dissesse ¿o que é a “matéria”? E se ele não souber o que é a “matéria”, que pergunte ao Carlos Fiolhais que é o génio que nos pode ajudar a definir “matéria”.


atenc3a7c3a3o-ao-burroO professor Galopim é um burro que escreve para o comum dos burros; cumpre a sua missão de abrutar o mundo; tal como os cientistas do século XIX, acredita que a vida surge da lama depois da chuva. E o pessoal do Rerum Natura bate palmas.

O blogue Rerum Natura  é um exemplo do Imbecil Colectivo .

O arquétipo mental do professor é o do século XIX: segue o positivismo, e o cientismo  — que é a ideia segundo a qual a ciência resolverá progressivamente todos os problemas dos seres humanos. Só um burro pensa assim.

A partir das bases ideológicas do positivismo e do cientismo, o professor constrói uma estória (uma narrativa) da carochinha (era uma vez...). O professor Galopim será, talvez, umas das poucas pessoas, em todo o mundo, que consegue definir “realidade” — os burros, na sua simplicidade, conseguem definir o que quiserem. E a acromania dá licença para tudo.


Albert Einstein ( que dizem que era ateu ou agnóstico) escreveu no seu livro “Worte in Zeit und Raum” (1992, Bonn):

“Mesmo que os axiomas de uma teoria sejam formulados pelo ser humano, o sucesso de um tal empreendimento pressupõe uma elevada ordem do mundo objectivo, o que não se poderia esperar de maneira alguma”.

Ou seja, mesmo os ateus inteligentes têm a humildade e a sabedoria necessárias para não dizer asneiras. A vanguarda da ciência é cautelosa. Mas quando topamos com um ateu burro, lidamos com a plebe profissional que segue a vanguarda científica de uma forma presunçosa.

O professor Galopim de Carvalho não tem capacidade para falar de assuntos que extravasem a sua especialidade técnica. Melhor fora (para ele e para todos) ficar calado.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Anselmo Borges e o enigma de Deus

 

Anselmo Borges escreve o seguinte:

“É possível que Deus exista, mas também pode não existir. Ninguém pode dizer que sabe que Deus existe, mas também ninguém pode dizer que sabe que Deus não existe. Ninguém sabe se na morte encontramos a vida na sua plenitude em Deus ou se, pelo contrário, para cada pessoa tudo acaba na morte. Este é o grande enigma da vida de cada homem, de cada mulher”.

Anselmo Borges poderia ter escrito: “Este é o grande enigma da vida de cada ser humano”, englobando o homem e a mulher em uma mesma categoria. Mas o politicamente correcto exige que o homem e a mulher pertençam a espécies diferentes. Noutros tempos, dizíamos “Minhas senhoras e meus senhores!” por uma questão de boa educação; hoje, dizemo-lo por obrigação politicamente correcta.


Anselmo Borges erra quando confunde “enigma”, por um lado, e “mistério”, por outro lado.

Aliás, esse erro foi decalcado do livro do jesuíta a que se refere o Anselmo Borges no artigo. Quando estudei a História de Portugal no liceu, pensei que a expulsão dos jesuítas por parte do Marquês de Pombal tivesse sido um exagero; hoje tenho dúvidas se não teria justificação racional. Não é acaso que o papa-açorda Francisco é jesuíta.

Um enigma tem solução, por princípio; um mistério é insolúvel, à luz da razão humana.

O problema do homem moderno é o de que não aceita, por princípio, de que há coisas que não compreende (no sentido do racional determinístico) e nem nunca compreenderá: a ideia segundo a qual possam haver realidades ou fenómenos racionalmente inacessíveis ao ser humano é um sacrilégio modernista e cientificista.

Perante o Ser de Deus (e não a “existência” de Deus, porque Deus não “existe” da mesma forma que o Anselmo Borges), o ser humano debate-se com um mistério, e não com um enigma. Por isso é que a Igreja Católica tradicional fala do “mistério da fé”; talvez a Igreja Católica do papa-açorda Francisco, cientificista e secularista, passe a falar no “enigma da fé”.


A julgar pelo texto de Anselmo Borges, Deus é uma espécie de velho com barbas brancas que vive acima das nuvens, na companhia de S. Pedro que é o manda-chuva. Por isso é que, segundo o Anselmo Borges e o jesuíta autor do livro, “ou Deus existe, ou não existe”. “O ser de Deus não pode ser compreendido como a existência de um existente ao lado ou acima de outros existentes. Se Deus fosse um existente, estaria submetido às categorias da finidade, sobretudo ao espaço e ao tempo” (Paul Tillich).

“O espiritual é fundamental para mim; vou mesmo ao ponto de afirmar que não existe matéria, mas apenas espírito. (…) Aquilo que constitui o fundamento da realidade não é a matéria, mas um campo que, no entanto, não é material, representando, contudo, uma espécie de potencialidade. Um potencial que possui a capacidade de se materializar”. Quem escreveu isto não foi o abade da minha paróquia: foi Hans-Peter Dürr 1.

A ciência actual não pode ser materialista; ou não é ciência. Mas a verdade é que o naturalismo continua a ser o esteio da ciência que impõe uma cultura materialista.


Finalmente, Anselmo Borges confunde “dogma religioso” com “dogma cientificista” — colocando os dois tipos de dogma no mesmo plano ou nível.

É certo que o cientificismo naturalista é uma espécie de religião, mas trata-se de um monismo, imanente e materialista; é uma espécie de religião que apenas se foca em uma pequena parte da Realidade.

A Bíblia é um livro com que os primeiros cristãos transmitiram as suas experiências com Deus sob a forma de imagens, mitos e metáforas. As imagens dizem mais do que as palavras, porque conseguem superar frequentemente a contradição entre o individual e o universal. Por exemplo, a arte: a arte começa onde a linguagem acaba. A religião utiliza a arte das imagens para criar a símbolos intersubjectivos que formam a comunidade dos crentes.

Para que estas experiências, e as respectivas imagens (símbolos) que as representam, possam fundar uma comunidade, aquelas são formuladas em dogmas. No sentido religioso propriamente dito — mas não no sentido cientificista ou naturalista —, um dogma é uma afirmação sobre a Realidade que está para além daquilo que é alcançável através da linguagem. O dogma religioso é a tradução do modus ponens da experiência secular religiosa dos cristãos: é uma espécie de “ajuda racional”.

Ou seja, o dogma religioso é um dogma positivo; o dogma cientificista é um dogma negativo (a negação do Ser). Colocar os dois tipos de dogma no mesmo plano de análise, é uma estupidez.


Nota
1. “Gott, der Mensch und die Wissenschaft”, 1997

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Os ateus e os calvinistas: um problema idêntico

 

Recebi o seguinte comentário de um “cristão” de uma seita herdeira do Calvinismo:

“Animal quadrúpede, o que eu disse foi que o materialismo veio antes do esquerdismo, e estava presente, por exemplo, no atomismo da Índia antiga e em Demócrito; podemos concluir com isso que essa perspectiva está presente em diversas culturas em maior ou menor grau; o materialismo que herdamos do século 21 é herança da Igreja Católica (principalmente pós Renascimento), quando a Igreja deu às costas para Mística Cristã; não tenha o trabalho de publicar o meu comentário, porque não lerei mais seu blog. Boa sorte com suas fantasias.”



“Em verdade, nada sabemos de nada, pois a opinião vem de fora para cada qual. É preciso conhecer o Homem com este critério: que a verdade fica longe dele.” — Demócrito 1


Definição:

Dizemos do “materialismo” que é o conjunto de doutrinas que não admitem outra realidade para além da matéria, sendo o pensamento e o espírito modalidades ou qualidades da matéria.

A palavra “materialismo” é equívoca: é muitas vezes utilizada com intenção polémica e em sentido pejorativo. Por exemplo, algumas seitas cristãs e a seita católica do "papa Francisco" dizem que “os ricos são materialistas apenas porque têm dinheiro”. A riqueza é identificada com o “materialismo”. Jesus Cristo nunca disse que era impossível a um rico entrar no Reino dos Céus: disse apenas que era difícil.

Dizer que Demócrito e/ou os atomistas eram “materialistas”, no sentido moderno, é um abuso, e revela a completa ignorância de quem tirou um cursinho online de filosofia e já julga que sabe tudo.

Os que mais se aproximavam do “materialismo” (no sentido moderno), na Grécia Antiga, foram os epicuristas 2. Quanto muito, podemos dizer que os atomistas (tal como Aristóteles) foram os precursores da ciência e do empirismo científico, o que não significa que tenham sido “materialistas”. Por exemplo, John Locke foi empirista e não consta que fosse materialista — no sentido moderno, “materialismo” identifica-se com “ateísmo”; nem Rousseau foi ateu e/ou materialista; e Voltaire era deísta, o que não é a mesma coisa que “materialista”. Nem mesmo Diderot se pode considerar propriamente materialista, porque defendeu um panteísmo lírico.

Para além dos epicuristas — que não eram propriamente “materialistas” no sentido moderno —, o materialismo propriamente dito surgiu na Idade Moderna. Podemos falar de materialismo em Helvetius, D'Holbach, La Mettrie, (materialismo mecanicista), Comte (Positivismo) David Hume, Bentham e os utilitaristas (Stuart Mill, por exemplo), a Esquerda Hegeliana (Feuerbach, Karl Marx, Engels), Neopositivismo, etc..

O materialismo (no sentido da definição supracitada) é uma característica da mente revolucionária (moderna) e do gnosticismo anti-cósmico (da Antiguidade Tardia com reflexos na modernidade), ou seja, é uma característica daquilo a que se convencionou, depois da Revolução Francesa, chamar de “Esquerda”.

Mente revolucionária = Esquerda.

A ciência não é “materialista”. O que pode acontecer é que uma grande parte dos cientistas sejam materialistas. De modo semelhante, e por analogia, não podemos dizer que a energia nuclear é boa ou má: depende do uso que fazemos dela. A ciência é eticamente neutra e escora-se na metafísica: por isso, é um absurdo dizer que a ciência é “materialista” ou “ateia”.

Eu sou um grande adepto da ciência porque esta procura a verdade — assim como a filosofia e a religião, embora de modos diferentes. A filosofia, a religião e a ciência não se opõem: complementam-se! Uma atitude anti-científica ou anti-religiosa revela uma mente obscurantista.

É tão um obscurantista um ateu como um calvinista fanático.

Por outro lado, a negação da matéria — por exemplo, o Imaterialismo de Berkeley, que é uma forma de Positivismo — ou o repúdio da matéria são características dos cristãos gnósticos modernos, de tipo calvinista nomeadamente.

A verdadeira doutrina católica — que não é a do "papa Francisco", porque tem uma visão quase panteísta da Natureza — escorada na patrística e em Santo Agostinho, considera a Natureza (ou seja, aquilo a que se convencionou chamar de “matéria”, seja o que for que seja a “matéria” porque nem a ciência sabe bem o que é) uma criação de Deus, e por isso, uma realidade boa e positiva. Apreciar a Natureza (a “matéria”) e dar graças a Deus por ela, é uma característica do bom católico.


Notas
1. citado do Vol. I da História da Filosofia de Nicola Abbagnano, Editorial Presença, 1969, pág. 92
2. Epicuro interpretado por Lucrécio, nota bem!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

¿A lógica é uma batata?

 

A lógica formal trata das formas dos raciocínios, independentemente do seu conteúdo ou dos objectos aos quais se referem. Por exemplo, a seguinte proposição ou silogismo:

1/ Todos os tubarões são pássaros;
2/ o meu peixe vermelho é um tubarão;
3/ então, segue-se o meu peixe vermelho é um pássaro.

Nenhuma das duas premissas é verdadeira “materialmente”, ou seja, nenhuma delas corresponde à realidade. Mas o encadeamento que as une umas às outras é válido na sua forma: a conclusão do silogismo é a consequência formal necessária das duas premissas. Por isso é que se diz que “a lógica é uma batata”.

É assim que o Domingos Faria coloca o problema da possibilidade lógica dos zômbis contra o materialismo. Se a premissa 1 é, de facto, verdadeira, a premissa 2 é verdadeira se considerarmos que existe consciência humana em todo o universo com milhões de galáxias. E aqui colocam-se quatro hipóteses:

a/ não é possível que exista outra consciência que não a humana em todo o universo;
b/ é possível que exista outra consciência que não a humana em todo o universo;
c/ é verosímil que exista outra consciência que não a humana em todo o universo;
d/ é provável que exista outra consciência que não a humana em todo o universo.

Eu diria que é, pelo menos, verosímil que exista outra consciência que não a humana em todo o universo. Mas podemos acreditar naquilo que quisermos.

Naturalmente que podemos dizer que “não há provas de que exista consciência no universo que não seja a humana”, mas também podemos dizer que “não há provas de que existam zômbis”. Podemos afirmar com certeza que uma coisa existe, mas já não podemos ter a certeza de que uma coisa não existe. Porém, podemos ter uma certeza: os axiomas da lógica não são físicos.

Porém, se o David Chalmers se interessasse pela ciência, e para além da Lógica, poderia ter em consideração a Interpretação de Copenhaga da Teoria Quântica: a observação da função de onda quântica (“não-matéria”, porque não tem massa) causa o seu colapso e transforma-a em partícula elementar (matéria, porque tem massa).

O físico francês Bernard D’Espagnat chegou mesmo a escrever:

«A doutrina segundo a qual o mundo é formado por objectos cuja existência é independente da Consciência revela estar em desacordo com a mecânica quântica e com os factos estabelecidos através da experiência.»

Mesmo que a observação da função de onda quântica — que provoca o seu colapso — seja feita através de um dispositivo construído pelo Homem, esse dispositivo foi construído por um ser com consciência (o Homem). Por isso, não podemos separar o colapso da função de onda quântica, por um lado, da consciência que observa, por outro  lado. Poderíamos ir mais longe neste raciocínio, e colocar na equação a consciência de Deus.

A Física moderna e teoria quântica destruíram brutalmente o materialismo.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Uma sociedade sem o conceito de “milagre” é uma sociedade destruída

 

No fim de cada tentativa de fundamentação da realidade, surge apenas aquilo que foi introduzido nela no início. Fazendo uma analogia: se introduzirmos carne em uma picadora de carne, obtemos carne picada com o resultado da nossa acção — e não outra coisa qualquer.

Assim, em uma sociedade fundamentada no materialismo não pode haver lugar para um Deus imaterial, porque a própria hipótese de um mundo exclusivamente material implica a não existência de Deus. O pensamento humano é circular e contraditório, por natureza.

Em uma sociedade em que não há lugar para um Deus imaterial, também não há lugar para os milagres — mesmo que eles aconteçam a cada momento. No fim da tentativa da fundamentação materialista da realidade, surge apenas materialismo e nada mais do que isto. E, em uma sociedade materialista, o ser humano não consegue ver nada senão matéria, e é por isso que os milagres deixam de existir, porque ninguém os vê.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O Naturalismo é o ópio do povo do século XXI

 

“In short, naturalism offers liberation, not from the bonds of superstition but from the burden of rationality.”
Decline in belief in God masks rise in superstition

O Naturalismo oferece a libertação do cidadão em relação ao fardo da racionalidade.

Seria necessário não um Papa exclusivamente preocupado com a práxis e que relega a doutrina e a tradição católicas para um plano secundário (como é o caso do cardeal Bergoglio), mas antes necessitaríamos de um Papa Filósofo, embora mais novo do que Bento XVI (precisaríamos de uma espécie de “cardeal Ratzinger” com menos vinte anos, no papado).

O relativo sucesso cultural do Naturalismo  consiste na inibição que induz em relação ao raciocínio lógico, em um tempo em que se pede à juventude que se especialize em uma determinada área do conhecimento e que não se preocupe muito com a lógica e com o raciocínio inteligente. O slogan politicamente correcto e naturalista segundo o qual “Letras são Tretas”, esconde uma intencionalidade de estupidificação colectiva (a que o blogue Rerum Natura, por exemplo, não está alheio, e daí a minha “sanha persecutória” em relação àquele blogue).

Concentrar a nossa atenção exclusivamente em um pequeno segmento da realidade, através de uma especialização técnica (alegadamente em nome da “ciência”) que exclui qualquer outra área do conhecimento que não lhe seja correlata, é uma tentativa de transformar o ser humano em uma espécie de robô e, por isso, em uma nova espécie de humanóide tendencialmente irracional. E os resultados desta tendência moderna estão aí: em vez da crença em Deus, cresce a superstição (mesmo que não consideremos o darwinismo como sendo uma superstição; mas que é uma crença como outra qualquer, disso não há dúvida!).

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A eliminação do valor ético como estratégia política anti-humana

 

“Reduzir a filosofia à análise linguística equivale a supôr que só há pensamento alheio” — Nicolás Gómez Dávila

O Padre Nuno Serras Pereira escreve um artigo, publicado aqui, acerca dos “nomes” que a classe política — quase toda ela, incluindo membros do CDS/PP — dão às coisas. Vale a pena ler o artigo (ler aqui em ficheiro PDF). A classe política tende a desligar os adjectivos, por um lado, dos substantivos; ou melhor dizendo: tende-se a suprimir — através de novos conceitos, muitas vezes ligados ao linguarejar científico — a condição ontológica do ser humano.

“O maior erro moderno não é o anunciar que Deus morreu; antes, é crer que o diabo está morto.” — Nicolás Gómez Dávila

Por exemplo, o conceito de “embrião” é extensível a qualquer animal, no seguimento do darwinismo ideológico de Ernst Haeckel que defendeu a ideia segundo a qual a célula viva era uma coisa muito simples e que tinha surgido espontaneamente da lama.

Ora, se um peixe também se forma mediante um “embrião”, os naturalistas colocam (pelo menos implicitamente) o ser humano ao nível ontológico de um peixe. E por isso é que Peter Singer diz que um pessoa na sua fase embrionária é equivalente a um peixe; mas, por outro lado, Peter Singer diz que a morte de um peixe é um assassínio a sangue frio, contrastando com o homicídio na forma de aborto e com o assassínio de crianças nascidas que, para ele, são apenas formas de tratar seres que não são humanos.

Esta predisposição naturalista — e mesmo científica — contra a vida humana é difícil de explicar senão através de uma metafísica maligna e diabólica. Quem acredita que o diabo não existe deve apenas olhar para a realidade e para os factos: a cruzada ideológica contra a vida humana é diabólica.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Raquel Varela e a “utopia da solidariedade”

 

“A Esquerda acertou no diagnóstico mas errou na receita” — Nicolás Gómez Dávila

Nicolás Gómez Dávila referia-se à Esquerda entendida como “movimento revolucionário” que inclui o marxismo. Mas o movimento revolucionário não se esgota (no) nem se limita ao marxismo. Ou seja, a Esquerda não é só marxista.