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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Informação que não vem nos me®dia: a Universidade do Algarve cancelou conferência politicamente incorrecta

 

Um grupo de estudantes da universidade do Algarve organizou uma conferência a ter lugar no dia 23 de Outubro passado, subordinada ao tema “Desenho Inteligente”, e que teria a participação do professor Marcos Eberlin da Universidade de Campinas, Brasil, e do filósofo Paul Nelson. A universidade do Algarve manifestou por escrito a concordância em relação à realização da conferência.

universidade-do-algarve-web

Porém, as pressões políticas contra a realização da conferência começaram logo que esta foi anunciada publicamente. A 22 de Setembro, a universidade do Algarve informa os dois conferencistas de que a conferência tinha sido cancelada.

Face à censura política de que tinha sido alvo, o grupo de estudantes da universidade do Algarve procurou um local alternativo para a realização da conferência; e encontrou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) esse local alternativo, contando inclusive com o apoio explícito da professora doutora Cândida Fernanda Antunes Ribeiro. Porém, as pressões políticas dos censores politicamente correctos actuaram outra vez, desta feita mesmo sobre a professora Ribeiro. No dia 15 de Outubro passado — oito dias antes da conferência agendada —, a professora Cândida Fernanda Antunes Ribeiro não resistiu à censura política e cancelou a conferência.

Contudo, o grupo de alunos da universidade do Algarve não desistiu. Dado que todas as universidades portugueses — por indicação expressa do ministro (comunista) da Educação do governo de António Costa — fecharam as suas portas à conferência, a dita organizou-se em Espanha, na cidade de León, exactamente no dia agendado (23 de Outubro), no Hotel S. Marcos.

Em nome da tolerância, a Esquerda pratica a intolerância. Em nome do conhecimento, a Esquerda pratica a censura. Em nome da verdade, a Esquerda apregoa a mentira.

(fonte)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O “eunuco espiritual”, segundo Eric Voegelin

 

Na sua obra “História das Ideias Políticas”, Eric Voegelin explica-nos aquilo que ele chama de “eunucoidismo espiritual”. Vou tentar traduzir aqui esse conceito, segundo Eric Voegelin. Os trechos a itálico reflectem a terminologia do próprio Eric Voegelin.

Com o positivismo, a ciência adquiriu a característica de um pathos (do grego, “paixão”) de autonomia e auto-confiança (ou pathos cientificista), que deriva da verificação da causalidade empírica dos fenómenos. Se uma determinada relação causal fenoménica é constatada pela ciência, esta adquire essa auto-confiança que não existe naturalmente na condição existencial do ser humano.

A condição existencial, natural e normal do ser humano, é a da incerteza; em contraponto, a condição normal da ciência positivista é da “certeza” em função da verificação  empírica  da causalidade de parte dos fenómenos , e de uma auto-confiança que essa “certeza” lhe dá ― pelo menos é assim que a “verdade” da ciência é interpretada pelo eunuco espiritual.

Contudo, o que a ciência e o método positivista não fazem é a pesquisa sobre as “causas primeiras”, ou seja, aquelas causas em relação às quais não existem verificações empíricas de causalidade; essa pesquisa pertence exclusivamente à filosofia. Por exemplo, quando dizemos que “a soma dos ângulos internos de um triângulo é sempre de 180 graus”, a ciência apenas se limita a constatar o axioma (ou a intuição) tal qual ele se nos apresenta (“axioma” “a causa primeira”), sem poder explicar por que é que o axioma existe (a ciência não pode explicar a causa do axioma).

O axioma é assim, por que é ― existe porque existe, e sem qualquer outra explicação de índole causal.

Sem poder explicar as causas primeiras, a ciência transfere a sua precária auto-confiança ― que lhe advém da verificação empírica da causalidade de uma parte dos fenómenos ― para a dimensão existencial do Homem. Assim, o Homem substitui a sua natural e normal condição de incerteza existencial pela “certeza” que alegadamente a ciência lhe traz. Trata-se de uma crença. Através das “certezas” da ciência, o Homem passa a acreditar que a sua existência deixou a incerteza primordial e natural, e passou ela própria (existência decorrente da vida humana) a fazer parte das “certezas” e das “verdades” da ciência.

Esta é a origem do novo ateísmo de Richard Dawkins e do eunucoidismo espiritual do Homem moderno.

eric_voegelinOs eunucos espirituais pensam que, na medida em que a ciência parte de um princípio metodológico acerca das “certezas” já por si adquiridas ― por exemplo, da lei da gravidade ―, esse princípio metodológico científico (a causalidade empírica) pode ser aplicado, de igual modo, no âmbito dos problemas da existência individual e colectiva humanas. A verdade é que muitos cientistas pensam desta mesma maneira, o que faz com que o eunucoidismo espiritual não seja uma característica de uma determinada classe social, mas antes é uma força social.

Esse pathos cientificista assumiu-se como uma força social que atravessa todas as classes sociais, penetrou nas instituições educacionais da sociedade, e não pode ser quebrada facilmente ― se é que pode ser quebrada. O problema já não é, portanto, uma questão de simples ignorância. Se a crença em uma auto-suficiente ordem da existência realizada através da ciência se entrincheirou na sociedade, essa crença transforma-se numa força que evita e nega o cultivo da substância humana e corrói ainda mais os elementos sobreviventes da tradição cultural.

Em consequência do pathos cientificista, a preocupação com a ciência e a posse do conhecimento científico transformaram-se num processo de legitimar a ignorância no que respeita a todos os problemas que jazem para além da ciência dos fenómenos. Assim, em paralelo com as descobertas da ciência, aumenta a ignorância das massas em relação aos problemas da existência humana.

O pathos cientificista traduz-se em um desastre civilizacional, porque na realidade, o conhecimento sobre o ordenamento da existência não pode ser adquirido através da aquisição do conhecimento no sentido fenomenológico ― antes, a compreensão do ordenamento da existência exige uma formação da personalidade através de um processo de educação através das instituições que se criem (ou que já existam) para o efeito.

Os portadores activos do pathos cientificista serão homens deficientes no que respeita aos dons da substância espiritual humana, e a penetração na sociedade do pathos cientificista cria um ambiente que favorece o sucesso social do eunuco espiritual.

Assim, o avanço da ciência e o crescimento do factor racional-utilitarista são acompanhados por uma re-estratificação da sociedade que não pode já ser expressa em termos de classes sociais. Esta re-estratificação da sociedade através do pathos cientificista gera os seus próprios mecanismos de valoração, de prestígio e de sucesso social que alcandora o eunuco espiritual ao estatuto de paradigma cultural.

« Sem o efeito de prestígio do cientificismo, os grandes escândalos intelectuais que decorrem de fenómenos de sucesso social como o positivismo, o evolucionismo darwinista, ou o marxismo, seriam impensáveis. »

― Eric Voegelin

domingo, 4 de setembro de 2016

A confusão da igualdade

 

Quando falamos em “igualdade”, temos que fazer a distinção entre “igualdade ontológica”, por um lado, e “igualdade social”, por outro lado. São coisas diferentes; mas há pessoas que não vêem a diferença.


A igualdade ontológica significa que todos os seres humanos têm uma dignidade igual no acto de nascimento (não confundir “igual”, por um lado, com “idêntico”, por outro lado). A igualdade ontológica baseia-se no Direito Natural e na ideia de igualdade natural entre os seres humanos.

A igualdade ontológica não colide com a existência de privilégios materiais, sociais e políticos de indivíduos ou classes — porque se pode diferenciar “igualdade”, por um lado, e “justiça”, por outro lado: a desigualdade social não é injusta em si mesma, senão quando vai contra os direitos naturais de outros seres humanos (por exemplo, o conceito de Notrecht). Os direitos que são devidos ao ser humano são os direitos naturais — por exemplo, o direito à alimentação, o direito à família natural, o direito à inserção social segundo a Natureza Humana, etc..

A igualdade social é coisa diferente, porque procura igualar os meios e as condições de existência (inventaram-se, no século XX, os “direitos cívicos” e adquiridos); e, em troca dessa igualdade social, o Estado retira (mais ou menos, dependendo dos casos) a liberdade ao ser humano.

A igualdade social é típica da Esquerda clássica, que confunde “igualdade”, por um lado, e “identidade”, por outro lado — para o marxismo clássico, ser “igual” é ser “idêntico”: porém, a verdade que contraria a igualdade social é a de que a igualdade parte do princípio de que os indivíduos tem uma natureza (a Natureza Humana) e/ou uma dignidade comuns, mas que não são semelhantes em todos os outros aspectos.


Mais difícil de entender é o conceito de “igualdade” do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista de António Costa — porque, por um lado, defendem (alegadamente) aquilo que que chamam “a liberdade do indivíduo” (eutanásia, adopção de crianças por pares de invertidos, "casamento" gay, aborto, etc) , mas por outro lado defendem a igualdade social (adoptam a confusão entre igualdade e identidade) típica do marxismo clássico quando defendem a identidade material como objectivo político.


Ainda mais difíceis de entender são os cientistas que se metem na filosofia sem qualquer preparação para tal (e escrevem livros “filosóficos”!) — por exemplo, quando dizem que a ideia de “igualdade ontológica” teve origem no Cristianismo, ou, ainda pior, que a ideia de “igualdade social” teve origem no Cristianismo, quando, na verdade, a Regra de Ouro é muito anterior ao Cristianismo e já existia, por exemplo, no Budismo.

A maior parte daquilo a que chamamos “cientistas” são apenas técnicos; são uma espécie de artesãos modernos; são especialistas em uma determinada área da actividade humana.

No caso vertente, o de Yuval Noah Harari, estamos a falar de um especialista em História (uma das chamadas “ciências sociais”). A ignorância da criatura em causa faz com que se confunda “igualdade ontológica”, por um lado, e “igualdade social”, por outro lado: o facto de “todos os seres humanos terem sido criados iguais (igualdade ontológica) não significa que sejam idênticos geneticamente (grande confusão vai naquela cabeça de alho chocho!).

A tese absurda e confusa de Yuval Noah Harari explica a razão pela qual a sociobiologia é tão popular entre adeptos de um capitalismo brutal (o chamado “darwinismo social”).

A ideia segundo a qual uma galinha existe apenas e só para produzir ovos, é uma ideia um tanto ridícula em relação à galinha — mas o “historiador evolucionista” em causa chega ao ponto de a aplicar ao ser humano.

domingo, 24 de julho de 2016

Os dogmatismos

 

Nós devemos ser cépticos; o cepticismo é saudável. Mas vejamos o que significa “cepticismo”.

O cepticismo não afirma que a verdade é inacessível, mas sim que não podemos ter a certeza de a alcançar. Não devemos confundir a dúvida céptica dos gregos, que tem por objectivo uma suspensão definitiva da opinião, por um lado, e a dúvida metódica (Descartes) que é provisória e estabelecida visando a descoberta da verdade, por outro lado.

David Hume propôs um “cepticismo académico”, segundo o qual é impossível duvidar de tudo, mas é saudável conhecer a fragilidade dos nossos conhecimentos, mesmo daqueles que nos parecem mais seguros. O cepticismo torna-se então como um instrumento contra o dogmatismo, no sentido de ser contra uma confiança demasiada no poder da razão humana.

Ou seja, David Hume corrobora a opinião de G. K. Chesterton: “a humanidade é composta por dois tipos de pessoas: as que têm dogmas mas sabem que os têm, e os que têm dogmas mas que não reconhecem que os têm”. Nos casos do Ludwig Krippahl e do Matts, ambos não reconhecem que se regem por dogmas.

O problema da ciência não é o de cometer erros; é o de que, enquanto os erros não são corrigidos, esses erros serem considerados como verdades assumidas — porque o cientista também é um ser humano sujeito ao dogmatismo do paradigma  (por exemplo, o Ludwig Krippahl). “A maior fé que existe é a do cientista, porque é inconfessável” (Roland Omnès).

Portanto, a nossa posição em relação à ciência deve ser céptica. Mas ser céptico em relação à ciência não significa que devemos colocar em causa a própria essência da ciência, porque isso seria “deitar fora o bebé com a água do banho”.

O Ludwig Krippahl extrapola o domínio da ciência para uma espécie de metafísica negativa (ateísmo), e o Matts não sabe qual é o domínio da ciência quando a contrapõe à religião. A ciência propriamente dita não se opõe à religião, nem pode fazê-lo por limites que lhe são próprios.

Por exemplo, a ideia do Matts segundo a qual “os dinossauros viveram há cinco mil anos” é uma completa aberração. Ele perde credibilidade na defesa da religião, porque confunde os símbolos (como representações da realidade) com a própria realidade. Ou seja, o Matts é céptico em relação ao darwinismo (eu também), mas já não é céptico em relação à possibilidade de os dinossauros terem existido há cinco mil anos.

O Ludwig Krippahl fala em “teoria darwinista”.

Em ciência, uma teoria é uma síntese que engloba leis naturais (por exemplo, a teoria da gravitação engloba a lei da queda dos corpos ) destinada a considerar os dados da experiência.

Mas, segundo Karl Popper, não é possível compreender totalmente uma teoria formulada, porque é impossível conhecer todas as suas conclusões lógicas — ou seja, é impossível excluir o surgimento de contradições internas dentro de uma teoria. A verdade científica não pode ser provada com certeza nem através da experiência e nem através da intuição intelectual, porque na ciência não existe nenhum indicador infalível para a verdade.

“As nossas teorias científicas, por melhor comprovadas e fundamentadas que sejam, não passam de conjecturas, de hipóteses bem sucedidas, e estão condenadas a permanecerem para sempre conjecturas ou hipóteses”

– Karl Popper, em conferência proferida em 8 de Junho de 1979 no Salão Nobre da Universidade de Frankfurt , por ocasião da atribuição do grau de Doctor Honoris Causa

Portanto, devemos ver nas teorias científicas uma espécie de “moda”. Há teorias que estão na moda e que vão deixar de estar. Mas cada “moda” tem símbolos, e são esses símbolos que devem ser criticados pela razão, pela lógica, e pelos dados da experiência das ciências empíricas e das ciências formais.

Esta minha posição não significa que eu seja agnóstico ou ateu. Significa apenas, por exemplo, que a experiência humana demonstrou que os dinossauros não viveram há cinco mil anos, e que o darwinismo é um mito — é uma moda — porque é impossível explicar a mutação das formas.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A história da carochinha do Carlos Fiolhais para adormecer as crianças adultas

 

“Apesar de restar ainda muito por esclarecer, todos os avanços têm corroborado a teoria de Darwin, segunda a qual, após a diferenciação que define uma nova espécie, o que acontece por acaso (mutação ou modificação ocasional do ADN), é crucial a adaptação ao meio ambiente”.

Carlos Fiolhais

Ou seja, a adaptação ao meio-ambiente é efectuada por acaso. Quando eu, por exemplo, me adapto ao meio-ambiente cretino da Academia coimbrinha, faço-o por acaso: sou uma espécie de sonâmbulo que sigo aleatoriamente as opções que tenho.

A complexidade do olho que vê a luz, surgiu por acaso. A inteligência nos animais surgiu por acaso, e por isso é que o Carlos Fiolhais se diz inteligente: foi um simples acaso; não há qualquer nexo causal na formação da inteligência dele; e por isso não podemos ter a certeza se o Carlos Fiolhais é inteligente ou mentecapto: é uma questão de perspectiva e de opinião.

A ciência do Carlos Fiolhais caracteriza-se pelo império do acaso: é uma ciência sem causa e sem efeito. A existência da Natureza é um acidente. Quando não sabemos a razão de um fenómeno, ou dizemos que aconteceu por acaso, ou dizemos que o fenómeno é mágico.

Mas repare-se como o Carlos Fiolhais fala de “diferenciação que define uma nova espécie”, ou seja, fala da macro-evolução que faz com que uma minhoca se transforme em uma baleia por uma operação de magia. O pensamento mágico da Idade Média voltou a estar na moda. E o burro sou eu!

ateismo

domingo, 15 de maio de 2016

Um eucariote sem mitocôndria !?

 

Foi descoberto um organismo celular sem mitocôndria!

Até agora, os biólogos acreditavam que a mitocôndria era essencial para o fornecimento de energia da célula através da síntese de moléculas ATP. Mas, recentemente, descobriu-se que um organismo celular de tipo eucariote (com núcleo separado por uma membrana) não possui mitocôndria — os nutrientes exteriores são transformados em energia directamente no citosol da célula, num dispositivo biológico baseado em enxofre.

“Rather than evolving without mitochondria, biologists believe the cells lost these power organs at some point in their evolutionary past.

Instead, it is thought the cells swapped traded DNA with bacteria – in a process known as gene transfer – in order to inherit a sulphur transfer process which produces energy”.

Os cientistas acreditam que esse organismo não “evoluiu” sem mitocôndria! Claro que acreditam, porque não podem provar isso ou o contrário.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Criacionismo e evolucionismo

 

Tenho sido instado (no Twitter) a apoiar o criacionismo.

Se o criacionismo é a ideia segundo a qual o universo teve um princípio e é um efeito de uma Causa Primeira a que chamamos Deus, então sou criacionista. Mas se o criacionismo inclui nele, por exemplo, a ideia de que os dinossauros viveram há cinco mil anos, então peço licença para não ser criacionista.

De modo semelhante, se “evolução” é um processo através do qual o insondável (Deus) se apresenta no espaço-tempo, e por isso, se “evolução” subentende que o espírito, a alma e a razão são produtos de uma evolução, então o termo “evolução” não representa qualquer problema.

Mas se o termo “evolução” for entendido em termos meramente materialistas (conforme a síntese moderna do darwinismo), então, o facto da verificação da autoconsciência e a possibilidade de acesso à dimensão das verdades perenes, destrói este quadro e esta mundividência evolucionários — e, neste último caso, não sou evolucionista.

“A teoria evolucionista/darwinista é um mito — assim como o criacionismo bíblico é um mito — porque é impossível explicar a mutação das formas.” – Eric Voegelin

sábado, 4 de julho de 2015

Richard Dawkins dá razão ao Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

 

O Ludwig Krippahl diz que não tem alma. Cada um pensa de si o que quiser. Convém contudo dizer que, segundo a ontologia aristotélica que influenciou o Cristianismo, os animais têm alma, embora não tenham espírito (autoconsciência). Mas não vale a pena explicar ao Ludwig Krippahl a diferença entre alma e espírito, porque teríamos que obrigá-lo a ler Platão e Aristóteles — o que é uma maçada, convenhamos! Escreve ele:

“O ADN dá-nos uma medida conveniente de distância evolutiva e, nessa, eu e o chimpanzé estamos equidistantes da aranha. Mas não é só o ADN que sugere que o chimpanzé e eu estamos mais próximos. A nossa anatomia é semelhante mas muito diferente da da aranha e partilhamos capacidades para resolver problemas, sentir afecto, aprender, comunicar e interagir em sociedade que nos afastam a ambos da aranha.”

dawkins-and-freud-webHá problemas que uma aranha resolve que não passam pela cabeça do macaco. Cada ser vivo (cada espécie) resolve os seus problemas. O que não devemos é confundir, por exemplo, o comportamento submisso de um cão, com “afecto” (como está hoje na moda); ou não devemos confundir “instinto” e “afecto” (por exemplo, o instinto maternal, que vemos nos leões ou nos símios, mas também no ser humano), nem devemos confundir “instinto” — que é próprio de todos os animais em geral— e “intuição” que é exclusivo do ser humano.

O Ludwig Krippahl concebe apenas a forma das coisas, e ignora ostensivamente o conteúdo delas.

Do ponto de vista do conteúdo do ser (e foi isto que o Padre Gonçalo  Portocarrero de Almada quis dizer), «a distância que vai do mais apto dos símios para o mais estúpido dos homens é infinitamente superior à que dista entre o mais evoluído dos primatas e o mais básico ser vivo» — exactamente porque a alma aristotélica, princípio de pensamento, privilégio e essência do Homem, dá acesso à liberdade e à moral.

O Ludwig Krippahl pensa que não: pensa ele que existe menos liberdade e menos moral numa aranha do que num símio. Para ele, um macaco tem mais liberdade e mais moral do que uma aranha. Ora, é aqui que eu divirjo dele e me aproximo do Padre Gonçalo  Portocarrero de Almada: nem a aranha nem o macaco têm liberdade e moral; e por isso é que estão ambos infinitamente distantes do ser humano.


Numa entrevista a uma revista1 , foi perguntado a Richard Dawkins o seguinte: “¿O senhor pensa que o ser humano poderia superar as leis da evolução?”. E Richard Dawkins respondeu assim:

“Sim, de uma maneira limitada; no entanto, importante para nós. Embora nós sejamos seres darwinianos, podemos olhar para o futuro. Podemos perguntar-nos em que sociedade desejamos viver. É uma sociedade na qual as regras são respeitadas, independentemente da forma que assumam num determinado país. Penso que isto é algo singular, algo anti-darwiniano, algo que nunca foi observado em nenhum outro ser vivo”.

Ou seja, Richard Dawkins constatou uma evidência: não é preciso qualquer demonstração através do ADN para chegar à conclusão a que ele chegou. Quando ele diz que há “algo (no ser humano) que nunca foi observado em nenhum ser vivo”, o que ele diz, de facto, é que «a distância que vai do mais apto dos símios para o mais estúpido dos homens é infinitamente superior à que dista entre o mais evoluído dos primatas e o mais básico ser vivo».

No entanto, o Ludwig Krippahl consegue ser radicalmente mais darwinista do que o Richard Dawkins — o que é obra! Isso não tem nada a ver com darwinismo: antes tem a ver com ideologia política que levou o Ludwig Krippahl a militante do partido “Livre”.

Com esta afirmação, foi o próprio Richard Dawkins quem revelou o ponto fraco da sua argumentação radical darwinista: ou somos escravizados pelos nossos genes e/ou pelo nosso ADN, ou então temos em relação a eles a liberdade de manifestar comportamentos que permitem a sobrevivência de toda a biosfera da Terra.

É precisamente porque o ser humano está infinitamente distante dos símios e das aranhas que tem a liberdade de proteger os símios e as aranhas.


Nota
1. revista alemã “Focus”, nº 39, 1996

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Quando leio Peter Singer, fico com os cabelos em pé

 

Neue Zuricher Zeitung: You do not consider an infant to be more worthy of protection than an embryo. On the other hand, you do not necessarily ascribe a higher status to humans than to animals.

Peter Singer: Belonging to the human species is not what makes it morally wrong to kill a living being. Why should all members of the species homo sapiens have a right to life, whereas other species do not? This idea is merely a remnant of our religious legacy. For centuries, we have been told that man was created in the image of God, that God granted us dominion over the animals and that we have an immortal soul.

Peter Singer ‘disinvited’ from German philosophy festival

Chegamos hoje ao absurdo de termos que nos questionar por que razão a vida de um ser humano é mais importante e valiosa do que a vida de um peixe, por exemplo. Peter Singer pergunta: “¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”. E depois atribui a maior importância dada à vida humana à “herança religiosa”.


Desde o tempo do paleolítico — ainda não existiam as religiões universais — que a vida humana, na tribo ou no clã, era mais importante do que a dos animais caçados. Portanto, a ideia de Peter Singer segundo a qual “a maior importância dada à vida humana é uma herança religiosa” é uma estupidez de todo o tamanho — a não ser que os trogloditas e os palafitas já fossem cristãos!

Fico com os cabelos em pé ao constatar que Peter Singer é hoje considerado um “grande filósofo”!

A razão por que “a vida humana é considerada mais importante e valiosa do que a dos outros animais” é, em primeiro lugar, a de que o ser humano é um animal gregário (social). Tão simples quanto isto. É uma razão biológica e natural. Só tem a ver com religião por via das diversas diferenciações culturais que desde o tempo do paleolítico foram forjando novas religiões. O “ter a ver com religião” é uma causa secunda construída a partir da natureza humana fundamental.


Desconstruído o argumento da “religião”, vamos ao argumento absurdo principal:

“¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”

Peter Singer parte do princípio da aceitação da superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais — porque só o ser humano pode fazer a pergunta supracitada —, para depois negar a superioridade ontológica (a superioridade do Ser) do ser humano. Se Peter Singer não aceitasse a priori a superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais, a pergunta não faria qualquer sentido.

A partir de uma assimetria moral (entre o ser humano e os outros animais), Peter Singer cria uma simetria ontológica (entre o ser humano e os outros animais) — porque os outros animais não são capazes de pensar o mesmo, em termos morais, em relação ao ser humano, e por isso não podemos colocar o ser humano e as outras espécies em um mesmo plano moral, ontológico e natural.

Assimetria moral → simetria ontológica = contradição em termos

Ou seja: para Peter Singer, o ser humano é moralmente superior aos outros animais, mas simultaneamente ele nega que a vida humana tenha mais valor do que a de um peixe.

Para Peter Singer, a superioridade moral do ser humano — que, no fundo, é uma forma de “domínio” — funciona como um instrumento de negação da superioridade ontológica do ser humano. Ora, se Peter Singer aceita a priori o primeiro tipo de superioridade, tem que logicamente aceitar o segundo.

Por maioria de razão, a assimetria moral permite ao ser humano proteger (ou não: trata-se do livre-arbítrio que o ser humano tem e os outros animais não têm) os animais; mas não implica, por essa razão, que o ser humano seja ontologicamente equivalente ou idêntico às outras espécies.

Por vezes, tenho a sensação de que Peter Singer tem sérias dificuldades com a Lógica.

domingo, 21 de junho de 2015

Carlos Fiolhais e a ciência entendida como uma ideologia política

 

“No ambiente do nosso planeta, os nossos olhos adaptaram-se, ao longo do caminho de evolução biológica, a perceber as cores.”

Carlos Fiolhais

A narrativa do Carlos Fiolhais é mais ou menos a seguinte: “Era uma vez uma bactéria que se transformou numa baleia e depois, graças à evolução biológica, se transformou num macaco, num cão e num ser humano!”

“A questão de como é que um nervo se tornou sensível à luz não nos importa, tal como a questão de saber como é que a própria vida teve origem”.

→ Darwin, “A Origem das Espécies”, pág. 151, 1872

Como se vê, estamos perante uma concepção mágica da realidade, semelhante à que existia no neolítico. É claro que Carlos Fiolhais sabe perfeitamente que conta uma estória da carochinha. Ou, em português correcto: ele sabe que mente! Ele mente porque concebe a ciência como uma ideologia política.

Felizmente, as pessoas vão tendo acesso à cultura e vão deixando de acreditar nas estórias da carochinha de gente como o Carlos Fiolhais:

“Os cientistas têm, de alguma forma, uma inclinação para confundir os seus desejos com a realidade. Por exemplo, há alguns séculos, pensava-se que os insectos e outros pequenos animais surgiam directamente a partir da comida estragada. Isto era fácil de acreditar uma vez que se pensava que os pequenos animais eram muito simples (antes da invenção do microscópio, os naturalistas pensavam que os insectos não possuíam órgãos internos)”.

→ Michael Behe, “A Caixa Negra de Darwin”, pág. 40.

Aconselho os leitores do Rerum Natura a leitura do livro do bioquímico americano Michael Behe, “A Caixa Negra de Darwin”. Não se deixem enganar por gentalha como a que escreve naquele blogue.

Quando o Carlos Fiolhais reclama mais dinheiro do Estado para aquilo a que ele chama “investigação científica”, do que se trata é exigir fundos do erário público para financiar a propaganda de uma ideologia política cientificista que grassa pela academia coimbrinha. E muito bem faz Passos Coelho em cortar as vazas a essa gente.

sábado, 31 de janeiro de 2015

É preciso ter muita paciência... com o Ludwig Krippahl

 

O bioquímico americano Michael Behe, no seu livro “A Caixa Negra de Darwin”, definiu assim “evolução” :

«No sentido biológico, “evolução” designa um processo pelo qual a vida emerge da matéria não-animada e se desenvolve depois por meios exclusivamente naturais. Foi esse o sentido que Darwin emprestou à palavra e foi retido pela comunidade científica.»

O Ludwig Krippahl não concorda com a definição de “evolução” de Michael Behe. Ainda vou ver o Ludwig Krippahl laureado com o Nobel, passando a perna ao Michael Behe e gozando na cara dele...
Portanto, seria bom que não perdêssemos tempo com assuntos de “lana caprina” e com tergiversações que têm por objectivo desviar as atenções do essencial. Aliás, o Ludwig Krippahl é useiro e vezeiro — especialista, até! — na falácia do espantalho.



O Ludwig Krippahl escreveu o seguinte:

“Braga discordou também da minha explicação de que os mecanismos da evolução podem ser mais ou menos aleatórios (5). Aparentemente, julga ser aleatório é como estar grávida. Ou está, ou não está. Mas isto é errado.

O resultado de lançar um dado equilibrado é aleatório, com uma probabilidade de um em seis para cada número. Se o dado estiver viciado e a probabilidade de sair 6 for 50%, o resultado continua a ser aleatório mas será menos aleatório porque é mais previsível. E se lançarmos ambos os dados um milhão de vezes, é praticamente certo que o dado viciado terá um resultado médio superior ao do dado equilibrado. É isto que acontece na evolução. O acaso tem alguma influência.”

Repare-se como o Ludwig Krippahl começa por falar em “aleatório” no sentido do jogo do “dado” (o polígono), e por fim já fala em “acaso”. Vejam bem como ele confunde (propositadamente, penso eu; só pode!)  os dois conceitos diferentes de “aleatório”: é que, no jogo do dado, estamos a falar de probabilidades limitadas, em função de dados previamente conhecidos — por isso é que se chama “dado” (do latim “datus”, “aquilo que nos foi entregue”), porque as probabilidades são-nos dadas a priori. Quando jogamos com um dado, não nos pode sair o número 7, ou 8, etc. As probabilidades são limitadas.

O “aleatório” no sentido de “acaso” é outra coisa.

O acaso é a causa acidental de acontecimentos ou de fenómenos que não foram provocados deliberadamente; ou, melhor dizendo, e segundo Cournot, o acaso é constituído por fenómenos ou acontecimentos produzidos pela conjugação imprevisível de séries causais independentes. É neste sentido que se deve falar em “aleatório” quando nos referimos à  evolução darwinista no sentido da macro-evolução.

O aleatório, ou acaso, na macro-evolução darwinista, remete para o carácter verdadeiramente fortuito e geralmente imprevisível de relações entre cadeias causais independentes; o acaso ou aleatório, neste sentido, provém de uma conjugação de factos racionalmente independentes uns dos outros. A complexidade do real é de tal forma que a redução deste tipo de acaso ou aleatório não pode ser encarado cientificamente — o que significa que toda a representação ingenuamente determinista do universo, tanto natural como humano, é-nos vedada. Repare-se que estamos a falar aqui de macro-evolução, e não de micro-evolução ou adaptação ao meio ou a ecossistemas.

Eu sei que o facto de estar a escrever isto não vai adiantar nada em relação ao Ludwig Krippahl. Mas faço-o para o leitor inteligente que por aqui passar.

Continua o Ludwig Krippahl:

“Por exemplo, a retina dos vertebrados desenvolve-se como uma extensão do cérebro e acaba por ficar ao contrário, com os receptores atrás dos nervos e dos vasos sanguíneos. Nos invertebrados, a retina desenvolve-se a partir de uma invaginação da cabeça e fica orientada da forma mais conveniente.”

Quando o Ludwig Krippahl fala em “retina”, mais valia estar calado; ou, em alternativa, o Ludwig Krippahl terá que ter uma explicação racional e científica para o aparecimento do olho nos animais. Estamos em presença de um génio português que ninguém conhece lá fora... vanitas vanitatum, omnia vanitas...

Continua o Ludwig Krippahl:

“Braga acrescenta agora que eu estou «a misturar a micro-evolução com a macro-evolução» enquanto que ele só está a falar desta última. Este é um truque comum entre os “cépticos” da evolução. A ideia é a de que aceitam que as populações se vão modificando com o passar das gerações mas não aceitam que a alteração seja muito grande. Exactamente o que isso quer dizer ou porque defendem isso nunca é explicado. É como aceitar que uma pessoa pode envelhecer um ou dois anos mas nunca setenta, porque o macro-envelhecimento é impossível.”

Quando o Ludwig Krippahl me explicar o surgimento nos animais, do sistema imunitário, ou do olho, deixarei de fazer a distinção entre macro e micro-evolução. Vou esperar sentado.

Tudo o resto do texto do Ludwig Krippahl é uma narrativa fastidiosa — é uma estória. É como se eu justificasse o facto de as folhas das árvores serem verdes "porque uns homenzinhos verdes, com pincéis verdes e tintas verdes, pintam as folhas todas as noites". É uma teoria que pega nos dados objectivos de um segmento da realidade e interpreta-os subjectiva- e intersubjectivamente segundo paradigmas estabelecidos por uma determinada cultura e comunidade (científicas). É uma espécie de religião.

O único facto que pode sustentar ainda a macro-evolução darwinista é a intersecção/semelhança de dados de ADN entre as diferentes espécies — mas mesmo estas semelhanças de ADN apresentam hoje vários problemas de validação científica que não cabem aqui e agora referir.

Quando uma pessoa pega em um segmento da realidade e faz dele toda a realidade, acaba por ter o raciocínio e a mundividência do Ludwig Krippahl.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Resposta a um leitor

 


A única coisa em que o vídeo e a sua teoria têm razão objectiva — repito: objectiva, porque teorias há muitas — é sobre o aparecimento abrupto de novas espécies. Até hoje, o darwinismo não conseguiu explicar (de forma racional e não dogmática) a explosão câmbrica.

Ludwig Krippahl: mistura, baralha, confunde, e diz que é ciência


Neste verbete defendi muito sucintamente a tese segundo a qual  “a evolução darwinista é impossível”. Quanto falo em “evolução” quero dizer “macro-evolução”. O Ludwig Krippahl critica aqui o meu verbete mas referindo-se à  micro-evolução (adaptação ao meio-ambiente). Assim a gente não se entende.

Parece que o Ludwig Krippahl incorre da falácia do espantalho, porque critica uma posição minha que eu não defendi.



Definição:

No sentido biológico, “evolução” designa um processo pelo qual a vida emerge da matéria não-animada e se desenvolve depois por meios exclusivamente naturais. Foi esse o sentido que Darwin emprestou à palavra e foi retido pela comunidade científica.


Escreve o Ludwig Krippahl:

“Em biologia, o termo (evolução) refere-se à variação da distribuição de características hereditárias numa população conforme novas gerações substituem as anteriores.

O que se propõe ser mais ou menos aleatório são os mecanismos que influenciam a evolução de uma população.”

Ou seja, segundo o Ludwig Krippahl, a evolução não é aleatória, mas é “mais ou menos” aleatória. É um NIM.

Mas aqui o Ludwig Krippahl está a misturar a micro-evolução com a macro-evolução — está a meter tudo no mesmo saco —, enquanto eu faço a distinção entre os dois tipos de “evolução”. A adaptação ao meio-ambiente (micro-evolução) é evidente: não precisa de demonstração. Nem faz parte só da ciência: faz parte do senso-comum muito antes de Darwin: Aristóteles já falava do assunto.

Portanto, estamos certamente a falar de coisas diferentes, e o Ludwig Krippahl partiu do princípio errado de que eu me referia à  micro-evolução. E como o princípio não está correcto, a argumentação subsequente do Ludwig Krippahl “falha o alvo”.

A seguir, escreve o Ludwig Krippahl:

“Finalmente, Braga alega que a evolução é impossível porque «não existe informação prévia» (...). Mas a evolução não procura (…) qualquer alvo predeterminado.”

Pois é: segundo o Ludwig Krippahl, a evolução é cega, porque “não procura qualquer alvo predeterminado”. Ou seja, segundo ele, “a evolução é aleatória e não guiada”, tal como me referi no meu verbete e que foi, em uma primeira fase do verbete dele, negado.

Se a evolução (segundo o Ludwig Krippahl) “não procura qualquer alvo predeterminado”, não pode ser guiada e tem que ser aleatória no sentido em que a informação disponível em um determinado estádio de evolução — “evolução” segundo o conceito do Ludwig Krippahl — não prevê minimamente as características do estádio de evolução seguinte.

Na teoria da informação — simplificando o que é complexo — podemos fazer uma analogia com a segunda lei da termodinâmica: a quantidade de informação transmitida pode ser entendida como entropia negativa; na transmissão de informação, a entropia negativa decresce continuamente, uma vez que a entropia positiva (perdas de informação) aumenta também continuamente. Ou a teoria da informação é falsa, ou a evolução darwinista (ver definição supracitada) é impossível.

A noção que o Ludwig Krippahl tem no teorema de Gödel parece ser rudimentar, e mesmo imprecisa. Escreve ele:

“O teorema de Gödel mostra que qualquer sistema formal suficientemente expressivo admite proposições verdadeiras que não podem ser demonstradas a partir dos axiomas desse sistema formal.”

Se uma proposição não pode ser demonstrada a partir de axiomas desse sistema formal, ¿como é que o Ludwig Krippahl sabe que a proposição é verdadeira? Ele sabe que a proposição é verdadeira porque existe um segundo sistema superior ao primeiro que demonstra a veracidade da proposição do sistema inferior — e por aí fora. Ou seja, existe uma informação de ordem superior que legitima e demonstra a veracidade da informação de um sistema inferior.

Por exemplo, o teorema de Gödel, e segundo a teoria da informação, exclui a possibilidade de se construir uma máquina que resolva todo e qualquer problema — o que torna absurda a ideia do Ludwig Krippahl segundo a qual o teorema de Gödel “é importante para alguns problemas lógicos, matemáticos ou de computação, mas não tem nada que ver com a teoria da evolução”  — porque a evolução não é outra coisa senão uma tentativa continuada de resolução de problemas. ¿Será que o Ludwig Krippahl entende bem o que eu quero dizer?

Se a concepção da vida, segundo a evolução darwinista, é mecanicista (naturalismo), o teorema de Gödel aplica-se-lhe que nem uma luva, por maior ou menor dissonância cognitiva que o Ludwig Krippahl tenha que enfrentar.

Se a evolução não é guiada — ou seja, se não existe qualquer informação prévia que oriente a evolução nos sucessivos estádios —, ou seja, se o naturalismo se associa à  evolução, então a possibilidade das nossas faculdades cognitivas serem credíveis é muito baixa. Se “evolução + naturalismo” é aceite, não estamos em presença de faculdades cognitivas credíveis. Não dá com certeza para um prémio Nobel senão em um mundo em que o naturalismo é uma religião que é incompatível com a própria evolução.

“Nem é relevante para a formalização matemática da teoria nem é preciso os escaravelhos saberem que o teorema de Goodstein sobre sequências de números naturais não pode ser demonstrado na álgebra de Peano para que os mais camuflados se escapem melhor dos predadores.”

Segundo o Ludwig Krippahl, os nossos cérebros — à  semelhança dos cérebros dos escaravelhos — são formatados pela “evolução” para a sobrevivência, e não para a verdade. Com um jeitinho da política, ele terá o Nobel garantido.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A evolução darwinista é impossível

 


Se a Teoria da Informação é verdadeira, a evolução darwinista é impossível, porque a informação de novas formas terá que estar previamente incorporada na procura que se faz dessas novas formas.

A evolução darwinista é impossível quando é concebida como “evolução aleatória e não guiada”, porque se não existe informação prévia (se não existir uma condução do processo que pressupõe a existência de informação), as hipóteses de algo acontecer sem essa informação tornam a evolução darwinista impossível.

Dá-se como exemplo a procura do tesouro na ilha: ou temos informação prévia da área onde pode estar o tesouro, ou prosseguimos escavando a terra de forma aleatória (sem informação). No segundo caso, a probabilidade de encontrarmos o tesouro é muito baixa se a ilha for grande.

Ou seria como se uma companhia de petróleo fizesse prospecção de novos poços de petróleo sem qualquer informação prévia e de forma aleatória.

O teorema de Gödel  já tinha colocado este problema, embora de uma forma diferente: é impossível demonstrar a não-contradição de um sistema (sendo bastante rico) pelos seus próprios meios, ou mediante meios mais fracos.

Por exemplo, um computador suficientemente complexo para simular o trabalho cerebral, e submetido a um rigoroso determinismo no que respeita ao seu mecanismo e às permutas com o exterior, não permite calcular, em um tempo t, o que ele (computador) será num tempo t+1 — só o consegue na medida em que a sua determinação, por si só incompleta, estiver submetida à determinação de um outro computador de ordem superior, mas que, nesse caso, também não está de modo nenhum inteiramente determinado por si mesmo; e assim consecutivamente, ad infinitum.

Não se quer dizer que a teoria de Darwin seja falsa; o que se quer dizer é que é impossível.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O conceito metafísico de “evolução darwinista” é incompatível com a metafísica religiosa

 

Quando analisamos argumentos, devemos, em primeiro lugar, estudar quanto possível a essência deles, e só depois devemos partir para a abordagem lógica que poderá eventualmente encontrar contradições nesses argumentos.

De qualquer modo, ao ser humano é impossível a absoluta não-contradição.

O cientista informático Larry Stockmeyer demonstrou que a verificação lógica de apenas 558 teoremas implica a necessidade de um computador do tamanho do universo. Se cada teorema for fraccionado em todas as suas partes lógicas possíveis, comparado com todas as conclusões lógicas, silogismos e sorites, estaremos em presença de fracções na ordem de 10^168 (1 seguido de 168 zeros) — mesmo um computador do tamanho do universo bloquearia ao tentar analisar o teorema número 559. Para verificar as possíveis contradições em apenas 100 proposições, podemos obter um número prolixo de fracções, na ordem de 10^30 (1 seguido de 30 zeros). Pedir a um ser humano que seja mais perfeito, no seu raciocínio, do que um computador do tamanho do universo, é defender a ideia de um super-homem.


O Domingos Faria começa por não definir “evolução darwinista”, porque o que lhe interessa é a redução à análise lógica da contradição entre “evolução darwinista” e as religiões universais (e não só os teísmos!) — por exemplo, as várias estirpes do Hinduísmo são incompatíveis com o conceito de evolução darwinista.

No seu sentido biológico, 'evolução' designa um processo pelo qual a vida emerge da matéria não-animada e se desenvolve depois por meios naturais. Foi esse o sentido que Darwin emprestou à palavra e foi retido pela comunidade científica” (Michael Behe).

Isto significa que o conceito de “evolução darwinista” pertence à metafísica, e não à ciência. Ou, se quisermos uma abordagem neo-kantiana:

“O criacionismo é um mito, assim como o darwinismo é um mito, porque é impossível explicar a mutação das formas”. — Eric Voegelin

Segundo o físico ateu Fred Hoyle, a probabilidade de que os tijolos da vida (os aminoácidos) se juntem na sequência correcta para formar uma proteína, é de 1 em 10^40 (1 seguido de 40 zeros). Note-se que os matemáticos consideram a hipótese de 10^50 (1 seguido de 50 zeros) como uma “impossibilidade matemática”. O físico Chandra Wickramasinghe escreveu o seguinte:

“As hipóteses de a vida ter aparecido por acaso e de forma aleatória são semelhantes às hipóteses de um ciclone soprar num qualquer cemitério de automóveis e construir-se assim um Boeing 747”.


Desde Galileu que a Igreja Católica “joga à defesa” (tentando evitar um erro que, de facto, não cometeu) em relação à ciência, e muitas vezes não se dá conta de que o conceito de “evolução darwinista” pertence à metafísica — como aconteceu recentemente com o "papa Francisco".

Segundo o conceito actual de paradigma, de Thomas Kuhn, a reacção do Papa medieval às teses de Galileu foi absolutamente correcta. As teses de Copérnico receberam o imprimatur porque foram formuladas como hipóteses. Porém, Galileu não quis formular quaisquer hipóteses, mas afirmar verdades absolutas — e isto numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

A Igreja Católica, naquela época, defendeu a concepção científica mais moderna embora se tenha atido a concepções cosmológicas erradas.


Se tivermos em consideração devida a noção de “evolução darwinista”, o texto de Domingos Faria não faz sentido, porque especula sobre opiniões de gente que não tem em consideração exacta o princípio de que parte o darwinismo. Aliás, o conceito de “aleatoriedade do processo de evolução” está já, hoje, ferido de morte: a selecção natural pode explicar a sobrevivência de uma espécie adaptada, mas não consegue explicar por que razão essa espécie adaptada surgiu em primeiro lugar.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Os da “Direita liberal” são os “idiotas úteis” da Esquerda

 

A convergência de posições da Esquerda e da chamada “Direita liberal”, no que diz respeito à legalização das "barriga de aluguer" (por exemplo, e entre outras posições), decorre da adopção de uma ética utilitarista (utilitarismo), ou daquilo a que Karl Marx chamava de “moral de merceeiro inglês”. E até o actual Partido Comunista já adopta a “moral de merceeiro inglês”!.

O utilitarismo, à Direita, é o de Stuart Mill: incoerente e contraditório; à Esquerda, é o utilitarismo de Bentham: um instrumento de minagem de uma ordem cultural.

O utilitarismo é sempre, nos dois casos, baseado no darwinismo: não é por acaso que Peter Singer tenha proposto que a Esquerda abandonasse provisoriamente o marxismo (“metesse o marxismo na gaveta”) e adoptasse Darwin. Portanto, tanto na Esquerda como na dita “Direita liberal”, o utilitarismo manifesta-se através de uma qualquer forma de darwinismo social. E a "barriga de aluguer" é uma forma de darwinismo social.

Afirmar que a "barriga de aluguer" será gratuita (não será um negócio), é uma falácia que nos insulta a inteligência.

Por exemplo, primeiro começaram com as uniões civis gays; depois exigiram o "casamento" gay sem a adopção de crianças; depois disseram-nos que o casamento, segundo a Constituição, implica necessariamente a adopção de crianças; e agora dizem-mos que as "barriga de aluguer" não podem ser um negócio até que “a realidade exija que o negócio seja regularizado”.

Se compreendermos isto, não acharemos nada de estranho no que se relata neste texto.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Um recado de Ariano Suassuna para o António Piedade, Carlos Fiolhais & Cia. Ltda.

 

Ariano Suassuna é membro da Academia Brasileira de Letras. Em contraponto, Carlos Fiolhais, António Piedade ou David Marçal, do blogue Rerum Natura, pertencem à academia coimbrinha e compartilham a ideia de Engels de “Humanização do Macaco pelo Trabalho”.

(respigado aqui)

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O conceito de “sociobiologia”, segundo Karl Popper

 

«A ideologia darwinista contém uma tese muito importante: a de que a adaptação da vida ao meio ambiente (…), que a vida vai fazendo ao longo de biliões de anos (…), não constituem quaisquer invenções, mas são o resultado de mero acaso. Dir-se-á que a vida não fez qualquer invenção, que tudo é mecanismo de mutações puramente fortuitas e da selecção natural; que a pressão interior da vida mais não é do que um processo de reprodução. Tudo o resto resulta de um combate que travamos uns com os outros e com a Natureza, na realidade um combate às cegas 1. E o resultado do acaso seriam coisas (no mesmo entender, coisas grandiosas) como seja a utilização da luz solar como alimento.

Eu afirmo que isto é uma vez mais uma ideologia: na realidade, uma parte da antiga ideologia darwinista, a que aliás pertence também o mito do gene egoísta 1 (os genes só podem actuar e sobreviver através da cooperação) e o social-darwinismo ressurgido que se apresenta agora, renovada e ingénuo-deterministicamente, como “sociobiologia”.»2

Notas
1. referência a Richard Dawkins
2. trecho extraído do texto da conferência proferida por Karl Popper em Alpbach, em Agosto de 1982

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Carlos Fiolhais e a crença nos gambozinos

 

Não li este livro nem vou ler. A julgar pelo prólogo, é mais daqueles livros de auto-ajuda que encontramos em trânsito entre aeroportos. E é sobre o prólogo que vou falar.

Em primeiro lugar, o conceito de “crescimento da complexidade”.

Este conceito existe hoje no seguimento da ideologia de Herbert Spencer — também adoptada por Richard Dawkins — que entende a “evolução” como uma diferenciação funcional individuante que obedece a uma intenção utilitarista que leva a subordinar o Todo à satisfação das partes. Richard Dawkins, (ainda) mais burro do que Spencer, coloca o problema em termos da “simplicidade de Deus”, por um lado, e a “complexidade da matéria”, por outro lado, tentando demonstrar por esta via que “o mais simples não pode estar na origem do mais complexo” — como se, matematicamente, a unidade fosse mais simples do que o múltiplo...!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O Naturalismo é o ópio do povo do século XXI

 

“In short, naturalism offers liberation, not from the bonds of superstition but from the burden of rationality.”
Decline in belief in God masks rise in superstition

O Naturalismo oferece a libertação do cidadão em relação ao fardo da racionalidade.

Seria necessário não um Papa exclusivamente preocupado com a práxis e que relega a doutrina e a tradição católicas para um plano secundário (como é o caso do cardeal Bergoglio), mas antes necessitaríamos de um Papa Filósofo, embora mais novo do que Bento XVI (precisaríamos de uma espécie de “cardeal Ratzinger” com menos vinte anos, no papado).

O relativo sucesso cultural do Naturalismo  consiste na inibição que induz em relação ao raciocínio lógico, em um tempo em que se pede à juventude que se especialize em uma determinada área do conhecimento e que não se preocupe muito com a lógica e com o raciocínio inteligente. O slogan politicamente correcto e naturalista segundo o qual “Letras são Tretas”, esconde uma intencionalidade de estupidificação colectiva (a que o blogue Rerum Natura, por exemplo, não está alheio, e daí a minha “sanha persecutória” em relação àquele blogue).

Concentrar a nossa atenção exclusivamente em um pequeno segmento da realidade, através de uma especialização técnica (alegadamente em nome da “ciência”) que exclui qualquer outra área do conhecimento que não lhe seja correlata, é uma tentativa de transformar o ser humano em uma espécie de robô e, por isso, em uma nova espécie de humanóide tendencialmente irracional. E os resultados desta tendência moderna estão aí: em vez da crença em Deus, cresce a superstição (mesmo que não consideremos o darwinismo como sendo uma superstição; mas que é uma crença como outra qualquer, disso não há dúvida!).