sábado, 31 de maio de 2014

O neoliberalismo diz que “matar uma pessoa é melhor do que matar três pessoas”

 

No Brasil, devido à grande influência do partido marxista de Dilma Roussef, está na moda defender a ideia segundo a qual “a ética marginalista é melhor do que a ética marxista”. É falacioso que se utilize as ideias de Karl Marx para justificar as ideias de Carl Menger ou de Hayek — como se faz aqui.

Seria como se eu dissesse que “matar uma pessoa é melhor do que matar três pessoas”: o foco do argumento desloca-se para a quantidade de pessoas assassinadas e, assim, desvia-se do acto assassino. Trata-se de uma falácia da mediocridade (para além de ser uma falácia de double blind): nivela-se por baixo (com a bitola do marxismo) para se justificar a ética marginalista na economia.

Não é possível separar a ética, por um lado, da economia, por outro lado. Aliás, não é possível separar a ética de qualquer actividade humana, incluindo a política. E por isso não é possível separar a ética do marginalismo, por um lado, da economia e da política, por outro lado.

O “paradoxo do valor”, defendido pelo marginalismo, é evidentemente um paradoxo. Em lógica, um paradoxo é um raciocínio que conduz a consequências contraditórias ou impossíveis, mesmo quando não lhe conseguimos encontrar o defeito.

A utilidade do paradoxo é muitas vezes articulada a uma concepção negativa da opinião (por exemplo, nos diálogos de Platão), concebida como obstáculo à busca da verdade: ou seja, o paradoxo pode transformar-se em um instrumento de dogmatização de uma ideia ou de um conceito. O paradoxo do valor é utilizado como forma de dogmatizar a ética marginalista.

Existe uma ligação directa e íntima entre a ética de David Hume (relativismo moral), a ética do marginalismo (Carl Menger e Walras e Stanley Jevons), a ética utilitarista (de John Stuart Mill, Ayn Rand), e o neoliberalismo  (de Hayek, escola de Chicago).

É evidente que a concepção anti-utilitarista de Karl Marx (como a de Nietzsche) não faz sentido, porque as coisas têm uma utilidade objectiva. Mas o que o marginalismo fez foi perverter e adulterar a noção de “utilidade” — e essa perversão não pode ser justificação para a crítica a Karl Marx. Matar uma pessoa não é melhor do que matar três.

A Leya perdeu mais um autor: Rui Cardoso

 

“O escritor Rui Cardoso Martins, cuja obra tem sido publicada pela Dom Quixote, chancela pertencente ao grupo Leya, será, a partir de agora, um autor da Tinta-da-China, revelou quarta-feira à Lusa a editora Bárbara Bulhosa.”

Rui Cardoso Martins passa a ser autor da Tinta-da-China

Desde que entrou o Sarrrrrrrmento, é pesporrência e incompetência a todos os níveis à custa do dinheiro estrangeiro a rodos. É uma incompetência partilhada e orgulhosamente cúmplice, e uma pesporrência que faz parte da própria cultura da empresa e que se transmite de cima para baixo, na hierarquia, em uma espécie de de Trickle-down mimético.

A Leya é o exemplo acabado do relativamente pouco que uma empresa pode conseguir com quantidades enormes de dinheiro. É uma empresa com enormes problemas de comunicação, não só em relação aos autores, mas também em relação aos seus próprios trabalhadores que são o que de melhor deve existir em qualquer empresa.

Manuel Monteiro arrebenta!

 

Vale a pena ver.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O "papa Francisco" e os “Jesus Freaks”

 

“Em novo gesto de austeridade, o Papa cancelou, de última hora, um almoço no Centro Notre Dame, que os Legionários administram em Jerusalém. O motivo teria sido evitar o luxo e optar por algo “mais simples”, comer com os franciscanos.”

Francisco não quis almoçar com os Legionários de Cristo


Na década de 1960 surgiu nos Estados Unidos um movimento de contra-cultura denominado Movimento de Jesus, também conhecido por “Jesus Freaks” e/ou “Povo de Jesus”.

jesus-people

A origem do movimento é obscura, mas há quem diga que se iniciou na cidade de San Francisco com um tal Ted Wise, um antigo tóxico-dependente que se transformou em hippie. O Movimento de Jesus pulverizou-se em uma miríade de comunas (literalmente, pessoas que viviam em comunidades separadas da sociedade) com características diversificadas, e sendo que a maioria dos membros eram jovens entre os 15 e os 24 anos. À medida que esses jovens foram amadurecendo, os “Jesus Freaks” foram desaparecendo com a extinção do fenómeno da contra-cultura, já na década de 1970.

A diversidade do Movimento de Jesus da década de 1960 torna difícil uma generalização das crenças e de práticas, mas podemos identificar pontos comuns: a contra-cultura (radical e irracional), que incluía

  • a procura da “autenticidade” (que ninguém sabia exactamente o que era),
  • a visão da subjectividade como chave-mestra da interpretação da realidade,
  • o ideal comunitário com uma forte repulsa por qualquer posse material,
  • e uma atitude negativa para com a actividade intelectual.

O "papa Francisco" parece ter sido transportado da década de 1960 para o século XXI.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O "papa Francisco" que fala ex-cathedra mas que não fala ex-cathedra: antes pelo contrário!

 

Eu não tenho qualquer certeza acerca do pensamento do "papa Francisco". Nos Papas anteriores, eu sabia que uma qualquer declaração pública deles era (pelo menos implicitamente) ex-cathedra; e parece que qualquer declaração pública do "papa Francisco" não é necessariamente ex-cathedra e apenas reflecte a opinião pessoal do dito cujo.

Por exemplo, quando o "papa Francisco" diz que o celibato dos sacerdotes não é uma dogma da Igreja Católica, é uma verdade de La Palisse. Mas o que o "papa Francisco" pretende dizer é que, segundo a opinião dele, tudo o que não seja um dogma pode ser mudado — o que é uma estupidez.

che-bergoglio-png-webPode ser uma opinião estúpida, mas é a opinião do "papa Francisco". E, neste sentido e neste caso, não sabemos certamente se o "papa Francisco" está a falar ex-cathedra  ou não, porque ele próprio não diz quando se trata da opinião dele ou quando fala ex-cathedra. Quem decide se é ex-cathedra ou não é o leitor: para alguns leitores, o "papa Francisco" fala ex-cathedra apenas e só quando a opinião do "papa Francisco" apazigua as suas (deles) dissonâncias cognitivas.

¿O Direito Canónico pode ser mudado? Em princípio, pode.

E pode ser mudado de forma a poder satisfazer os apetites sexuais dos padres? Pode; por exemplo, se o Direito Canónico passar a permitir o casamento dos padres, não há nada que nos garanta que o "casamento" entre sacerdotes (do mesmo sexo, obviamente) também não veja a ser contemplado pela mudança do Direito Canónico. Seguindo a lógica de raciocínio da opinião do papa, é perfeitamente legítimo que se defenda o "casamento" gay dos padres. Porque não é dogma!

E, por exemplo, a posição da Igreja Católica contra o aborto também não é um dogma; e, por isso, não sendo um dogma e segundo a opinião do "papa Francisco", a Igreja Católica poderá rever a sua posição em relação ao aborto baseando-se no facto de que não existe na Igreja Católica qualquer dogma que seja especificamente contra o aborto. É sabido que a Igreja Católica nem sempre teve uma posição eticamente correcta em relação ao aborto — mas não vou aqui falar dos “esqueletos no armário” de alguns papas e da Igreja Católica.

A ideia do "papa Francisco" segundo a qual “tudo aquilo que não é dogma, e que faz parte do Direito Canónico, pode ser mudado de acordo com os apetites do clero de um determinado Zeitgeist, ou de acordo com as modas de um determinado tempo”, não é só estupidez: é demoníaco!

terça-feira, 27 de maio de 2014

FC Porto, Campeão da Europa / 2004

 

FCP 2004

Da esquerda para a direita : Derlei (Av), Deco (10), Costinha (MC), Pedro Mendes (MC), Paulo Ferreira (D.D. ), Nuno Valente (D.E.), Ricardo Carvalho (D.C.), Carlos Alberto (M.C.), Maniche (M.C.), Vítor Baía (GR), Jorge Costa (D.C. e capitão).

Suplentes: Nuno (GR), José Bosingwa (D.D.), Ricardo Costa (d.C.), Pedro Emanuel (d.C.), Dmitri Alenichev (Av), Edgaras Jankauskas (Av), Benni McCarthy (Av).

Ver aqui o registo da história.

As novas causas fracturantes do Bloco de Esquerda

 

O Bloco de Esquerda necessita urgentemente de novas causas fracturantes, sob pena de o partido cair no olvido e quiçá na extinção. Por isso, e como simpatizante manifesto e reconhecido do Bloco de Esquerda, faço aqui algumas sugestões:

  • legalização da distribuição gratuita de heroína e cocaína através da rede de farmácias (para além da marijuana e do haxixe);
  • legalização da eutanásia a pedido do cliente, em hospital público e grátis;
  • legalização da eutanásia para crianças com qualquer deficiência;
  • legalização da eutanásia coerciva para os idosos;
  • reconhecimento da necrofilia como orientação sexual e legalização do casamento necrófilo;
  • regulação legislativa do direito do cidadão à licantropia;
  • regulação do direito dos mendigos a cagar livremente na relva dos parques ou jardins públicos.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

A construção do leviatão europeu foi mais uma vez rejeitada nestas eleições europeias

 

Quando os franceses votaram (há cerca de dois anos) no Partido Socialista de François Hollande, a maioria não fazia a ideia do que isso iria representar para a governação de França. Naturalmente que sabiam, por exemplo, que os socialistas não são de direita; mas não sabiam que o socialismo francês (e europeu, já agora) voltaria a adoptar os tiques jacobinos e maçónicos da Revolução Francesa depois da subida ao Poder.

O que se está a passar na União Europeia, com a radicalização à esquerda mas sobretudo à direita, é culpa, em primeiro lugar, dos partidos socialistas em geral que estão cada vez mais sob o jugo da maçonaria jacobina. Por exemplo, o Partido Socialista francês está absolutamente subjugado pelo Grande Oriente de França: quem manda, literalmente, no Partido Socialista francês é a maçonaria jacobina.

Em segundo lugar, a culpa é de uma direita europeia que abandonou os valores e vendeu-se ao dinheiro. Os partidos democrata-cristãos desapareceram da Europa: hoje temos apenas partidos neoliberais que não hesitam em vender a dignidade do ser humano por um prato de lentilhas.

Marine d'arc-564

O resultado disto foi o de que, em França, os católicos votaram em massa na Front Nationale de Marine Le Pen — o que parece ser uma contradição, porque a Front Nationale é um partido tanto ou mais laicista do que o Partido Socialista francês. Mas não é propriamente uma contradição porque a Front Nationale é contra as engenheiras sociais jacobinas ("casamento" gay, adopção de crianças por pares de invertidos, procriação medicamente assistida para toda gente, "barriga de aluguer", etc.), por um lado, e por outro lado a Front Nationale representa uma direita dos valores que inclui os valores da Nação.

Foi esta, também, uma das razões por que o Partido Comunista português teve um aumento da sua votação: trata-se de um partido que sublinha o valor da soberania nacional. Ou seja, para além do PNR (que perdeu credibilidade com determinados actos gratuitos de rua), o Partido Comunista é o único partido soberanista português.

O que estas eleições europeias revelaram é que os povos da Europa, em geral, pretendem que os valores (éticos e metafísicos) voltem a fazer parte da política; e pretendem que o processo de integração europeia, a existir, tenha que ser democrático e transparente; ou seja, o actual método político não-democrático de integração europeia foi claramente rejeitado pelos povos da Europa.

Isto significa também que, ou os partidos rotativistas do centrão político (europeísta e “federalista à força”) alteram os seus ideários e práticas, ou tendem a ver diminuir a sua influência na cena política.

Ou então, esse centrão político deverá transformar-se no esteio da construção de um leviatão europeu através de golpes-de-estado constitucionais nos vários países da União Europeia, no sentido de colocar a força bruta do Estado ao serviço de uma sistema anti-democrático de federalização da União Europeia — o que seria o fim da democracia na Europa.

domingo, 25 de maio de 2014

As eleições europeias, em uma frase

 

A derrocada dos partidos políticos do “sistema”.

A Helena Damião e o crioulo

 

A Helena Damião acha que o crioulo pode ser instrumento de arte poética. Pode ser; mas na terra dos crioulos. Por exemplo, podemos ver aqui em baixo a canção de Cesária Évora, “Sodade”: pouca gente percebe a letra, mas o som da morna (que tem origem no fado português, diga-se em abono da verdade) cativa mesmo os povos nórdicos...

É politicamente correcto — fica bem! É coisa finíssima!, própria os “tios” e das “tias”— achar que do crioulo se extrai uma “grande poesia”. Por exemplo, não é necessária qualquer métrica na poesia crioula porque esta está acima de qualquer colete de forças formal.

A poesia crioula é coisa do povo (ui!, que fino!); ¿e haverá coisa mais genial do que a poesia popular?

Mal andou o poeta popular português, Aleixo de seu nome, que deu à métrica uma importância inusitada e despicienda. A poesia do Aleixo é igual às outras: o que é genial é o “Ai Se Sesse” do crioulo Zé da Luz.



¿Quem é Kevin D. Annett?

 

Kevin-AnnettKevin D. Annett foi um pastor da igreja protestante United Church of Canada que foi expulso desta igreja. Depois de ter sido expulso dessa igreja, Kevin D. Annett dedicou-se a ganhar dinheiro dizendo-se “representante dos índios canadianos”, até que os próprios índios lhe disseram que não lhe tinham solicitado qualquer representação e que prescindiam dela.

Em 2013, depois de deixar de ganhar dinheiro com os índios canadianos, Kevin D. Annett fundou o Tribunal Internacional Sobre os Crimes da Igreja e do Estado, que ele diz que é sediado em Bruxelas (Bélgica), mas que na realidade está sediado na sua própria casa e em um blogue que ele criou para o efeito. Toda a informação acerca desse “tribunal” pode ser encontrada aqui, e sobre Kevin D. Annett existe um blogue que o denuncia: Kevin Annett Must Be Stopped.

Neste vídeo, Kevin D. Annett acusa os últimos Papas (João Paulo II, Bento XVI e Francisco I) de terem entrado em sacrifícios rituais de crianças através de um culto satânico que ele chamou de Nono Círculo Satânico (em analogia com o Nono Círculo do “Inferno” de Dante; nem nisso ele foi original), e afirma que a família real inglesa e a família real holandesa, entre outras, também estão envolvidas nesse tal culto satânico que mata crianças.

Trata-se de uma teoria da conspiração que se pode rapidamente transformar em mito.

sábado, 24 de maio de 2014

O Judas Iscariotes do Vaticano

 

O "papa Francisco" mostrou-se indignado e rasgou as vestes por causa de uma festa no Vaticano em celebração da canonização dos papas João Paulo II e de João XXIII. Nessa festa terão estado 150 pessoas (entre empresários, religiosos e jornalistas) e foram gastos 18.000 Euros no total, ou seja, 120 Euros por pessoa.

Uma família que vá jantar fora gasta, entre comidas e bebidas, no mínimo 25 Euros por pessoa — e não se come grande coisa: apenas o frugal.

Se quisermos comer uma refeição de “leitão à Bairrada”, podemos contar com um mínimo de 50 Euros por pessoa (entre comida e bebida, porque o leitão não se come bebendo água).

Se uma empresa convida algumas pessoas para um almoço, a conta não fica por menos do que 100 Euros por pessoa.

judas iscariotes

Mas o "papa Francisco" indignou-se, não pela festa em si, mas pelos 120 Euros por pessoa que custou a festa oferecida pelo Estado do Vaticano.

O vazio ideológico em nome da ideologia

 

O sítio brasileiro de Von Mises é o exemplo do vazio ideológico assumido em nome de uma ideologia revolucionária, não obstante Von Mises ter sido tudo menos revolucionário. Por exemplo, a crítica à China não pode ser feita desta maneira!

 

A degradação dos serviços de saúde em Portugal

 

“Homem com 87 anos ficou à espera oito horas e meia por atendimento na Unidade Hospitalar de Portimão. A filha, stressada e desesperada, conseguiu evitar o pior.

A Unidade Hospitalar de Portimão do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio foi palco de um insólito de saúde que podia ter consequências muito mais graves do que aquelas que teve.

Rosário Viana, a filha do visado, contou no Facebook que o seu pai, de 87 anos, tinha ficado oito horas e meia no dia 6 de Maio no Hospital de Portimão à espera de ser atendido com uma forte dor no peito.”

Homem com forte dor no peito espera oito horas e meia para ser atendido em hospital público


Já adoptamos o Acordo Ortográfico que mais não é do que a expressão escrita de uma das muitas línguas faladas no Brasil. Agora só falta copiar o Brasil em tudo o resto.

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sexta-feira, 23 de maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

É tempo de Portugal diversificar (ainda mais) as suas relações externas

 

«Num artigo publicado esta quinta-feira em França e na Alemanha, respectivamente no semanário "Le Point" e no diário "Die Welt", o antigo Presidente Nicolas Sarkozy aborda o problema da imigração na Europa, defendendo a "suspensão imediata" dos acordos de Schengen sobre a livre circulação de pessoas na União Europeia.

Referência máxima do partido UMP (direita francesa), Sarkozy defende a negociação de "um Schengen II" que, segundo ele, apenas deverá integrar os países que "previamente adoptem uma mesma política de imigração". A crítica às políticas de imigração na UE é um dos temas dominantes da campanha eleitoral da FN em França.

Quanto ao funcionamento da União, Nicolas Sarkozy propõe, na prática, a institucionalização de um directório franco-alemão para a governar. "Temos de deixar de acreditar no mito da igualdade dos direitos e das responsabilidades entre todos os Estados membros", escreve. No artigo, cita designadamente os exemplos de Malta, Chipre e Luxemburgo, para dizer que eles, economicamente, "não têm as mesmas responsabilidades que a França, a Alemanha e a Itália".»

Nicolas Sarkozy propõe fim da igualdade dos Estados na União Europeia


Estas declarações de Sarkozy são uma facada nas costas do Partido Social Democrata, do Partido Socialista, do CDS/PP e do Bloco de Esquerda. E não constituem apenas a opinião dele: estas ideias estão já disseminadas nos países do norte da União Europeia e revelam o fim de qualquer projecto federalista. O federalismo europeu, de Paulo Rangel e de Mário Soares, jaz morto e arrefece.

O tempo é de mudança; de grande mudança mediante pequenos passos. Portugal precisa de “ar fresco”: por exemplo, precisa propôr a sua saída progressiva da NATO aos seus actuais “aliados”. ¿Os Estados Unidos já não estão interessados na base das Lajes? Então é tempo de discutir o problema com a Rússia e com a China — até para dissuadir, através de uma aliança militar com a Rússia, qualquer tentativa de redução das nossas águas territoriais. Recorde-se que a China é hoje o maior investidor estrangeiro em Portugal. Não há como fugir à Realpolitik.

Para isso precisamos de uma nova classe política. É preciso deitar pela borda fora os Paulos Rangéis, os Passos Coelhos e os Antónios Seguros. É gente que ainda não se deu conta de que “o mundo mudou” (como dizia José Sócrates). Já não se respira nesta Europa: quando um político francês vem dizer que o vírus do Ébola vai acabar com a imigração, verificamos que o ar desta Europa já está pestilento. É tempo de procurar ar mais puro.

A judicialização da vida privada dos cidadãos, com o acordo do Partido Social Democrata

 

A responsabilidade parental é decidida pelos tribunais e tem como objectivo dar a tutela de crianças a adultos em “caso de ausência, incapacidade, impedimento ou morte de progenitor”.

Co-adopção: Deputada do PS dá solução ao PSD

Se existe um pai ou uma mãe biológicos com poder paternal regulado, e na ausência, incapacidade, impedimento ou do morte do outro, é à mãe ou pai biológicos que compete delegar no novo cônjuge e em um grau que ele ou ela achem adequados, uma parte do poder paternal.

Trata-se de um assunto privado. O Estado, através dos tribunais, não tem nada a ver com o que se passa dentro de casa das pessoas senão em caso de manifesto forte indício de violação dos direitos das crianças.

O conceito de “responsabilidade parental” pretende eliminar o cariz privado da figura de “poder paternal” do quadro jurídico português. Esta gente quer estatizar as famílias através da judicialização da vida privada dos cidadãos.

A anulação do "casamento" gay

 

A anulação da legalidade do "casamento" gay nunca deverá ser objecto de anúncio prévio: só será anunciado depois do fait accompli. Toma-se o Poder e anula-se. Da mesma forma que a legalização do "casamento" gay não foi objecto de consulta popular, a sua ilegalização deverá ser apenas anunciada post facto.

O politicamente correcto já é uma forma de populismo

 

O cardeal patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, compreendeu (como aliás muitos sacerdotes já compreenderam através da experiência) que a comunidade cristã é hoje aquela comunidade minoritária que parte à conquista da maioria através do exemplo de vida, como aconteceu um pouco assim nos primórdios do Cristianismo. Mas não tenho dúvidas de que essa minoria cristã vai ser politicamente perseguida — aliás, já está a ser perseguida na União Europeia — por uma sociedade culturalmente induzida por uma elite (política, mas não só) moralmente corrupta e que não olha aos meios para atingir os seus fins políticos demagógicos. O politicamente correcto já é uma forma de populismo.

Porém, há a tendência para se afirmar que “a maioria é hoje pagã” — o que é um erro. A maioria é hoje uma massa amorfa que não pode ser comparada com o paganismo da Antiguidade Tardia. O paganismo tinha uma estrutura religiosa; é certo que era imanente e filosoficamente menos elaborada do que o Cristianismo, mas tinha essa estrutura religiosa. Por exemplo, se lermos sobre a polémica de Santo Agostinho contra o neoplatónico Celso (que era pagão), verificamos, por parte deste último, uma argumentação religiosa e soteriológica que o amorfismo cultural actual, nem por sombras, possui 1.

Hoje já não existe cultura propriamente dita: existe um amorfismo cultural que é a negação da própria noção de cultura. É como se a cultura consistisse na negação de si própria, evoluindo em uma espiral de recusa cultural até a um estado em que a negação do racional se transforma em uma concepção do mundo; o irracional passa a ser venerado em nome da razão!. Isto nada tem a ver com o paganismo: é um fenómeno completamente novo, e tem mais analogias com as ideologias dos totalitarismos modernos do que com o paganismo da Antiguidade Tardia. O amorfismo cultural actual tem muito mais a ver com a ética do homossexual David Hume do que com a ética do pagão Celso.

Por outro lado, este artigo fala do conceito grego de "telos" que deu origem à noção de “teleologia”, que consiste no discurso sobre a finalidade das coisas e dos seres entendidos nas suas diferenças ontológicas. É bom sublinhar isto: seres entendidos nas suas diferenças ontológicas. O ser humano tem a sua especificidade natural, e o seu fim (a sua finalidade ontológica) consiste em potenciar as virtudes humanas de acordo com as características de cada indivíduo enquanto inserido na classificação da espécie humana.

Pan-paniscus-bonoboEntre um ser humano e um animal irracional, podemos eventualmente fazer analogias, mas não podemos fazer comparações (como faz a sociobiologia) — porque o "telos" dos dois tipos de seres é diferente.

Por isso não é racional que apelemos à Natureza (falácia do apelo à natureza) para tentar justificar o comportamento humano de acordo com o comportamento de outro animal qualquer, porque o "telos" de um ser humano, por um lado, e de um bonobo, por outro lado e por exemplo, não é idêntico e nem sequer semelhante. O fim (ou seja, a finalidade da sua existência) do ser humano é diferente da finalidade da existência de um bonobo, e a comparação ontológica entre um ser humano e um bonobo é característica da irracionalidade do amorfismo cultural actual marcado pelo cientismo que, no fundo, é uma forma de negação da ciência propriamente dita.

Aquilo que, em um animal irracional, deve ser compreendido no contexto da sua irracionalidade, não serve para tentar justificar o comportamento irracional no homem como sendo razoável — porque estamos a comparar coisas que, à partida, não são racionalmente comparáveis. Ora, o amorfismo cultural actual, imposto através dos me®dia pelas elites corrompidas, não só compara o que não é comparável, como até tende a reduzir o cidadão à condição de um ser irracional. Esta tentativa actual de irracionalização do ser humano só teve paralelo nos totalitarismos do século XX (Hitlerismo e Estalinismo), e por isso podemos inferir que existe uma agenda política esconsa que pretende formatar uma nova forma de totalitarismo de que ainda não temos uma noção clara (conteúdo), embora já possamos pressentir hoje os seus contornos (forma).

Nota
1. Sócrates, Platão e Aristóteles, entre outros, eram pagãos e críticos do comportamento dos sodomitas. “Paganismo” não significava necessariamente “relativismo moral”.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O problema do livre-arbítrio

 

A neurociência está equivocada quando pretende abordar sozinha o problema do livre-arbítrio (no ser humano, obviamente). É um absurdo abordar cientificamente o livre-arbítrio sem ter em conta, nomeadamente, a física quântica.

Vamos falar aqui sobre a Teoria da Consciência, do físico Eugene Wigner. Para já, há que observar este vídeo acerca do comportamento das partículas elementares vs. onda quântica: quando “observadas”, a onda quântica transforma-se em partícula.

A degradação da alta cultura portuguesa

 

É muito raro eu estar de acordo com alguma coisa escrita no blogue Rerum Natura, mas seria desonesto se apenas aqui apontasse as coisas com que não concordo e não mencionasse aquilo que concordo. Dois textos:

“Na última década, Portugal tem vivido no fio da navalha no que respeita ao ensino da matriz clássica.

Em cada ano lectivo que se inicia, os números sempre mais reduzidos de escolas, turmas e alunos evidenciam uma inevitabilidade: o adeus definitivo às línguas e cultura que são a base da nossa civilização.

Com base na ideia de que as Humanidades não servem para nada e que as aprendizagens que importam são as que preparam para a «vida», extinguiu-se quase por completo, primeiro, o estudo do Grego, e, de seguida, o estudo do Latim.”

O Grego e o Latim morreram em Portugal

Sobre a opção de Latim no ensino público

terça-feira, 20 de maio de 2014

Os padres infiéis que serão fiéis no casamento

 

“Vinte e seis mulheres estão apaixonadas por padres católicos e decidiram recorrer à última instância possível para poderem viver com os homens que amam, num amor que garantem ser recíproco. Numa carta enviada ao Papa Francisco pedem que o celibato seja opcional e que os padres possam envolver-se com mulheres e casar.”

Estão apaixonadas por padres e pedem ajuda ao Papa

Conclui-se pelo artigo no pasquim Público que se os sacerdotes católicos casassem, seriam necessariamente honestos e fiéis às suas esposas — mesmo quando não conseguem ser fiéis ao voto de celibato.

Marcello Caetano escreveu uma frase lapidar: “Para os feitios femininos, não há razões de interesse geral que se sobreponham aos sentimentos pessoais” 1.

O problema é que o "papa Francisco" tem feito muitas chamadas telefónicas particulares a outras tantas mulheres: tantas, que agora os “feitios femininos” (que podem ser masculinos) pretendem impôr os seus sentimentos pessoais a toda a Igreja Católica.

Nota
1. “Minha Memórias de Salazar”, referindo-se à sua mulher

O cardeal Kasper, o respeitoso amigo do “papa Francisco”

 

“Recomendar e admitir à Sagrada Comunhão quem vive em estado de pecado mortal é induzir as pessoas, como ensina S. Paulo a condenarem-se, convencendo-as que o mal é bem, que o errado é certo, que a pecaminosidade é santidade, é estorvar-lhes a conversão a Jesus Cristo. Todas estas coisas, aprendi no Catecismo e ao longo de toda a minha vida, são manhas do Demónio, que tem como fim a perdição das almas, a sua condenação eterna. E importa muito não esquecer que S. Pedro, o fundamento visível do Papado, ensina que a finalidade da nossa Fé é a salvação das almas.”

→ Padre Nuno Serras Pereira: O cruel surrealismo do Cardeal Kasper

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Paulo Bento é um cobarde !

 

Cedeu à campanha contra Ricardo Quaresma! Tem uns tomates postiços!

A nova esquerda ilógica e a atomização da sociedade

 

A nova esquerda confunde-se com um certo libertarismo dito de “direita” que se consubstancia, em Portugal, no Partido Social Democrata de Passos Coelho e na ala do CDS/PP de Paulo Portas. A ala do CDS/PP de Paulo Portas fecha a esquerda à direita.

Nos Estados Unidos, esta nova esquerda é representada por aquilo que os americanos chamam de “liberals”, cujos ideólogos são provenientes principalmente do mundo académico (decadente), como é o caso de uma tal Clarissa que aqui escreveu o seguinte:

...There are many people out there who feel confused, lonely and lost in a world where modernity is destroying old certitudes, identities and ways of being. Modernity is liberating in the sense that we are a lot less tied to collective identities ascribed to us at birth. Gender identities, normative sexualities, class origins, religious backgrounds still exist, of course. Nevertheless, they are nowhere as binding as they used to be before the advent of modernity. It isn't easy to challenge the identitarian status quo, but it still can be done...

...At birth, you are handed a set of norms that you are supposed to observe as a representative of your gender, social class, religious denomination, etc. You accumulate enough of these collective allegiances and you can guarantee that pretty much every aspect of your life will be defined for you...Modernity is terrifying because it erodes the stability of collective identities.



A ideia dela é a de que “a modernidade liberta” porque destrói certezas, identidades e modos-de-ser. A “modernidade liberta”, segundo ela, no sentido em que estamos menos ligados a identidades colectivas (que incluem a sexualidade determinada pela biologia) definidas pelo nascimento. Para ela, quando a modernidade destrói as identidades pré-determinadas não só pela cultura mas também pela biologia (no sentido em que, na modernidade, a sexualidade também é, segundo ela, auto-determinada pelo indivíduo como uma forma de libertação), essa destruição das identidades pré-determinadas é vista como uma libertação.

Porém, há aqui um problema lógico: não é possível escapar à classificação sem que se dilua a noção de uma coisa (neste caso, a noção de “ser humano”). A definição é inseparável da classificação – e é por isso não se pode dar uma definição de um individuo, ou de uma unidade, enquanto tal. A ideia segundo a qual a destruição das identidades colectivas liberta o ser humano (enquanto indivíduo) da classificação (porque a classificação é sempre colectiva) corresponde à ideia de que não deve haver uma definição de “ser humano”, e que a ausência de uma definição de “ser humano”  é libertadora. Um absurdo!

Por outro lado, o facto de se destruírem (alegadamente: vamos dar de barato que essa destruição é real) identidades pré-determinadas, não significa que não se criem, por essa via, outras identidades pré-determinadas; o facto de eu querer destruir as minhas identidades pré-determinadas pela cultura e/ou pela biologia, não significa que eu me liberte, por essa via, de uma pré-determinação que consiste na minha negação dessas identidades e na assunção de outras identidades.

Quando eu assumo uma identidade diferente daquela que me é atribuída pela cultura ou pela biologia, essa entidade alegadamente diferente não deixa também de ser pré-determinada — porque a minha existência, em si mesma, tem sempre uma componente de determinação (não é completamente aleatória).

Por fim, o tipo de “libertação” que a nova esquerda defende conduz à atomização da sociedade que é porta aberta para uma qualquer nova forma de totalitarismo.

Um dos argumentos a favor das alterações acorditas da escrita

 

Alguém escreveu o seguinte no FaceBook:

"A ortografia é uma mera representação simbólica da língua. Completamente exterior a ela. OK? Eu posso viver com a língua sem nunca a saber representar simbolicamente e ela não morre nem fica pobre por causa disso."



1/ Se não houver escrita — ou aquilo a que se chamou ali “representação simbólica” —, a língua fica pobre com certeza, porque uma língua sem escrita reduz-se aos conceitos mais básicos. É a escrita que permite o desenvolvimento do pensamento abstracto. Uma língua sem escrita reduz os conceitos ao concreto (incluindo os mitos).

Portanto, temos aqui o primeiro erro da proposição.

2/ A escrita pode ser “fonética” — como é a nossa escrita — ou “simbólica”. Por exemplo, o chinês tem uma escrita simbólica; mas acontece que eu não sou chinês. Não sei se quem escreveu aquilo é meio achinesado, mas eu não sou.

No chinês, qualquer caracter escrito é um símbolo, porque o caracter chinês resume um determinado conceito. Por isso é que a escrita chinesa é "simbólica" (ou “ideográfica”, o que vai dar no mesmo).

Na escrita simbólica, existe um símbolo intermediário  isolado (leia-se, um caracter escrito) entre o conceito, em si mesmo, por um lado, e a escrita que o representa, por outro lado. Na escrita dita “fonética”, que é a nossa, esse símbolo intermediário isolado não existe: é a palavra inteira (um conjunto de caracteres) que constitui o próprio símbolo e que representa o conceito — e por isso é que se diz que a nossa escrita é “fonética”. Por exemplo, quando eu escrevo:

“O porco merece esse nome porque é um animal pouco asseado”

Quando eu escrevo “porco”, a imagem mental (da sujidade) do porco é imediatamente colocada na mente de quem escreve e de quem lê. Ora, isto não acontece com a escrita “simbólica”, como é o caso do chinês. Uma reforma ortográfica na língua chinesa seria uma tarefa hercúlea.

Na escrita chinesa, o conceito de “porco” resume-se em um símbolo: , ao passo que o conceito de “porco”, na nossa língua, traduz-se por um conjunto de letras agregadas, isto é, a palavra “porco”. Pode-se defender a ideia segundo a qual “o nosso alfabeto é arbitrário”, mas já não se pode defender a ideia de que a palavra, que traduz o conceito, seja arbitrária. Não devemos confundir o alfabeto, que pode ser arbitrário no seu fundamento e que é a base da escrita da palavra, com a palavra entendida em si mesma que constitui um símbolo.

3/ Um símbolo não é um sinal. Por exemplo, a letra “p” pode ser (pode-se de defender esta tese) um sinal, mas a palavra “porco” é um símbolo e não um sinal. A palavra “porco” tem um representado que é o respectivo animal ou o conceito do animal “porco”.

Um sinal é arbitrário: pode ser mudado sem que o seu significado seja alterado. Por exemplo, um sinal de trânsito pode ser mudado mantendo-se aquilo que ele significava antes da mudança.

Um símbolo não pode ser mudado sem que o seu significado, ou aquilo que ele representa, seja alterado. Por exemplo, se se mudar o símbolo da cruz, no Cristianismo, o seu representado (Jesus Cristo) desaparece ou é radicalmente alterado.

Na nossa escrita existem símbolos (as palavras), e não meros sinais (as letras). Ao alterar a escrita, estamos sempre a “mexer” com símbolos (estamos sempre a “mexer” com conceitos), e não com sinais. Confundir símbolo e sinal, ou é burrice, ou é má-fé.


Adenda:

Convém dizer que Ferdinand de Saussure não estava totalmente certo: hoje sabe-se que pelo menos um conjunto de línguas (ditas “indo-europeias”) tiveram uma origem comum. O que é convencionado é o alfabeto, mas não a origem das palavras que é comum.

Os acorditas confundem “símbolos” (que são as palavras, mesmo sem escrita), por um lado, com “sinais” (que são as letras do alfabeto convencionado), por outro lado.

O facto de as palavras (faladas) de várias línguas terem uma origem comum, embora se escrevam hoje de maneiras diferentes (com alfabetos diferentes), retira o carácter convencional e arbitrário da língua.

domingo, 18 de maio de 2014

A política socialista aos berros

 

Com António José Seguro voltamos à política aos berros, ao estilo de José Sócrates. Uma qualidade de Passos Coelho é a que ele não berra quando discursa; notou-se uma mudança no discurso político com a mudança de José Sócrates para Passos Coelho. Agora, com António José Seguro, voltamos à política do rasgar das vestes aos gritos.

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada não terá lido o Alcorão

 

A julgar por este artigo assinado pelo Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, ele não leu o Alcorão; a isso não é obrigado, sendo um sacerdote católico; também não se pode obrigar um mufti muçulmano a ler o Novo Testamento.

Eu li o Alcorão, de fio a pavio.

O “direito ao esquecimento” na Internet

 

A ideia peregrina do “direito ao esquecimento”, na Internet, só poderia vir da União Europeia.

Por exemplo, um político foge aos impostos e é apanhado pelo fisco; por isso, é obrigado a pagar os impostos a que se tinha furtado. E depois invoca o “direito ao esquecimento” para apagar os vestígios da sua desonestidade. Deixam de existir esqueletos no armário: basta invocar o “direito ao esquecimento” e os esqueletos políticos desaparecem. É assim que os me®dia vêem o “direito ao esquecimento”: a semântica ideológica vai mudando em função dos interesses políticos.

Vemos, por este artigo no pasquim Público, que basta que alguém faça uma queixa na Polícia Judiciária, alegadamente por difamação, para se ter direito automático ao “direito ao esquecimento”. Nem é preciso trânsito em julgado: basta a queixa na Polícia Judiciária — e pronto!: o Google é obrigado a retirar uma qualquer referência ao nome do cidadão que se sentiu difamado. Parece que a difamação, tal como a lei, se transformou em algo puramente subjectivo.

Segundo a ideia de “direito ao esquecimento”, a ética é reduzida ao cumprimento da lei, mesmo que este cumprimento da lei resulte de uma condenação na justiça.

Se, por exemplo, eu matar alguém intencionalmente, e desde que cumpra a pena de prisão, terei sempre o “direito ao esquecimento”, o que significa que posso exigir que todos os registos cibernéticos acerca do meu comportamento assassino sejam apagados — porque já cumpri a pena determinada pela lei. Cumprir uma pena legal é o mesmo que cumprir as normas da ética e da moral. A ética deixa de existir e é substituída pela justiça determinada pela política.

A Justiça passa a determinar a ética, em vez de ser a ética a determinar a Justiça — o que significa que a ética passa a ser apenas e só aquilo que as elites políticas quiserem que seja.

Parece que o Diogo Feio era politicamente incorrecto

 

Um dia escrevi aos deputados do CDS/PP no parlamento europeu, Nuno Melo e Diogo Feio. Deste último recebi uma resposta; do primeiro ainda estou à espera da resposta, mas vou esperando sentado.

Um coisa é certa: a Nuno Melo nunca mais envio um email acerca de decisões políticas no parlamento europeu, para não ter que ficar sentado, à espera. E como Diogo Feio foi afastado da lista do CDS/PP por conveniência política, o CDS/PP fica sem uma representação real no parlamento europeu. Repito e sublinho: REAL; porque “palhaços” há muitos.

Monarquia, República, Nação e Estado

 

Quando Mário Soares diz que “o Estado Novo não foi uma república”, tem, em parte, razão. A república pressupõe a existência dos partidos políticos e as eleições ao serviço do movimento revolucionário que tem a certeza do futuro (Historicismo: o progresso é visto como uma lei da natureza).

Parte-se do princípio de que o conceito de “república” assenta em princípios jacobinos (provenientes da revolução francesa), em que os partidos políticos e as eleições são meios políticos de transformação da sociedade rumo à criação do “Homem Novo”.

A república (propriamente dita) coloca a Nação ao serviço do Estado; a monarquia (propriamente dita) coloca o Estado ao serviço da Nação.

Por isso é que um monárquico não o pode ser apenas por tradição: há uma filosofia por detrás da monarquia: o rei, e exactamente porque não é eleito, é um símbolo da Nação (ninguém se lembraria de submeter a eleições, por exemplo, a bandeira nacional!, ou o hino nacional; e note-se que um plebiscito não é uma eleição); e o presidente da república, mesmo sendo eleito, é sobretudo um símbolo do Estado.

sábado, 17 de maio de 2014

A secretária-de-estado Teresa Morais e a homofobia

 

A secretária-de-estado Teresa Morais pertence (obviamente) ao Partido Social Democrata; mas poderia pertencer ao Bloco de Esquerda. Aliás, em matéria cultural, o Bloco de Esquerda manda no Partido Social Democrata.

“A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, alertou hoje para o facto de as vítimas de bullying homofóbico terem mais tendência para cometer suicídio e defendeu uma maior intervenção das escolas no combate ao fenómeno.”

“Vítimas de homofobia têm mais tendência para cometer suicídio”

O que a secretária-de-estado Teresa Morais quer dizer é que a alta taxa de suicídio entre adolescentes alegadamente “vítimas de bullying homofóbico” depende do meio-ambiente “homofóbico” em que vivem. Ou seja, segundo a secretária-de-estado Teresa Morais, se o meio-ambiente se alterar e se tornar “gay friendly”, então a percentagem de incidência do suicídio entre adolescentes alegadamente gays ou supostamente gays, diminuiria e ficaria a um nível normal na curva de gauss.

Mas a verdade é que a taxa de incidência do suicídio entre adolescentes supostamente homossexuais não depende do meio-ambiente homofóbico ou “gay-friendly”, mas antes essa taxa é intrínseca à própria condição psicológica do adolescente que se julga homossexual.

A secretária-de-estado Teresa Morais e a homofobiaMesmo que fosse possível que todos os alunos de uma determinada escola se tornassem homófilos ou mesmo homossexuais (o tal ambiente 100% “gay friendly” defendido pela secretária-de-estado Teresa Morais do Partido Social Democrata), não só a taxa relativa de suicídio não diminuiria nessa escola, como o bullying dito “homofóbico” continuaria a existir — porque o bullying não é homofóbico em si mesmo: só se acaba com o bullying quando se conseguir acabar com a competição e com a competitividade entre as crianças.

E, por outro lado, é conhecido o facto de existir um bullying muito agressivo entre os próprios homossexuais, só que esse bullying homossexual é escondido da opinião pública pelo cientificismo ao serviço da política correcta da senhora secretária-de-estado Teresa Morais do Partido Social Democrata.

Segundo o professor de psicologia Dr. Ritch Savin-Williams, da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, a tendência suicida dos adolescentes supostamente homossexuais é baseada no estereótipo cultural imposto pela política correcta: “Nós é que lhes estamos a passar a mensagem de que eles são suicidas em potência”, afirmou o Dr. Ritch Savin-Williams:


“Dr. Ritch Savin-Williams, a psychologist from Cornell University in Ithaca, New York, questioned the notion that LGB youth are more likely to attempt suicide at all, and said the issue is more controversial.

He said that while LGB youth report suicide attempts more often than straight youth, their idea of a suicide attempt may be skewed. "We have given them the message that they are suicidal," Savin-Williams”.

Em vez de criamos ambientes gay-friendly (o que é uma impossibilidade objectiva, que só pode passar pela cabeça psicótica da secretária-de-estado Teresa Morais do Partido Social Democrata), o que se deve fazer é desencorajar os adolescentes a auto-classificarem-se como “homossexuais” — quanto mais não seja porque é sabido que a identidade de uma pessoa só se consolida a partir de uma determinada idade. É isto que deveria ser ensinado nas escolas, em vez de enfiarem patranhas na cabeça dos miúdos sobre a “orientação sexual determinada biologicamente”, coisa que não existe.

 

Salazar: era ¿monárquico ou republicano?

 

“(…) era certo que [Salazar] temia que o regime republicano viesse a descambar no sistema de partidos e na confusão de que nos libertáramos havia 30 anos. Mas tinha ainda mais dúvidas do que eu acerca da viabilidade e da idoneidade da Monarquia, pois às que eu formulara se juntavam as dele sobre a dinastia. Não lhe parecia que D. Duarte Nuno possuísse as qualidades necessárias para o reatamento do regime monárquico, e as provas até então dadas pelos filhos ainda eram piores.

No seu discurso [de Salazar], a referência à eventualidade de a solução monárquica vir a ser uma solução nacional queria dizer que poderia chegar um momento em que, à consciência da Nação, a restauração da Monarquia surgisse como forma única de salvaguardar a sua existência e o seu património moral. Nada mais do que isso.”

Marcello Caetano, “Minhas Memórias de Salazar”, Lisboa, 2006, página 733

Salazar, antes de ser um economista, era um professor de Direito na Universidade de Coimbra. Salazar foi bastante influenciado, na sua formação, pela Filosofia do Direito, de Hegel — como, aliás, a esmagadora maioria dos seus contemporâneos. Salazar substituiu o conceito de “Ideia” (imanente, e proveniente do protestantismo), de Hegel, pelo conceito católico e tradicional de “Providência” (transcendente). Ou seja, Salazar não seguiu exactamente a metafísica de Hegel, mas é certo que foi influenciado, de forma marcada, pela Filosofia do Direito do filósofo alemão.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Um texto desonesto no Blasfémias

 

Quando a revolução industrial se manifestou patente e em crescendo em Inglaterra (foi lá que “surgiu”), era necessária mão-de-obra intensiva e barata nos grandes centros urbanos. E o que fez o parlamento inglês? Aboliu a lei dos baldios.

Durante séculos (pelo menos desde o reinado de Henrique VIII), os baldios, que por definição não têm dono certo, foram o sustento de muitas centenas de milhares de ingleses que viviam da terra na Inglaterra rural 1. Com a abolição da lei dos baldios, não só esses baldios foram entregues pelo parlamento inglês aos grandes senhores latifundiários (leia-se, nobreza), como provocou uma migração em massa das populações rurais de Inglaterra para as cidades, onde poderiam encontrar trabalho barato e precário nas fábricas e nas minas.

Portanto, vemos como o parlamento inglês resolveu o “problema” da necessidade de mão-de-obra para alimentar a revolução industrial.

Os subúrbios das cidades cresceram a um ritmo tal que se transformaram em ambientes pestilentos, sem condições mínimas de habitabilidade, onde grassavam as doenças que não existiam anteriormente na Inglaterra dos baldios. O nível de vida de muitas centenas de milhares de ingleses regrediu de uma forma real.

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Quando o blasfemo de serviço diz que “a revolução industrial veio melhorar a vida do povo” (neste caso, do povo inglês), trata-se de um sofisma. Não foi por acaso que Karl Marx escolheu a Inglaterra para viver e para escrever o “Manifesto” e “O Capital”.

O século XIX foi medonho: os camponeses, forçados a migrar para as cidades e para as minas, sofreram uma regressão da sua qualidade de vida quando comparada com a que tinham no século XVIII. Aconselho o blasfemo a ler o livro de Émile Zola, “Germinal”, que conta a história da greve dos mineiros do norte de França em 1860. Um pouco de leitura não faz mal a ninguém.

A melhoria do nível de vida dos operários só começou com o exemplo de Henry Ford, nos Estados Unidos, e já no princípio do século XX. A verdade é que a revolução industrial foi, para milhões de pessoas em toda a Europa, um retrocesso de qualidade de vida em relação à vida rural do século XVIII. Quem melhorou a vidinha, com a revolução industrial, foi a burguesia minoritária.

Só no século XX é que a grande burguesia compreendeu que os antros fedorentos suburbanos alimentavam a revolução marxista que se iniciou na Rússia; e foram concedendo uma melhoria das condições de vida dos operários.

Nota
1.  fonte: “História da Filosofia Ocidental”, de Bertrand Russell.

A “libertação” do povo ucraniano já dá frutos

 

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quinta-feira, 15 de maio de 2014

O estado de putrefacção moral a que chegou o alto clero da Igreja Católica

 

joao-paulo-iiLeio aqui que um Bispo italiano, de seu nome Nunzio Galantino, afirmou que não se identifica com os católicos que rezam o terço perto das clínicas de aborto (de facto, ele utilizou a expressão “Interrupção Voluntária da Gravidez” em vez de “aborto”), mas antes (diz ele) “apoia os jovens que se opõem a esta prática e que lutam pela qualidade de vida do povo, pelo seu direito à saúde, ao trabalho”. Ou seja, o Bispo criou uma dicotomia entre o terço à porta das clínicas de aborto, por um lado, e, por outro lado, a melhoria das condições de vida do povo.

Essa dicotomia é inexistente e consiste em uma falácia Ignoratio Elenchi. Não tem nada a ver o cu com as calças. A luta pelas condições de vida do povo não é incompatível com o terço rezado à porta das clínicas abortadeiras. Pode-se fazer uma coisa e outra. Mas a posição do Bispo revela o estado putredinoso, intelectual e moral, a que chegou o clero superior da Igreja Católica em geral, e explica, em muito, por que razão o cardeal Bergoglio foi escolhido para Papa.

Por outro lado, a ideia segundo a qual um melhor nível de vida das populações reduz a incidência do aborto não corresponde aos dados da experiência. Portanto, a afirmação do Bispo italiano só pode ser entendida em um contexto de uma determinada ideologia que infestou o alto clero da Igreja Católica.

É nosso dever combater esse clero, colocando-o fora do poleiro se necessário for, correndo-os da Igreja para fora: a Igreja somos todos nós, católicos praticantes, e não uma cambada de ideólogos que tomaram de assalto a Igreja Católica, e que substituíram a teologia pela ideologia política.

“Não tenhais medo!”

O David Marçal e a Alexandra Solnado

 

O David Marçal, quando escreve isto, demonstra que não faz a mínima ideia de quem foi o professor universitário Ian Pretyman Stevenson. Não é só uma questão de bom-senso: é burrice, mesmo!, embora uma burrice iluminada. Nas universidades portuguesas criam-se muitos burros iluminados.

Podemos afirmar, com toda a pertinência e racionalidade, que o David Marçal é burro — não porque a teoria da reencarnação seja uma verdade absoluta, mas porque existem fenómenos que merecem uma investigação científica (que foi o que o professor Ian Pretyman Stevenson fez).

Se a Alexandra Solnado falou com Jesus Cristo, ou não, é uma crença dela que é equivalente à crença do David Marçal segundo a qual é o professor Ian Pretyman Stevenson que é burro, e não ele (David Marçal).

Mas o que importa não são as evidências subjectivas, mas antes as evidências objectivas (o resultado da experiência). E na medida em que o David Marçal desconhece, deveria estar calado; porque não estando calado sobre aquilo que desconhece, parece que é burro: e, como dizia o velho António, “em política o que parece, é”.

A deputada socialista Isabel Oneto e a “responsabilidade parental”

 

Aquilo a que a deputada socialista Isabel Oneto chama de “responsabilidade parental” 1 corresponde àquilo que existe já na lei com a expressão “poder paternal”. Por exemplo, quando há um divórcio, fala-se em “regulação do poder paternal” que, na maioria das vezes e por maioria de razão, beneficia a mulher e mãe.

Portanto, e desconstruindo a fraseologia eufemista da deputada Isabel Oneto: “responsabilidade parental” = “poder paternal”.

adopçao moderna webO que a deputada Isabel Oneto pretende, através da reformulação da linguagem e substituindo o conceito de “poder paternal” por um outro (“responsabilidade parental”), é alterar a noção e o estatuto do “poder paternal” no quadro jurídico português.

Utilizando palavras diferentes (“responsabilidade parental”) para coisas idênticas (“poder paternal”), pretende-se que o objecto da linguagem seja alterado mediante a reformulação dos termos utilizados. Ou seja, o que a deputada Isabel Moreira pretende é alterar o estatuto do “poder paternal” do Código Civil.

No actual enquadramento jurídico, o poder paternal pertence aos progenitores, ou, no caso de viuvez ou de pai incógnito (que, segundo a lei, deve ser a excepção e não regra), pertence a um dos progenitores (biológicos).

A extensão do poder paternal, por parte do progenitor, ao (novo) cônjuge, é assunto privado — ou seja, a autoridade do cônjuge em relação à educação dos filhos da (ou do) progenitora é geralmente consentida pela progenitor(a) e trata-se de assunto privado do casal. Mas perante a lei e perante o Estado, é a viúva ou o viúvo que exerce o poder paternal.

No caso, por exemplo, de uma mãe de filhos de pai incógnito, e uma vez que não existem laços biológicos conhecidos em relação ao pai, é possível a adopção dos filhos da mãe (passo a expressão) pelo cônjuge da dita. Mas esta adopção é feita sempre tendo em conta os interesses da criança que incluem a analogia (ontológica) do casal adoptante em relação à situação dos pais biológicos (pai e mãe).

Parece que o projecto-lei da deputada Isabel Oneto não pretende substituir os laços de filiação.

Por exemplo, um gay “casado” com outro que tenha um filho com mãe conhecida (segundo o projecto-lei da deputada Isabel Oneto) não poderá adoptar essa criança. Mas ficamos sem saber para que serve o conceito de “responsabilidade parental” da deputada Isabel Oneto — uma vez que, até agora, a extensão do poder paternal ao cônjuge é assunto privado do casal: depende da vontade da progenitor ou progenitora. É a mãe da criança (ou o pai biológico, gay ou não) que decide se deve (e como deve, em grau e qualidade) estender e partilhar o poder paternal com o (ou a) novo cônjuge.

Para mim, o conceito de “responsabilidade parental” da deputada socialista Isabel Oneto não faz sentido senão no âmbito de uma maior intrusão do Estado na vida privada dos cidadãos.

Por outro lado, o conceito de “responsabilidade parental” abre as portas ao tráfico de crianças e ao negócio aberrante das "barriga de aluguer" — é uma espécie de co-adopção gay com outro nome; é um eufemismo para “adopção”, porque no caso do negócio do tráfico de crianças, não existe mãe legalmente reconhecida e, por isso, não existe substituição de laços de filiação, o que significa que, na prática, estamos perante uma adopção através do conceito de “responsabilidade parental”.

Nota
1. Não gosto da palavra “parental” que pretende substituir a palavra “paternal” que é considerada “machista” pelo politicamente correcto; contudo, a palavra “parental” também é do género masculino, e por isso fica-se sem saber qual é a lógica da alteração.

O Estado basculhador da privacidade do cidadão

 

“Theoretically, in a liberal democratic polity, anything that can be done is capable of being undone. But in practice this is not really so. To undo reform or reverse cultural change is like trying to make eggs out of omelettes. That is why social engineering is not like civil engineering. A bridge’s design errors can be righted, but not the ill consequences of a reform.”

Theodore Dalrymple

Quando um governo socialista quebrou o princípio de inviolabilidade da privacidade das contas bancárias em Portugal, eu fui contra. Os resultados estão à vista: hoje, o Estado entra nas contas bancárias dos cidadãos por qualquer motivo, e não apenas para controlar a fuga aos impostos. E mais: o Banco de Portugal é hoje um instrumento da acção na cobrança de dívidas através da intrusão discricionária nas contas bancárias dos cidadãos: nem é preciso a intervenção directa de um juiz: acciona-se o Banco de Portugal e o cidadão vê a sua conta bancária basculhada.

Em vez de promoverem uma Justiça célere que faça a cobrança legal das dívidas em tempo útil, os governos portugueses (incluindo o de Passos Coelho) preferem a acção directa da basculhadela sobre as contas bancárias dos cidadãos — tudo isto para não mexer nos interesses corporativos instalados na área da Justiça.

Um país onde as contas bancárias dos cidadãos são sujeitas a devassa em nome do que quer que seja, é um país que não merece a confiança necessária para o investimento privado.

Se formos a contabilizar os ganhos e custos de um Estado basculhador de contas bancárias privadas, facilmente chegaremos à conclusão de que cada vez menos dinheiro existe disponível nas contas bancárias para colecta de impostos, e que, por outro lado, se instala entre os investidores um medo em relação ao critério discricionário do Estado que assim afasta o investimento privado do país. Ou seja: mais vale ter o dinheiro em uma conta bancária no estrangeiro.

Cardeal Bergoglio: “É necessária uma aldeia inteira para criar uma criança”

 

O “papa” citou esta frase que parece ter origem em um provérbio africano: “é necessária uma aldeia inteira para criar uma criança”. A frase terá sido antes também utilizada por Hillary Clinton.

¿O que é que o “papa” quis dizer exactamente com essa frase?

A frase “é necessária uma aldeia inteira para criar uma criança” traduz uma evidência — é uma verdade de La Palisse. É como dizer que “o Sol nasce todos os dias”, ou que “o ser humano é um animal bípede, dotado de inteligência e de linguagem”. Quando alguém afirma uma evidência como sendo algo original, ou é burro ou quer dizer outra coisa qualquer.

As frases deste “papa” têm que ser objecto de uma exegese, porque o discurso dele é hermenêutico: ele nunca quer dizer aquilo que diz: há sempre nele alguma coisa escondida por detrás das palavras que profere. Por isso é que ele merece o cognome do “papa ambíguo”.

Se os pais precisam de viver em comunidade para criar os seus filhos (o que é uma evidência!), isso não significa que a comunidade substitua o dever e a função dos pais em relação à criação dos filhos. De resto, as pessoas precisam de viver em comunidade para quase tudo — e não só para criar os seus filhos.

O que me aborrece neste “papa” é a malevolência escondida em frases singelas, muitas delas que não significam quase nada: por detrás do significado nulo ou evidente de frases aparentemente inócuas, a malevolência deste homem explana a iniquidade. Por isso, há necessidade de se vir a terreiro atalhar aquilo que ele diz, explicando aquilo que ele, na sua ambiguidade, se recusa a explicar.

Os católicos terão que começar a compreender uma coisa muito simples: este “papa” é uma pessoa vulgar de Lineu; tanto podia ser papa como presidente da junta de freguesia, ou coisa semelhante.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A quem o “papa” beija as mãos

 

 

bergoglio-Michele-de-Paolis
Na foto, vemos o cardeal Bergoglio, também conhecido por “papa Francisco”, a beijar as mãos de Michele de Paolis, um clérigo salesiano de 93 anos. E quem é Michele de Paolis? Podem ter uma ideia do que ele é através da página dele no FaceBook.

O beija-mão aconteceu no passado dia 6 de Maio depois de uma missa em Santa-Marta. O dito “papa” convidou Michele de Paolis para ler o Evangelho do dia. Depois da missa, o “papa” inclinou-se profundamente perante ele e beijou-lhes as mãos.

Na década de 1970, o Padre Michele de Paolis foi responsável pelos salesianos na América Latina e defensor da teologia da libertação (marxista). Em 2010 funda, na companhia de um ateu, Gabriele Scalfarotto, o grupo AGEDO que é uma associação de pais homossexuais e que se tornou no movimento político gay mais activo em Itália.

Entretanto, o sócio do Padre Michele de Paolis, o ateu gay Gabriele Scalfarotto suicidou-se em 2013; e o Padre Michele de Paolis declarou, na ocasião: “Não tenho nenhum escrúpulo em celebrar o seu funeral na igreja”. Segundo o Padre Michele de Paolis, o acto sodomita não é nem desvio sexual nem é pecado, e deve não só ser aceite mas até deve ser respeitado — ou seja, a julgar pelo veredicto do Padre Michele de Paolis, S. Paulo era um troglodita.

Estará o leitor a imaginar o “papa” a beijar as mãos a um franciscano da Imaculada, ou a um qualquer membro da SSPX? Se imagina, desiluda-se! O “papa” só demonstra a sua infinita humildade e beija as mãos a quem defende o "casamento" gay, o "casamento" gay entre sacerdotes da Igreja Católica, a legalização da pedofilia e da eutanásia. É desta gente que o “papa” gosta.

“Pelos seus frutos, o conhecereis”! (Mateus, 7, 15-20).

A grande vitória da Esquerda portuguesa

 

Uma em cada cinco gravidezes acaba em aborto. A Esquerda está de parabéns.

A Direita italiana é muito diferente da portuguesa

 

forza italia

 

Quando a Angela Merkel dá um flato, os protagonistas da Direita portuguesa apressam-se a sentir-lhe o odor.

terça-feira, 13 de maio de 2014

É bom voltar a Aristóteles, face a idiotas que escrevem sobre a ciência

 

O António Piedade, do blogue Rerum Natura, escreve o seguinte:

“Assim como há 400 anos o telescópio desvendou um universo novo e quebrou mitos e lendas antigas, pulverizando visões cosmológicas que se revelaram erradas, também estas novas tecnologias de visualização cerebral abrem miríades de horizontes sobre a mente humana, e estendem as possibilidades da sua interacção com a Natureza.”

O que o António Piedade pretende dizer é que o telescópio e toda a parafernália tecnológica ao dispôr do Homem, “depois de ter quebrado mitos e lendas antigas, pulverizando visões cosmológicas que se revelaram erradas”, revelaram a verdade acerca do universo. Hoje, a julgar pelo pensamento do António Piedade, já não há mitos nem lendas. Assim como Karl Marx engendrou o fim da História, o António Piedade chegou ao fim da ciência.

“O que, em princípio, moveu os homens a proceder as primeiras indagações filosóficas foi, e como é hoje, a admiração. Entre os objectos que admiravam e que não podiam dar-se razão, aplicaram-se primeiro aos que estavam ao seu alcance; depois, avançando passo a passo, quiseram explicar os fenómenos mais relevantes; por exemplo, as diversas fases da Lua, o curso do Sol e dos astros e, por último, a formação do universo. Ir em busca de uma explicação e admirar-se é reconhecer que se ignora. E assim, pode dizer-se que o amigo da ciência também é, de certa maneira, amigo dos mitos, porque o assunto dos mitos é o maravilhoso.”

Aristóteles, “Metafísica”, II

Para o António Piedade, o amigo da ciência não é amigo dos mitos; para ele, a ciência não tem mitos, já que as crenças dele são certezas coimbrinhas.

O igualitarismo do cardeal Bergoglio conduzirá inevitavelmente ao aumento da indiferença entre os católicos

 

O igualitarismo que hoje também marca a própria Igreja Católica, por intermédio do cardeal Bergoglio e de quem o elegeu Papa, é contraproducente, quero dizer, tem um efeito social e cultural exactamente contrário ao que os igualitaristas papistas pretendem.

Por exemplo, o racismo surge hoje como uma reacção suscitada pela indiferença sócio-cultural que resulta da imposição do igualitarismo, e não já pela rejeição da diferença. Isto significa que o racismo não acaba por via do igualitarismo: transforma-se.

Ou seja, não é o igualitarismo politicamente correcto imposto de cima para baixo na sociedade que vai resolver o problema do racismo (como não resolverá outros problemas semelhantes) — pelo contrário, transforma o problema anterior em um problema novo (o conteúdo mantém-se, muda a forma). A ideia segundo a qual é possível resolver o problema das diferenças entre os seres humanos através de imposições formais e igualitaristas de pensamento, só pode vir de gente ignara que compõe a elite política ocidental actual. Estamos entregues a gente desqualificada.

A partir do momento em que o igualitarismo tem como corolário a indistinção, esta resulta em uma indiferença que acaba por ser uma forma de diferenciação e de discriminação negativas.

Aquilo que não é distinguível, que não é facilmente destrinçável, que não é diferençável intuitivamente, deixa de ser valorizado (bem ou mal, positiva ou negativamente) — só que desta vez a discriminação em relação ao outro não é feita com uma tentativa de recurso a um fundamento racional, mas antes passa a ser quase totalmente subjectivista. Em vez de desmontar as bases objectivas de discriminação, o igualitarismo fomenta a pulverização da discriminação subjectiva, em que a discriminação já não se faz recorrendo (muitas vezes erroneamente) à racionalidade da experiência objectiva, mas antes passa a fazer parte do império da irracionalidade subjectiva.

É nesta armadilha que a Igreja Católica está a cair através deste papa e do clero que o apoia.

che-bergoglio-png-webPor exemplo, o baptismo de uma criança não pode ser uma forma de legitimar, na cultura antropológica, um determinado comportamento ou estilo de vida do progenitor ou progenitores. Uma mãe solteira pode ver o ser filho baptizado? Claro que sim!, mas isso não significa que a cerimónia do baptismo dessa criança se transforme em uma cerimónia de legitimação dos comportamentos mais abstrusos ou do estilo de vida da progenitora.

A partir do momento em que os critérios que fundamentam o baptismo (ou os critérios do casamento, que o cardeal Bergoglio e os seus sectários também querem alterar, e à revelia do Direito Canónico) passam a ser praticamente indistinguíveis por via do igualitarismo, então o próprio baptismo passa a ser destituído de valor, e é a própria Igreja Católica que perde com isso.

Se duas lésbicas em coabitação podem utilizar o espaço de uma igreja católica para simbolicamente legitimar (perante a comunidade católica e a sociedade em geral) o seu estilo de vida através do baptismo do filho de uma delas (o baptismo da criança é, neste caso, apenas um instrumento político e cultural), o que o cardeal Bergoglio está a fazer é destruir a Igreja Católica e os seus fundamentos — porque a Igreja Católica não vai ganhar nem mais um fiel se optar por essa via: apenas vai aumentar o número dos indiferentes, que incluirá pessoas como eu que até agora frequentavam a missa.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Um idiota chamado Vítor Belanciano

 

O idiota escreveu o seguinte:

“O festival acabou por se construir como um ensejo político, através da afirmação sexual, emergindo também como reflexo da Europa actual, fracturada e crispada, incapaz de perceber que é pelas diferenças (económicas, políticas, culturais ou de estilos de vida), e pela riqueza que cada país transporta, que se deve unir.”

Já lá vamos ao festival de música que se transformou num comício político.

domingo, 11 de maio de 2014

A dissonância cognitiva da Raquel Varela

 

Por estes dias tenho andado a seguir o blogue da Raquel Varela. Estas coisas passam; daqui a uns dias não é nada, nem se nota. Por exemplo, neste verbete podemos verificar a dissonância cognitiva da Raquel Varela em relação à revolução sexual: por um lado, critica o Estado Novo por alegadamente ter proibido a divulgação de livros de “sexo e de amor”; mas, por outro lado, critica a Casa dos Segredos por transformar o “sexo e o amor” naquilo que é o corolário do império da liberdade negativa nos costumes: a libertinagem.

Eu não sei se Salazar proibiu a publicação de Cardoso Pires (como diz a Raquel Varela) apenas pelos seus livros de “sexo e amor”; parece-me que houve outras razões por que Salazar proibiu a publicação de Cardoso Pires. De resto, Natália Correia, por exemplo, publicou poemas eróticos no tempo de Salazar, e não me consta que tivessem sido proibidos. O problema de Salazar com Cardoso Pires não era o do “sexo e do amor” (antes fosse!): era antes um problema político fundamental que abarcava tudo (incluindo “o sexo e o amor”).

Tal como acontece, por exemplo, com Manuel Alegre, Raquel Varela confunde “conservadorismo” com “neoliberalismo” (ver ligação sobre a diferença entre os dois conceitos). O que se passa hoje em Portugal não tem nada a ver com conservadorismo, mas antes tem tudo a ver com neoliberalismo.

Neste caso, a dissonância cognitiva da Raquel Varela consiste em não querer reconhecer que existe um nexo causal inexorável — científico, mesmo! — entre a liberdade negativa destituída de liberdade positiva, por um lado, e a libertinagem, por outro lado. Quando os dois tipos de liberdade (negativa e positiva) não andam a par um do outro; quando só a liberdade negativa é contemplada pela cultura das elites que controlam os me®dia e o Direito Positivo — a consequência lógica é a constituição de novos tipos de escravatura, mais sofisticados do que os antigos porque se alega agora que as pessoas escravizadas são maiores de idade e que, por isso, deram o seu consentimento. Entramos já no domínio da noção absurda de “escravatura moral consentida”, como se fosse possível que uma pessoa quebrasse voluntariamente o seu sentido de auto-conservação sem que isso implicasse a existência de uma qualquer anomalia mental, privada e colectiva.

E o que a Raquel Varela não quer reconhecer é que o que está acontecer agora já tinha sido profetizado e anunciado, de uma forma apologética, por Herbert Marcuse em particular, e pelos mentores da actual Esquerda que foram os membros da Escola de Frankfurt.

Face à realidade actual de mercantilização da dignidade humana, e quando essa realidade não se adequa àquilo que a Raquel Varela pensa que ela (a realidade) deveria ser em função das suas (dela) crenças, então ela entra em dissonância cognitiva que se caracteriza por uma sensação de desconforto perante os factos.

E para obviar a esta situação, a Raquel Varela vê um “conservadorismo” em Portugal que não existe de facto (longe disso!), e implicitamente culpa Salazar pela existência da Casa dos Segredos, da lei do novo negócio das "barriga de aluguer" que se prepara, da adopção de crianças por pares de invertidos que transforma as crianças em um instrumento de legitimação de um determinado estilo de vida esdrúxulo, o “divórcio unilateral e na hora” que atinge principalmente as mães, o aborto “à la gardaire” por pressão dos homens que prejudica gravemente as mulheres em geral, o casamento que deixou de ser uma instituição e que foi transformado em uma amizade consentida pela polícia. Mas disto, a Raquel Varela não fala para não alimentar ainda mais a sua dissonância cognitiva.

Tudo isto foi feito através um tácito acordo político mútuo entre pessoas como Raquel Varela e os neoliberais: cada uma das partes beligerantes está convencida de que o movimento dialéctico de síntese trará um futuro que corrobore as suas mundividências e as suas crenças políticas. Ambos os lados da contenda optaram por uma política de terra queimada na cultura antropológica, para ver quem melhor sobreviverá quando a miséria moral grassar pela sociedade.

Depois da Teoria de Género, temos agora a Teoria do Não-Género

 

É cada vez mais penoso fazer parte desta União Europeia.

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Acerca do sincretismo da “Direita dos valores e da Esquerda do trabalho”

 

Os valores têm que ser fundados (e fundamentados) em alguma coisa de essencial (essência), e não apenas em factos históricos. Os factos históricos apenas corroboram simbolicamente a essência que os transcende e que, pelo menos até certo ponto, os condiciona.

Quando nós fundamos os nossos valores apenas em factos históricos, a nossa mundividência é imanente e, por isso, alvo fácil da corrupção por via da sucessão temporal do “espírito tempo” ou da moda: os nossos valores tornam-se facilmente susceptíveis de desqualificação e desvalorização através das mudanças culturais que são normais e naturais.

Se as mudanças culturais são normais e naturais, já os valores axiomáticos são intemporais.

Podem mudar os tempos, e com eles mudam-se vontades (como dizia o poeta), mas não pode mudar a essência dos valores. Os valores devem ser como os axiomas da lógica: não podem ser mudados (senão por gente psicótica: só gente desfasada da realidade “muda” os axiomas da lógica). No entanto, são esses mesmos axiomas da lógica, imutáveis, que estão por exemplo na base do desenvolvimento da matemática que nos permitiu viajar no espaço cósmico. Assim como os axiomas da lógica são os primeiros princípios da matemática e da própria ciência, assim os valores intemporais são os primeiros princípios da ética que necessariamente determina a política e todas as actividades humanas.

A ética e os valores estão a montante da política e da economia (estão “antes” da política e da economia), e não o contrário disto. Os valores da ética não podem ser uma consequência da práxis política nem dos interesses da economia, sob pena de não termos nenhum ponto de referência ontológico que nos permita escorar racionalmente a acção humana.